Décio Rodrigues Vilares

(1851 - ? )
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Uma formação européia

     Décio Rodrigues Vilares nasceu e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, então Capital Federal.

     Matriculou-se aos 17 anos na Academia Imperial de Belas-Artes, e em 1872 seguiu para a Europa, onde permaneceu cerca de 10 anos, estudando em Paris com Paul Cabanel e em Florença com Pedro Américo.

     Em 1874 expôs no Salon de Paris seu quadro Paolo e Francesca, no qual revelava a mesma veia para o dramático e o grandiloqüente de seu idolatrado mestre Pedro Américo

     Mas, à parte a pintura histórica, em pequenas manchas e esboços foi que deu provas de uma sensibilidade mais viva e moderna, principalmente quando tratava a figura feminina, que sempre lhe saiu elegante e sensível.

Primeiro religioso, depois
materialista

     A dicotomia do seu temperamento não passou desapercebida a Gonzaga Duque, o qual observa que «deixa-se atrofiar por uma imperiosa alucinação do chique, à guisa dos pintores do Século XVIII, em França, ou vai colher na Bíblia os assuntos de suas obras».

     Gonzaga Duque considerava-o, então, mais pintor que propriamente artista, e lhe realçava a «habilidade no fazer», censurando-lhe o ter abandonado sua primeira maneira, de temática religiosa, pela segunda, que lhe parecia inclusive frívola:

     «Décio Vilares foi um discípulo fanático pelo mestre, Pedro Américo, e compôs os dois São Jerônimos; depois a arte francesa seduziu-o, não a grande arte, mas a arte chique, empomadada, anêmica; e tem produzido, após a Fugida para o Egito, retratos de cold-cream e veloutine.»

Na pretensa fraqueza estava
sua força real

     Mas são esses retratos de cold-cream e veloutíne que hoje parecem garantir a posteridade do artista, já que foi exatamente neles, e não nas pinturas religiosas, que Décio deixou de lado o convencionalismo por uma arte mais liberta e viva.

     Nessas figuras femininas, desenhadas com segurança e elegância, de belo modelado, resolvidas num cromatismo sensível, o artista alcança talvez o ponto mais elevado de sua produção.

     Neles, a cor, principalmente, torna-se livre e ousada, como se Décio, esquecendo-se das lições de Cabanel e Pedro Américo, tentasse atingir uma atmosfera luminosa que trabalhos anteriores não permitiam antever.

     Intensidade poética e maciez de toque são qualidades inerentes a tais obras, nas quais se revela dos nossos maiores, mais delicados intérpretes da alma feminina.

Escultor e caricaturista

     Pintor de grandes recursos, Décio Vilares foi ainda escultor de méritos, e por algum tempo praticou a caricatura.

     Como escultor, deixou em Porto Alegre a estátua de Júlio de Castilhos, além de ter feito bustos, como os de Colombo, Tiradentes, José Bonifácio, Deodoro e Benjamin Constant.

     Como caricaturista, parece ter colaborado na Comédia Social em 1870-71, ao lado de Pedro Américo e Aurélio de Figueiredo, além de ter publicado trabalhos, em 1886, em Rata-plan.

Quem legendou a
Bandeira Nacional

     Católico fervoroso no princípio de sua carreira, Décio Vilares converteu-se em Paris ao dogma positivista, pintando então obras como Queda do Cristianismo e Virgem da Humanidade, destinados a adornar o Templo da Religião da Humanidade na capital francesa.

     Foi republicano histórico e por ocasião da proclamação da República coube-lhe modificar o pavilhão nacional, acrescentando-lhe o lema positivista «Ordem e Progresso» e a constelação do Cruzeiro do Sul.

Ateliê em chamas

     O Museu Nacional de Belas-Artes, por ocasião do centenário do seu nascimento, em 1951, dedicou-lhe uma retrospectiva. Esse museu, aliás, conserva o núcleo principal de sua produção.

    Lamentavelmente, uma boa parte de sua obra se perdeu porque, em 1931, logo depois do falecimento do pintor, sua viúva, num gesto impensado, ateou fogo ao seu ateliê.

     Entre as obras conservadas destacam-se Retrato de Senhora, de 1889, e a já citada Paolo e Francesca, da qual disse Eugene Veron (o autor da célebre Estética) que conseguira ser original, após Scheffer e Ingres.

Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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     [Décio Rodrigues Vilares] é natural desta cidade [Rio de Janeiro] e nascido a 1º de dezembro de 1851. Fez o curso da Academia. Em 1872, seguiu para a Europa, de onde só regressou em 1881, para, de novo, tornar a Paris. Aí estudou sob a direção de Cabanel, em Florença, sob a direção de Pedro Américo, que foram os seus mestres.

     Artista reputado e dotado de vigoroso talento. A sua pintura prima pela delicadezade toque e pelo sentimento poético de que se reveste, que é a sua nota pessoal.
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Figura de Mulher
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