Num momento em que a arte italiana estava ancorada no estilo
bizantino, Cimabue conseguiu renová-la e impulsioná-la para a modernidade, como
iniciador da escola florentina do século XIV.
Bencivieni di Pepo, que seria chamado Cimabue,
nasceu por volta de 1250 em Florença. Desde a infância interessou-se pelo desenho, que
executava à moda dos artistas gregos.
Esteve em Roma por volta de 1272 e se supõe
que ali tenha criado seu estilo, em reação contra a esquemática maniera greca. A
influência bizantina em sua arte se mostra, no entanto, pelo emprego do ouro, no que foi
pioneiro na Itália, segundo Vasari.
Entre suas poucas obras, o monumental
"Crucifixo" elaborado para a igreja de Santa Croce, em Florença, exibe um
estilo hierático que ele foi aos poucos abandonando em favor de uma maior expressividade
gótica.
Exemplo dessa evolução é a
"Maestà", pintada para a Santa Trinità de Florença e na qual Cimabue
representou a Virgem entronizada, com o Menino, rodeada de anjos e profetas, com elementos
dourados abundantes. A naturalidade do rosto da Virgem e dos gestos dos profetas traduz
uma força emotiva incomum para aquela época.
Cimabue morreu em 1302, possivelmente em Pisa,
para onde havia ido um ano antes com o objetivo de pintar o mosaico da abside da catedral.
Sua fama foi logo eclipsada pela de outro
florentino, seu discípulo Giotto di Bondone, mas os especialistas concordam ao considerar
Cimabue um precursor de novas tendências pictóricas.