Por volta de
1480 começou a pintar "São Jerônimo", que deixou inacabado. No ano seguinte
mudou-se para Milão e trabalhou na "Adoração dos magos", encomenda dos monges
de San Donato, em Scopeto. Também inacabada, essa é a primeira tela que pode ser
atribuída com segurança a Leonardo. Nela se percebe o gênio do artista que, embora se
considerasse continuador direto de Giotto e de Masaccio, já não apresentava em sua
pintura semelhança alguma com a tendência plástico-formal própria da escola florentina
do Renascimento.
A serviço de Ludovico
Sforza, desenvolveu vários projetos de engenharia militar, realizou estudos hidráulicos
sobre os canais da cidade e, como diretor das festas promovidas pela corte, organizou
competições, representações e torneios, para muitos dos quais desenhou cenários e
figurinos.
Dedicou-se também ao
estudo da anatomia, física, botânica, geologia e matemática. Nesse período, pintou
algumas de suas obras-primas -- a primeira versão da "Virgem dos rochedos" (c.
1483) e a "Última ceia" (1495-1497) --, decorou a Sala delle Asse (c. 1498) e
trabalhou numa estátua eqüestre de Francesco Sforza, jamais fundida em bronze.
Iniciou nessa fase a
redação dos manuscritos do Trattato della pittura, cuja primeira edição
impressa data de 1651.
Quando, em 1499, tropas
francesas invadiram Milão, Leonardo voltou para Florença, já como artista consagrado.
Em 1502 decidiu acompanhar Cesare Borgia na campanha de Romagna, como arquiteto e
engenheiro militar.
No ano seguinte estava de
volta a Florença, onde, durante o cerco de Pisa, desenvolveu um projeto para desviar o
curso do rio Arno, de forma a cortar o acesso da cidade ao mar. No mesmo ano, começou a
pintar "Mona Lisa", uma de suas obras mais conhecidas e na qual a arte da
pintura atinge um de seus grandes momentos.
Iniciou também o quadro
"Leda", conhecido apenas por intermédio de cópias, que parece ter sido o
único nu de toda a sua obra, e, com Michelangelo, cujo prestígio já começava a superar
o seu, decorou a sala do conselho do Palazzo Vecchio. Michelangelo pintou uma cena da
batalha de Cascina, enquanto Leonardo pintava a "Batalha de Anghiari". Nenhum
dos dois trabalhos foi concluído.
Entre 1506 e 1513 Leonardo
novamente residiu em Milão, onde tornou-se conselheiro artístico do governador francês,
Charles d'Amboise, e projetou para ele um novo palácio. Com o restabelecimento da
dinastia Sforza, Leonardo foi para Roma, em 1513, onde permaneceu sob a proteção de
Giuliano de Medici, irmão do papa Leão X.
Nessa época, aprofundou
suas pesquisas ópticas e matemáticas. Depois da morte de Giuliano, em 1516, Leonardo foi
para Amboise, a convite de Francisco I, que o nomeou primeiro-pintor, engenheiro e
arquiteto do rei. Continuou então os estudos de hidráulica, ao mesmo tempo em que
organizou cadernos de apontamentos e preparou festas para a corte.
Leonardo voltou sua
curiosidade para todos os campos do saber e da arte, e em cada um deles afirmou seu
gênio. Apesar de não ter realizado as grandes obras com que sonhava na pesquisa
científica, a vasta informação contida em seus apontamentos e desenhos é suficiente
para demonstrar a universalidade de seu saber. Ao estudo da estática e da dinâmica
dedicou algumas de suas pesquisas mais valiosas. Baseou-se na leitura da obra de
Aristóteles e de Arquimedes, às quais foi um dos primeiros a acrescentar contribuição
original.
Da Vinci estudou ainda as
condições de equilíbrio sobre um plano inclinado e enunciou o teorema do polígono de
sustentação da balança. Realizou pesquisas originais sobre os centros de gravidade --
no que antecipou-se a Galileu -- e idealizou uma máquina destinada a testar a
resistência dos fios metálicos à tração. Ainda no domínio da física, estudou os
efeitos do atrito e enunciou definições para força, percussão e impulso.
A partir do vôo dos
pássaros, Leonardo determinou os princípios da construção de um aparelho mais pesado
do que o ar, capaz de voar com a ajuda da força do vento. Entre seus desenhos incluem-se
esboços de um aparelho bastante parecido com o helicóptero moderno e o esquema de um
pára-quedas.
De sua atividade como
projetista militar destacam-se os vários desenhos de canhões, metralhadoras, carros de
combate, pontes móveis e barcos, bem como estudos sobre a melhor maneira de abordagem de
um barco grande por um pequeno, o esquema de um submarino e bombardas. Leonardo inventou
também máquinas hidráulicas destinadas à limpeza e dragagem de canais, máquinas de
fiar, trivelas, tornos e perfuratrizes. Também antecipou-se aos urbanistas com seus
projetos de cidades.
Pintura.
No Trattato della
pittura, Leonardo da Vinci defendeu essa forma de arte como indispensável à
realização da exploração científica da natureza e aconselhou os pintores a não se
limitarem à expressão estática do ser humano. Utilizava ao pintar todos os seus
conhecimentos científicos: suas figuras humanas derivavam diretamente dos estudos de
anatomia, enquanto as paisagens revelavam o conhecimento de botânica e geologia.
Muitas de suas obras se
perderam, foram destruídas ou ficaram inacabadas. Conhecem-se apenas cerca de 12 telas de
Leonardo de autenticidade indiscutível. Ao longo de sua obra, é visível a importância
cada vez maior que o artista concede aos contrastes entre luz e sombra, e, principalmente,
ao movimento. Com o sfumato, que dilui as figuras humanas na atmosfera, Leonardo realizou
síntese admirável entre modelo e paisagem.
A "Última ceia",
um dos quadros mais famosos do mundo, foi muito danificada e sofreu diversas
restaurações, motivo pelo qual pouco resta do original. É inigualável, no entanto, a
solidão de Cristo, em contraste com a agitação dos apóstolos, dividos em grupos de
três. Judas, o traidor, é a única figura em isolamento entre eles. Os vários estudos e
desenhos de Leonardo revelam a preocupação do autor com os menores detalhes da cena.
Pouco antes de morrer, no castelo de Cloux, perto de
Amboise, na França, em 2 de maio de 1519, nomeou seu discípulo predileto, Francisco
Melzi, herdeiro de todos os valiosos estudos, desenhos e anotações que deixava. Melzi
preservou cuidadosamente a herança, mas com sua morte, cerca de cinqüenta anos após a
do mestre, os manuscritos se dispersaram. Conservaram-se cerca de 600 desenhos, que
representam talvez a terça parte da vasta produção de Leonardo da Vinci.