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Após o despertar do mundo
românico, a Europa da baixa Idade Média (das cruzadas até o século XV), conhecida como
Europa das catedrais, experimentou excepcional apogeu cultural, político e econômico,
cujo expoente artístico manifestou-se no florescimento do gótico.
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O termo gótico,
de início empregado em sentido pejorativo (arte dos godos) pelos artistas do
Renascimento, designa um conjunto de manifestações artísticas desenvolvidas entre
meados do século XII e início do XV -- em alguns lugares, até o século XVI. Tais
manifestações foram possibilitadas pela evolução das técnicas de construção, com o
aparecimento do arco ogival, por exemplo, e em conseqüência do surgimento de uma forma
de vida e uma cultura urbanas, dominadas pela nova burguesia comercial.
Escultura
As principais características da
escultura gótica são a tendência ao naturalismo e a busca da beleza ideal. Em
oposição à rigidez e abstração próprias do românico, os escultores góticos
pretenderam imitar a natureza e tanto reproduziram pequenos detalhes vegetais como figuras
dotadas de certo movimento e expressividade.
O tipo de religiosidade havia mudado em
relação ao da alta Idade Média, e estabeleceu-se uma relação mais direta com a
divindade. Ante o todo-poderoso Deus românico, o gótico centrou-se nas figuras de Cristo
e da Virgem; ante o hieratismo anterior daquele estilo, buscou a humanidade das figuras
divinas.
Nos pórticos das catedrais narravam-se em
escultura, com clara finalidade didática, os principais temas religiosos, como a vida de
Cristo e da Virgem, a Ressurreição e o Juízo Final, e até alguns profanos, como as
estações do ano ou o zodíaco. No fim do gótico, a escultura em relevo acabou por
invadir completamente as fachadas. Paralelamente a estas, o relevo se desenvolveu em
retábulos, monumentos funerários e bancadas de coros, lugares em que, às vezes, se
chegou a empregar a madeira. A escultura em redondo teve desenvolvimento menor e em geral
se dedicou à imagem de culto.
Durante a evolução do gótico, a escultura
exterior foi-se libertando do limite arquitetônico para adquirir volume e movimento
próprios. Muitas vezes as figuras se relacionavam entre si e expressavam sentimentos. Os
panejamentos foram ganhando mobilidade e, em muitos casos, deixaram intuir a anatomia,
representada cada vez melhor. Depois de um período de grande expressividade, a escultura
gótica evoluiu, na fase final, para um patetismo excessivo.
A escultura gótica se estendeu da zona da
Île-de-France, seu primeiro foco, a outras regiões e países europeus. Destacam-se as
fachadas dos cruzeiros da catedral de Chartres, assim como o portal dedicado à Virgem, na
Notre-Dame de Paris, e as fachadas de Amiens e Reims, todas do século XIII.
Durante o século XIV verificou-se um
alongamento das formas e a escultura pôde então separar-se do limite arquitetônico. No
fim desse mesmo século criou-se em Dijon, na corte dos duques de Borgonha, uma brilhante
oficina escultórica, onde trabalhou Claus Sluter, autor do "Poço de Moisés" e
do sepulcro de Filipe II o Audaz.
Na Itália verificou-se um abandono
progressivo da estética bizantina dominante, graças à chegada do gótico francês e à
influência da escultura clássica. Os melhores representantes foram Nicola Pisano, com o
púlpito do batistério de Pisa; Andrea Pisano, que fez a primeira porta do batistério de
Florença; e Arnolfo di Cambio.
Na Espanha, a escultura soube transformar os
modelos importados, segundo um estilo particular, e tendeu para um misticismo severo e de
intenso realismo. A escultura de portais seguiu o exemplo francês, como ocorreu com as
portas do Sarmental e da Coronería, na catedral de Burgos, ou com a "Virgem
branca" no mainel da fachada principal da catedral de León.
No século XIV, a escultura exterior das
catedrais tornou-se mais minuciosa, por influência das obras em marfim e da arte
mudéjar. Datam dessa época a Porta do Relógio da catedral de Toledo, o portal da igreja
de Santa Maria de Vitória e a Porta Preciosa da catedral de Pamplona. O conjunto mais
importante da escultura gótica do século XIV está na Catalunha e é formado por
sepulcros e retábulos de clara influência italiana, como o túmulo de D. João de
Aragão.
