Manuel Teixeira da Rocha
1863-1941

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     Nascido em São Miguel dos Campos (AL) e falecido no Rio de Janeiro. Mudando-se com a família em 1870 para a capital do Império, estudou primeiro no Liceu de Artes e Ofícios (com Vítor Meireles e José Maria de Medeiros) , e após 1881 na Acaemia Imperial de Belas-Artes.

     Expôs pela primeira vez em 1884, sem maior destaque, e continuou a fazê-lo até 1938, quando exibiu Os primeiros pardais, No trabalho e Retrato de Criança (Interior).

     Concorreu em 1887 ao prêmio de viagem, ao lado de Oscar Pereira da Silva, Hilarião Teixeira, Pinto Bandeira e Eduardo de Sá, terminando os cinco candidatos empatados. Somente em 1900 logrou viajar, por conta própria, tendo se aperfeiçoado em Paris com Jean-Paul Laurens e Benjamin Constant.

     Já em 1884 colaborou no Monóculo com caricaturas; mas foi na Vida Fluminense, de 1889 a 1900, que publicou seus melhores trabalhos do gênero, transformando-se, no dizer de Rubem Gill, no "caricaturista da República".

     Foi excelente litografo, como o demonstram suas composições satíricas e portrait-charges, os últimos dos quais estampados em 1907 na revista Tan-Tan.

     Tão logo acabado o curso, Teixeira da Rocha tornou-se professor da Escola Naval. Mais tarde, por solicitação de Ramiz Galvão, organizou o ensino de desenho das escolas de segundo grau do Rio de Janeiro. Professor da Escola Normal em 1897 e do Colégio Militar em 1902, aposentou-se em 1928 por ter atingido a compulsória.

     A despeito da grande atividade didática, Teixeira da Rocha nunca abandonou a pintura. Aos 26 anos, participando da Exposição Universal de Paris de 1889, nela recebeu medalha de ouro, a distinção mais elevada recebida por um artista brasileiro nesses grandes eventos internacionais.

     No Salão de 1898 recebeu também uma medalha de ouro de terceira classe, por seu esboço A Lei de 28 de Setembro e mais um grupo de paisagens. No Salão de 1904, seu envio foi extensamente comentado por Gonzaga Duque, que entre outras coisas dele afirmou:

     «Na maneira desse artista encontro excesso de detalhe que não raro lhe dá aos quadros um quer que seja de pontilhamento, de mouchisme, como dizia o infeliz simbolista Aurier.

     «As suas paisagens, essas que estão no Salão, e outras que ele tem exposto, apresentam-se muito cortadas, muito cristalizadas - direi - se o termo pode ser bem apreendido em sua acepção.

     «O que nele mais se recomenda em primeiro lugar é a cor, pelo que respeita à pintura, e depois a fidelidade detalhista pelo que toca ao desenho.

     «Se bem que nas cenas de gênero Teixeira da Rocha se realizasse melhor, algumas de suas paisagens, e em especial as que pintou em Bougival e nas cercanias de Paris por volta de 1900, interessam-nos muito mais pela textura, obtida com amplos recursos de pincel, numa escrita nervosa e de extrema agilidade.»

     Teixeira da Rocha era graúdo - "homem de grande estatura, com alguma coisa que fazia pensar no bom gigante São Cristóvão", e daí a sua alcunha, Teixeirão. Bom camarada, amigo e companheiro de todos, era de extrema generosidade para com os jovens que iam, ao fim da vida, procurá-lo em sua casa da Tijuca.

     Faleceu a 26 de abril de 1941, e dois anos depois o Museu Nacional de Belas-Artes dedicou-lhe uma exposição de pinturas e caricaturas.

Fonte: CD Rom «500 Anos da Pintura Brasileira»
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Texto do livro "Um Século de Pintura"
de Laudelino Freire

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Tem o curso da Academia e foi aluno muitas vezes laureado. Professor de desenho no Colégio Militar e Escola Normal desta Capital, a sua pintura é segura e vigorosa.

Natural de Alagoas, e nascido em 1863, tendo vindo para esta cidade [Rio de Janeiro] em 1871.

Discípulo de J. Medeiros e Vítor Meireles, esteve depois na Europa, aperfeiçoando-se nos estudos.
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A lavadeira

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