Giotto revolucionou a pintura ao criar a noção de
tridimensionalidade. Abandonou a rigidez bizantina e dotou suas figuras de volume e
sentimento, expressando assim, por meio da arte, o humanismo que são Francisco de Assis
imprimiu à religião no início do século XIII.
Giotto di Bondone nasceu na localidade de
Vespignano, perto de Florença, em 1266, 1267 ou 1276, e foi discípulo de Giovanni
Cimabue, o maior pintor da Itália no fim do século XIII.
O biógrafo Giorgio Vasari conta que Cimabue
encontrou Giotto ainda criança, no campo, quando o menino desenhava sobre uma pedra.
Levou-o a seu ateliê de Florença, ensinou-lhe pintura em mosaico e afresco e logo o
aluno se tornou conhecido pelo talento.
Giotto era ainda muito jovem quando o superior
geral dos franciscanos o escolheu para pintar a vida de são Francisco de Assis com base
na nova biografia oficial do santo, escrita por são Boaventura por volta de 1266.
A obra, executada na mais elevada das duas
capelas superpostas da basílica de Assis, inclui quatro alegorias e 23 afrescos. Entre
estes, destaca-se "São Francisco pregando aos pássaros", em que Giotto
representa uma cena ao ar livre e substitui por um céu azul o céu dourado simbólico da
tradição bizantina.
Presume-se que iniciou seu trabalho na
basílica em 1296 ou 1297 e partiu para Roma em 1300, onde pintou os afrescos e mosaicos
da antiga basílica do Vaticano, mas desse trabalho restou apenas o mosaico
"Navicella", em que mostra a barca com os apóstolos e a caminhada de Cristo
sobre as águas.
Nessa época teria pintado também "São
Francisco recebendo os estigmas", na igreja da Santa Cruz, em Florença.
Entre 1306 e 1309, Giotto permaneceu em Pádua
para executar o que muitos consideram sua maior obra, a decoração da capela da Arena, de
propriedade de Enrico Scrovegni. Atrás do altar, Giotto pintou o "Juízo final"
e nas paredes laterais, afrescos com cenas dos Evangelhos e da vida da Virgem e a série
"Vícios e virtudes".
Em 1311, de volta a Roma, executou trabalhos
para o cardeal Stefaneschi e depois, em Florença, pintou uma Madona para a igreja de
Todos os Santos.
Amigo de Dante, foi incluído na Divina
comédia, citado no "Purgatório" como o pintor que superou o grande mestre
Cimabue.
Pouco se sabe sobre o período em que
permaneceu em Nápoles, nos últimos anos da vida. Admirado por seus contemporâneos,
Giotto morreu em Florença, em 8 de janeiro de 1337.