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Romântico tardio, num período em que a arte mundial caminhava a
passos largos para o realismo, músico e compositor lírico, escritor e poeta, Keil não
era um pintor de tempo integral, embora também não fosse também um artista de fins de
semana, pois pintava regularmente e deixou centenas de quadros com impressão fina e
delicada, de excelente qualidade.
Alfredo Keil nasceu em Lisboa em 1851 e morreu em Hamburgo (Alemanha) em 1907. Sua
educação básica se deu igualmente na Alemanha, berço do romantismo. Esta foi, talvez,
uma das razões pelas quais o artista seguia a reboque das novas tendências, já
estabelecidas na Europa, inclusive em Portugal.
Era um pintor de paisagens, mas também de interiores requintados, como o quadro Leitura
de uma carta, reproduzido abaixo, trazido a público em 1874 e recebido com
entusiasmo, tanto pela aristocracia ainda dominante, como pelos burgueses endinheirados, a
quem a arte singela do romantismo sensibilizava mais fortemente.
Não por acaso, seu trabalho encontrou um conquistou um apreciável segmento do mercado.
Em 1890, realizou uma individual em Lisboa, bastante concorrida, na qual expôs cerca de
trezentos quadros. Foi a consagração em seu país, após o reconhecimento que lhe fora
dado por outros países.
Em 1878, inscreveu-se na Exposição Internacional de Paris; em 1879, esteve no Brasil,
expondo no Salão Nacional de Bellas-Artes, onde conquistou medalha de ouro; em 1886,
participou da Exposição de Madri, recebendo a Condecoração da Ordem de Carlos III de
Espanha.
Em
Portugal, sua presença como pintor foi ofuscada pelo brilhantismo com que se destacou na
música e na poesia. Foi na música, sobretudo, que ele obteve seu maior sucesso, havendo
composto o hino pátrio A Portuguesa, num momento em que Portugal mantinha sério
enfrentamento com a Inglaterra. Sua mais conhecida composição, todavia, foi a Marcha
Fúnebre. E, entre os livros de poesia que publicou, destaca-se Tojos e rosmaninhos
(poesias, 1908).
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