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Texto:
Ivan Padilla
Folha Ilustrada Online
02/05/2004 - 06h40
Imagens:
Reprodução

Mulher que chora (1937)
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O momento não poderia ser mais oportuno. Enquanto a Espanha se refaz do atentado
terrorista de Madri do último 11 de março, uma exposição em Barcelona recolhe as obras
antibélicas do pintor Pablo Picasso (1881-1973).
Serão apresentados 320 desenhos, ensaios, pinturas, litografias,
esculturas e cerâmicas, nos quais o artista cubista condensa, com seus característicos
traços geométricos, todo o horror da guerra moderna.
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Estudo para Guernica (1937)
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A mostra
"Picasso: Guerra e Paz" será apresentada no marco do Fórum das Culturas de
Barcelona, entre 25 de maio e 26 de setembro. Reúne peças de museus como a Tate Gallery,
em Londres, e o Centro Georges Pompidou, em Paris, e começou a ser planejada há dois
anos.
"Essa triste coincidência mostra que o tema é mais atual
do que nunca. Mudaram as guerras, mas não a crueldade", disse Maria Teresa Ocaña,
diretora do Museu Picasso em Barcelona e comissária da exposição.
Os conflitos refletem o ponto de vista da população civil.
Algumas obras da exposição não mostram nem os elementos próprios de uma guerra. Não
há soldados, bombas ou fuzis. A dor é retratada através do exagero, como bocas
excessivamente retorcidas, dentes expostos, narinas abertas, línguas afiladas e órbitas
dos olhos saltadas, de onde escorrem lágrimas em linha reta.

A mulher que chora (1937)
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Na pintura
"Mãe com Menino Morto (II)", de 1937, uma mulher de corpo disforme carrega, em
sua enorme mão, o filho morto. "Cabeça de Mulher Chorando (I)", do mesmo ano,
é uma alegoria do medo. "Massacre na Coréia", de 1951, uma denúncia da
intervenção americana, representa o momento de uma execução de mulheres e crianças.
Estão na mostra imagens pacifistas em oposição ao cenário
pessimista dos tempos de guerra, como "Estudo para um Homem com Cordeiro"
(1943). Destacam-se ainda as clássicas representações das pombas, que se tornariam um
emblema da paz, como em "As Mãos Enlaçadas II" (1952).
A ausência mais sentida é "Guernica",
a obra antibélica por excelência. O quadro retrata a destruição do povoado basco de
mesmo nome pelos nazistas.
Trata-se da única obra de Picasso registrada em testamento. Por
desejo expresso do autor, o quadro só poderia voltar à Espanha depois da morte do
ditador Francisco Franco, o que ocorreu em 1975. Em 1981 a pintura é levada ao Museu do
Prado, em Madri, e mais tarde, com consentimento dos herdeiros, transladada ao museu Reina
Sofía.
"Guernica" marca o início da fase política de
Picasso. Durante a Segunda Guerra, o pintor retratou uma série de naturezas-mortas e
representações de crânios humanos. Com a Guerra Civil Espanhola, mudou-se
definitivamente para a França, onde viveu até o final de seus dias. Em 1944, filiou-se
ao Partido Comunista francês e passou a pintar temas pacifistas. São dessa época
retratos em cenários campestres e mediterrâneos.
A partir dos anos 60, dedicou-se a temas mais amenos, como os
retratos de Jacqueline Roquet, a última de suas quatro mulheres.
Os trabalhos antibélicos não são maioria no acervo deixado
pelo artista, de um total de 2.000 quadros e 7.000 desenhos, mas adquiriram indiscutível
projeção. Para Picasso, a arte era um instrumento contra a violência.

Estudo para Guernica (1937)
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