Nascido em Desterro, atual Florianópolis (SC) e
falecido no Rio de Janeiro.
Estudou com Vítor
Meireles e Zeferino da Costa na Academia Imperial de Belas-Artes, recebendo marcante
influência do primeiro e se tornando, como ele próprio, pintor histórico.
Contemplado em 1888
com o Prêmio Imperatriz do Brasil da Academia Imperial - o qual lhe possibilitaria três
anos de aperfeiçoamento na Europa -, não logrou viajar em face dos acontecimentos
políticos que determinaram, já no ano seguinte, a derrocada da Monarquia.
Decepcionado,
recusou-se a partir de então a expor salões oficiais, só o fazendo após 1901 quando,
com o quadro Fantasia Japonesa, mereceu em uma menção honrosa.
Ajudante de seu
antigo mestre Zeferino da Costa nas decorações da Igreja da Candelária em fins do Séc.
XIX e começos do Séc. XX, quando já o grande pintor padecia de gradativa paralisia das
mãos e se achava preso a uma cadeira de rodas, teria realizado, segundo, Argeu
Guimarães, mais do que mera obra de auxiliar, trabalho no mínimo de co-autoria.
De acordo com o
historiador seriam de autoria exclusiva de Sebastião Vieira Fernandes e por ele
executados nada menos de seis painéis "os seis que se vêem no primeiro corpo
à entrada da igreja, fato aliás confirmado por Evêncio Nunes, também antigo discípulo
e colaborador de Zeferino na decoração da Candelária", Esclarece mais Argeu
Guimarães:
«Posso confirmar
que são de fato de Sebastião, porque o vi em ação, algumas vezes com os inconclusos
croquis de Zeferino em punho, executados numa interpretação livre, fora não raro do
esboçado.»
E mais adiante:
«Dou mais um
testemunho: em outro dia, em que o acompanhei (Sebastião) à igreja, vi chegar, na
cadeirinha de rodas, com o rosto alterado e ensombrecido pelo desgosto, Zeferino em
pessoa.
«Aparição
do Averno. Pálido, caquético, tumular, olhava tristemente, do alto do adro, o bulício
da rua que fervilhava em torno. A paralisia lhe tolhera as mãos, incapacitando-o de
empunhar os pincéis, nem lhe era possível obviamente alçar-se aos andaimes da obra
executada pelo outro.
«Quero dizer:
Zeferino nem mesmo podia apreciar o que estava sendo feito. Mais desgraçado que o
Aleijadinho, não podia sequer contemplar o que estava sendo pintado em seu nome.»
Praticando, além da
pintura histórica e do retrato, (em que mais se destacou), também a paisagem, o nu, a
alegoria, a natureza-morta e o gênero, Vieira Fernandes foi igualmente restaurador de
méritos, nomeado em 1918 para conservador da pinacoteca da Escola Nacional de
Belas-Artes, então dirigida por Batista da Costa.
Realizou, por outro
lado, numerosas cópias de originais de Vítor Meireles, e de Velhos Mestres europeus.
Fonte; CD Rom «500 Anos da Pintura
Brasileira»
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