Nascido na Sicília e falecido no Rio de Janeiro.
De família muito pobre,
que cedo viu-se obrigada a emigrar, chegou ao Brasil em 1888 e se fixou no Rio Grande do
Sul.
Sua infância não podia
ter sido mais dura: tendo cursado a escola primária apenas o tempo suficiente para
aprender a ler e a fazer contas, foi sucessivamente moço de recados, jornaleiro,
carregador, engraxate e vendedor de bilhetes lotéricos desde cedo manifestando, porém,
uma ponta para o desenho, tanto que copiava tudo quanto lhe tombasse nas mãos.
Aos 17 anos conheceu o
pintor Romoaldo Pratti, que passou a orientá-lo. Por iniciativa desse seu compatriota foi
que em 1898 expôs na loja Ao Preço Fixo, de Porto Alegre, uma cópia de um óleo de
Etcheverry, então no auge do sucesso em Paris. A cópia suscitou comentários favoráveis
na imprensa e Manna, animado com tais sucessos, já em 1901 expunha duas pinturas na
Exposição Comercial e Industrial.
No ano seguinte, não se
sabe com quais recursos, embarca para Roma, em cuja Academia de Belas Artes se inscreve.
Mas não ficaria muito na
Itália, pois já em meados de 1903 acha-se no Rio de Janeiro como aluno da Escola
Nacional de Belas-Artes, tendo estudado com Henrique Bernardelli, Zeferino da Costa e
Batista da Costa.
Seu primeiro envio ao
Salão, em 1906, granjeia-lhe menção honrosa e elogiosas referências de Gonzaga Duque:
«O seu estudo ao ar livre,
o Claro-Escuro e a Luta pela Vida são obras que afirmam
uma personalidade incipiente. Como interesse artístico preferimos o estudo ao ar livre e
a Luta pela Vida ao grande quadro Claro-Escuro Social, mas
em todos encontramos o mesmo sentimento da cor, a mesma facilidade da pintura, o mesmo
cuidado do desenho.»
Sentimento cromático, pintura
solta e desenho apurado continuariam sendo pelos anos afora as qualidades básicas do
estilo de Manna, que em certas obras aproxima-se mesmo de certa atmosfera fauve toda
especial.
Em janeiro de 1908 o pintor
expôs na Galeria Rembrandt, do Rio de Janeiro, nada menos de 100 quadros, entre paisagens
e obras de nítida conotação social.
Gonzaga Duque, embora
vaticinando o futuro brilhante do jovem pintor ("chegará a ser um grande artista,
porque lhe sobejam dotes de artista"), recrimina-lhe o conteúdo social de certas
telas, no seu entender pruridos passageiros da mocidade:
«A sua arte tende para os
assuntos sociais, é uma manifestação idiossincrásica que o jovem pintor, sem dúvida
por ardência ou precipitação courbetista da idade, não apura, não joeira, para um
perfeito aproveitamento estético.
«Percebemo-lo ainda no
aludido período dos motivos assombrantes, que não deixam de ser agradáveis à mocidade
mistificadora, cachinando no espanto dos ordeiros e regulados; mas que em verdade se
perdem na grosseria ou na vulgaridade se não forem genialmente representados pela mão
nervosa e predestinada de um Goya.»
Manna continuaria a enviar
para as Exposições Gerais e a nelas ser premiado: na de 1909 obteve a medalha de prata,
e na do ano seguinte o prêmio de viagem à Europa.
Uma desilusão, contudo, o
aguardava: o Governo, acolhendo uma feroz campanha dos desafetos do artista, terminaria
por anular a premiação, sob a alegação de que Manna não só era estrangeiro, como já
estivera inclusive na Europa em viagem de estudos.
Sorte bem mais branda fora
a de Helios Seelinger, alguns poucos anos antes: pudera retornar à Europa, com o prêmio
de viagem do Salão de 1903, muito embora acabasse de regressar de uma permanência de
quatro anos na Alemanha, cujas escolas de arte cursara...
Por tudo isso, é licito
indagar se na campanha movida contra Manna não se escondiam ainda os temores pelas tais
"precipitações courbetistas da idade" citadas dois anos antes por Gonzaga
Duque; se motivos políticos, em suma, e não administrativos, teriam determinado o
cancelamento do prêmio.
Impossibilitado de viajar,
Manna nunca mais deixaria o Brasil. Mas não esmoreceu. Com Helios Seelinger, logo depois,
trabalhou nas decorações do Clube Naval do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que, para
ganhar a vida, tornava-se desenhista do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. Participou
ainda de alguns poucos certames, como o Salão de Outono de 1926 e o XI Salón de
Rosário, na Argentina, em 1929.
As paisagens que deixou
são belas de colorido e apresentam uma fatura livre e encrespada, acusando sua evolução
estilística um gradativo afastamento da influência de seu mestre Batista da Costa, a
princípio muito forte.
Melhores que as paisagens
parecem-nos porém suas composições com figuras, resolvidas em rápidas pinceladas,
dentro de um esquema cromático quase diríamos expressionista.
Fonte: CD-Rom «500 Anos da Pintura Brasileira»
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