Rosalbino Santoro
(1858-?)

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     Nascido em Cosenza (Itália) e falecido provavelmente no Brasil. Fez sua aprendizagem em Nápoles, com Palizzi, especializando-se em figura e paisagem.

     Ainda na Itália executou uma série de obras que lhe granjearam certa notoriedade, como os retratos do Rei Umberto e da Rainha Margherita, paisagens, cenas de costumes, etc.

     Vindo para o Brasil em data ignorada, aqui realizou algumas exposições, como informa Laudelino Freire, baseando-se em referências publicadas na Gazeta Literária, que o davam como pintor de muito merecimento, bastante conhecedor da perspectiva linear, da qual não se descuidava em nenhuma circunstância.

     Em 1885 solicitou ao governo Imperial a regência interina da cadeira de Paisagem da Academia de Belas-Artes, vaga com o afastamento de George Grimm, mas sua pretensão foi indeferida. A partir de então parece ter levado existência errante pelo interior do Brasil.

     Georgina de Albuquerque, ao evocar para Angione Costa seus começos, assim se refere ao artista:

     «Mesmo em casa, sem sair da minha Taubaté, menina bem pequena, eu já ensaiava os meus riscos. Gizava, debuxava desenhos intonsos, fazia figuras. Minha mãe, que era um espírito muito inteligente e muito lúcido, cedo compreendeu o meu pendor pela pintura e, na proporção que as circunstâncias permitiam, tudo facilitava para o seu desenvolvimento e perfeição.

     «Era ainda uma criança quando surgiu por ali, procurando no seio carinhoso da terra moça refúgio a achaques que lhe combaliam a saúde, um pintor italiano, Rosalbino Santoro.

     «Guardo impressão amável desse primeiro desbravador da minha tendência pictórica. Era um italiano bom, um tanto seco porque a moléstia lhe crestara a alegria e dera-lhe uns tons de acentuado amargor.

     «Não queria pintar. O seu estado, mesmo, não lhe permitia pintar. Mas, em virtude da própria moléstia, Santoro necessitava de um ambiente de família e foi em nossa casa que passou horas melhores, recebendo o trato, respeitoso e carinhosíssimo, que é tradicional na velha família brasileira.

     Se não conseguiu o dinheiro, nem as outras vantagens oferecidas, obteve o carinho do lar dos meus pais, o remédio caseiro que minha mãe preparava, o doce e a sobremesa de frutas, que a mucama conduzia. Santoro, quando percebeu, estava meu mestre, o primeiro que tive em pintura.

     Rosalbino Santoro parece não ter produzido muito, no Brasil, destacando-se em sua obra duas marinhas –Vista da Glória tomada da Igreja de Santa Luzia e Vista de Igreja de Santa Luzia tomada da Praia do Flamengo - vendidas em setembro de 1975 num leilão no Rio de Janeiro e adquiridas para a Prefeitura dessa cidade. Em ambas revela-se bom marinhista, na melhor tradição napolitana, fazendo uso de desenho e colorido extremamente sensíveis, com a obtenção de belos efeitos atmosféricos.

Fonte: CD Rom «500 Anos da Pintura Brasileira»
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Texto do livro "Um Século de Pintura"
de Laudelino Freire

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Artista italiano. Muito pouco conhecemos deste artista, senão algumas referências da "Gazeta Literária", relativas a exposições de seus quadros. Pelo crítico que ali escrevia, é o pintor italiano considerado como de muito merecimento, bastante conhecedor da perspectiva linear, da qual não descuida em nenhuma circunstância. as figuras de suas paisagens são muito bem desenhadas e tem movimento e vida.

Em 1885, requereu ao Governo a regência interina da cadeira de paisagem da Academia, procurando provar as suas habilitações com atestados de prêmios por ele obtidos. Não foi deferido o seu pedido.
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