Nascido no Rio de Janeiro e falecido em Florença.
Estudou por muito pouco
tempo com José Maria de Medeiros e Rodolfo Amoedo, sem nunca porém ter cursado a Escola
Nacional de Belas-Artes. Suas marinhas começaram a ser notadas no Salão de 1907, quando
lhe garantiram uma menção honrosa de 1º grau e motivaram a Gonzaga Duque uma análise
cheia de simpatia e compreensão:
«Promete por seu
sentimento estético preencher o vazio deixado pelo pranteado Castagneto e, talvez, ser
notabilizado no gênero.»
Foi ainda premiado nos
Salões de 1912 (medalha de bronze) e 1920 (prata). Expôs individualmente pela primeira
vez em 1910, na Associação dos Empregados do Comércio do Rio de Janeiro, e em 1912 e
1913 participou dos salões organizados pela Sociedade Juventas, núcleo da futura
Sociedade Brasileira de Belas Artes.
Em 1914 realizou no Teatro
João Caetano do Rio de Janeiro sua segunda individual; no mesmo ano ingressou na carreira
diplomática como auxiliar de consulado, sendo enviado a Nápoles.
Aproveitando a permanência
na Itália freqüentou a Academia de Belas Artes, tornando-se aluno de Ulrico Pistilli e
Attilio Pratella. O último, marinhista notável, iria marcá-lo com certa intensidade, e
não seria demasiado vincular à maneira do pintor napolitano certos efeitos e
empastamentos visíveis na arte do brasileiro.
Pouco ficaria porém em
Nápoles, já que, com o advento da Guerra, é transferido para Lisboa, em cuja vida
artística e cultural integra-se. Em 1916 quatro de suas telas participam da exposição
anual da Sociedade Nacional de Belas-Artes, e uma delas - Porto de Pozzuoli à Tarde - é
contemplada com medalha de primeira classe. É na mesma Sociedade que em fevereiro de 1917
expõe 34 óleos, 21 pastéis e aquarelas, várias dessas obras tendo sido já feitas em
Portugal, outras trazidas da Itália e mesmo do Rio de Janeiro.
Em fins do mesmo ano efetua
na Galeria da Misericórdia, do Porto, nova exposição: nada menos de 53 óleos e 7
pastéis, todos já com motivos portugueses.
Sua notoriedade é grande,
em Portugal: Columbano, Souza Pinto e Carlos Reis são seus admiradores, Malhoa lhe
executa inclusive o retrato. Quando deixa a capital lusitana, transferido para Paris, leva
no peito as insígnias de Comendador da Ordem de São Tiago da Espada.
Por um ano permanece em
Paris, ocasião em que sua visão pictórica aprofunda-se e amadurece. Ao contato com a
obra dos impressionistas, sua paleta torna-se mais luminosa; por outro lado, é quase
certo que tenha visto, na efervescente Paris do imediato pós-guerra, manifestações de
arte de vanguarda.
Sentiu de perto a ação da
vanguarda francesa, e isso se reflete em sua paleta, o impacto do Fovismo: telas como O
Sena em Saint-Germain-en-Laye, Pont Royal e Pont Solferino intermesclam ingredientes
herdados do Impressionismo, com outros obviamente fovistas.
Nova remoção na carreira
consular leva-o a Munique. Ali, e em rápidas escapadas aos Países Baixos e à Bélgica,
realiza relativamente poucas obras: com freqüência as saudades do sol meridional
levam-no a procurar o Sul.
Então, refugia-se em
Veneza, onde produz Pérgola de Veneza, Casa de Tintoretto, Palácios do Gran Canale e
muitas outras.
Em meados da década de
1920 está no Rio de Janeiro, onde expõe em 1926 e onde pouco depois funda com outros
artistas a Associação de Artistas Brasileiros, da qual será o primeiro presidente.
Infelizmente, poucos anos
restavam-lhe de vida, pois Navarro da Costa faleceu aos 48 anos, em Florença, quando se
preparava para assumir o consulado brasileiro em Livorno.
Se pintores como Castagneto
pertencem totalmente ao Séc. XIX, Navarro da Costa, ao contrário, não pode ser
entendido sem o Séc. XX no qual atuou. Nada deve a Grimm, muito embora suas primeiras
marinhas mostrem nítida influência de Castagneto. Mas sua arte é mais construída e
menos espontânea que a desse célebre marinhista, além de a nortear, também, um
sentimento cromático muito mais intenso.
O pintor com que mais se
assemelha, entre os brasileiros, é sem dúvida Garcia Bento, não apenas pela
utilização, que ambos fizeram, da espatulagem, como sobretudo por um tipo específico de
visão. Mas Navarro da Costa possui maior inteligência pictórica que Garcia Bento, mesmo
porque, devido à sua atividade de diplomata, logrou ver, na Europa, as novas tendências
estéticas no momento, quase, em que faziam sua aparição no cenário artístico.
Depõe de maneira positiva,
em seu favor, o ter ele buscado entender e mesmo aceitado, ao menos parcialmente, algumas
de tais tendências, adaptando-as embora à sua visão particular.
Se nos é impossível ver,
na obra de Navarro da Costa, qualquer marca cubista (como chegaram a aventar alguns dos
seus críticos), é inegável que por ela perpassa vaga influência fovista, residindo na
cor e na textura os pontos mais modernos de sua produção.
A tendência da crítica,
desde há alguns anos, é lhe conceder o primeiro lugar entre todos os nossos marinhistas.
É o que fizeram Nogueira da Silva e Ronald de Carvalho e, mais recentemente, Celso Kelly
e Pedro Caminada Manuel Gismondi.
O próprio Quirino
Campofiorito parece ser da mesma opinião, ao escrever:
«No Brasil, a luminosidade
tropical dos temas marinheiros não teve pintor que superasse os registros de sua
intensidade que lhe asseguraram as tintas da paleta de Mário Navarro da Costa através de
seus pincéis, sempre guiados por uma irrefreável espontaneidade e um marcado domínio do
ofício.»