No século XV a influência da Borgonha e de
Flandres tornou-se dominante e muitos mestres dessas nacionalidades chegaram à península
ibérica. Em Castela destacaram-se os trabalhos de Simão de Colônia (São Paulo de
Valladolid), Egas Cueman (portal dos Leões da catedral de Toledo), Juan Guas (San Juan de
los Reyes de Toledo) e Gil de Siloé (sepulcros de João II e Isabel de Portugal na
cartuxa de Miraflores). Em Sevilha, a influência flamenga mostra-se na obra de Lorenzo
Mercadante, autor do sepulcro do cardeal Cervantes. Em Aragão, a estética borgonhesa se
fez sentir na obra de Guillermo Sagrera.
Pintura
Com a redução da extensão da parede nas
igrejas, restringiu-se a pintura mural, que ficou relegada principalmente a salas
capitulares e edifícios civis. Em seu lugar, as igrejas góticas se encheram de vitrais,
que transformaram os efeitos luminosos em jogos pictóricos. Os mais destacados estão nas
catedrais francesas de Chartres e Notre-Dame de Paris, e na de León, na Espanha.
Também aumentou a produção de tapeçarias,
que decoravam as paredes de palácios e casas senhoriais, e ganharam especial expansão a
arte da miniatura e a pintura de cavalete sobre madeira, mais fácil de transportar e
destinada à composição de retábulos.
Durante os séculos XIII e XIV, a pintura era
linear, muito estilizada, de ritmo sinuoso e dominada pelo desenho e pela elegância
formal. Pouco a pouco, a plenitude do românico cedeu lugar a figuras com algum sentido do
volume, colocadas sobre fundos planos, quase sempre dourados, e, mais tarde, com certa
sugestão de paisagem.
Os temas pictóricos procediam das
hagiografias, das Sagradas Escrituras e dos relatos cavalheirescos. Tal como sucedeu com a
arquitetura e a escultura, esse primeiro estilo da pintura gótica também se originou na
França, motivo pelo qual foi chamado franco-gótico. Suas melhores manifestações são
vitrais e miniaturas.
O refinado mundo cortesão, que concedia uma
singular importância à mulher, produziu no século XV um novo estilo, conhecido como
internacional, que unia a estética franco-gótica às influências dos mestres de Siena.
Entre outras obras, destacaram-se as miniaturas do livro As riquíssimas horas do duque de
Berry, de autoria dos irmãos Limbourg.
Com o desenvolvimento das escolas florentina e
de Siena nos séculos XIII e XIV, a Itália encaminhou-se para o Renascimento, com seus
novos postulados de busca de volume e de preocupação com a natureza. Entre seus
principais representantes devem ser mencionados Cimabue e Giotto, em Florença, e Duccio
di Buoninsegna e Simone Martini, em Siena.
A minuciosa pintura flamenga a óleo chegou a
ser o estilo mais apreciado no mundo gótico. A utilização do óleo possibilitou cores
mais vivas e brilhantes e maior detalhismo. Os iniciadores dessa escola foram os irmãos
Hubert e Jan van Eyck, que pintaram o "Políptico da adoração do Cordeiro
místico". Outros artistas destacados foram Roger van der Weyden, Hans Memling e
Gérard David.
Neogótico
A cópia acadêmica do gótico medieval,
estilo aplicado à decoração e principalmente à arquitetura, que floresceu no século
XIX, teve como base estética o romantismo e suas tendências medievalistas.
Mas na Inglaterra, o neogótico, ou
pseudogótico, já aparece por volta de 1755, adotado pelo escritor Horace Walpole,
criador do chamado romance gótico, em sua famosa residência de Strawberry Hill, onde
mandou até mesmo construir réplicas de autênticas ruínas góticas.
O mais importante monumento neogótico na Inglaterra
é o Parlamento, em Londres, construído entre 1837 e 1843 por Charles Berry e Augustus
Pugin.
Na França, a igreja da Notre
Dame de Bonsecour, de Viollet-le-Duc, concluída em 1842. Nos Estados Unidos
os arquitetos do neogótico são Ralph Adams Cram, autor do projeto da igreja de Saint
John the Divine, e James Renwick, da catedral de Saint Patrick, ambas em Nova York. Na Alemanha,
a catedral de Colônia, embora baseada em planos do século XIII e em fundações
medievais, foi construída em estilo neogótico, em 1872, pretendendo ser um exemplo
perfeito do gótico ideal.
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