Nascido em Cosenza (Itália) e falecido provavelmente no
Brasil. Fez sua aprendizagem em Nápoles, com Palizzi, especializando-se em figura e
paisagem.
Ainda na Itália
executou uma série de obras que lhe granjearam certa notoriedade, como os retratos do Rei
Umberto e da Rainha Margherita, paisagens, cenas de costumes, etc.
Vindo para o Brasil
em data ignorada, aqui realizou algumas exposições, como informa Laudelino Freire,
baseando-se em referências publicadas na Gazeta Literária, que o davam como
pintor de muito merecimento, bastante conhecedor da perspectiva linear, da qual não se
descuidava em nenhuma circunstância.
Em 1885 solicitou ao
governo Imperial a regência interina da cadeira de Paisagem da Academia de Belas-Artes,
vaga com o afastamento de George Grimm, mas sua pretensão foi indeferida. A partir de
então parece ter levado existência errante pelo interior do Brasil.
Georgina de
Albuquerque, ao evocar para Angione Costa seus começos, assim se refere ao artista:
«Mesmo em casa, sem
sair da minha Taubaté, menina bem pequena, eu já ensaiava os meus riscos. Gizava,
debuxava desenhos intonsos, fazia figuras. Minha mãe, que era um espírito muito
inteligente e muito lúcido, cedo compreendeu o meu pendor pela pintura e, na proporção
que as circunstâncias permitiam, tudo facilitava para o seu desenvolvimento e
perfeição.
«Era ainda uma
criança quando surgiu por ali, procurando no seio carinhoso da terra moça refúgio a
achaques que lhe combaliam a saúde, um pintor italiano, Rosalbino Santoro.
«Guardo impressão
amável desse primeiro desbravador da minha tendência pictórica. Era um italiano bom, um
tanto seco porque a moléstia lhe crestara a alegria e dera-lhe uns tons de acentuado
amargor.
«Não queria
pintar. O seu estado, mesmo, não lhe permitia pintar. Mas, em virtude da própria
moléstia, Santoro necessitava de um ambiente de família e foi em nossa casa que passou
horas melhores, recebendo o trato, respeitoso e carinhosíssimo, que é tradicional na
velha família brasileira.
Se não conseguiu o
dinheiro, nem as outras vantagens oferecidas, obteve o carinho do lar dos meus pais, o
remédio caseiro que minha mãe preparava, o doce e a sobremesa de frutas, que a mucama
conduzia. Santoro, quando percebeu, estava meu mestre, o primeiro que tive em pintura.
Rosalbino Santoro
parece não ter produzido muito, no Brasil, destacando-se em sua obra duas marinhas Vista
da Glória tomada da Igreja de Santa Luzia e Vista de Igreja de Santa Luzia tomada da
Praia do Flamengo - vendidas em setembro de 1975 num leilão no Rio de Janeiro e
adquiridas para a Prefeitura dessa cidade. Em ambas revela-se bom marinhista, na melhor
tradição napolitana, fazendo uso de desenho e colorido extremamente sensíveis, com a
obtenção de belos efeitos atmosféricos.
Fonte: CD Rom «500 Anos da Pintura Brasileira»
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