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Ampliando o acervo da Academia Ambos deram maior realce à exposição. A Academia adquiriu, para a sua galeria, o Combate Naval do Riachuelo, de Vítor Meireles, pela quantia de 18 contos, pagos em três exercícios, em prestações de seis contos de réis; e os onze primeiros quadros de Pedro Américo, acima referidos, pela importância de 28 contos, pagos em quatro exercícios e prestações, sendo a primeira e a última de oito contos, e a terceira, de seis contos cada uma, obrigando-se o artista, no contrato de venda dos ditos quadros, a compor gratuitamente, para o Estado, um trabalho a óleo sobre assunto de história pátria, com as dimensões que exigissem diversas figuras de tamanho em ação. Crise afeta a arte Por falta de verbas orçamentárias, ficaram suspensas as exposições. Os prejuízos que disto advinham eram sensíveis, e contra eles não se deixavam de levantar os protestos daqueles que se interessavam pelo nosso progresso. No seu relatório de 1887, escrevia o então diretor interino, Moreira Maia: "Entretanto, as exposições gerais de belas artes são indispensáveis para o desenvolvimento do gosto artístico. Falta-lhes, é verdade, a judiciosa crítica de arte. Entre nós, ela é quase exercida exclusivamente por escritores de talento. Mas [estes], muitas vezes, são guiados pela própria impressão, sobre a qual podem influir simpatias ou desafeições pessoais. Tais exposições, e o prêmio da primeira ordem, são os meios mais eficazes que tem a Academia das Belas Artes para fazer progredir as artes e recompensar a seus cultores." Depois de 1884, que foi a última levada a efeito, neste período, só em 1890 se realizou nova exposição oficial, que foi a primeira sob o regime republicano. Iniciativa privada substitui o Estado Efetuaram-se, todavia, exposições particulares. No próprio edifício da Academia, fizeram alguns alunos, em 1886, por iniciativa própria, duas exposições públicas de trabalhos por eles executados, distinguindo-se Antônio Rafael Pinto Bandeira. Nesse mesmo ano, na Galeria Vieitas, expôs João Batista Castagneto vários trabalhos seus, firmando, desde logo, reputação de artista laborioso, inteligente e observador. Numa das salas da Imprensa Nacional, Rodolfo Bernardelli fez exposição dos trabalhos de seu irmão Henrique, e de várias paisagens de Facchinetti. No ano seguinte, em 1887, foi o maior movimento de exposições de iniciativa particular. Firmino Monteiro, Antônio Parreiras e Rodolfo Amoedo fizeram exposições de Belmiro de Almeida, Castagneto e outros. Nas galerias particulares de Insley Pacheco, Vieitas, Clement, De Wild e Viúva Moncada, figuravam sempre muitos quadros expostos. Nessas exposições, a Academia adquiriu dois quadros de Pinto Bandeira, oito de Leôncio Vieira, entre as quais o último que executara o artista, denominado O Sermão da Montanha; três de Henrique Bernardelli e dois de Antônio Parreiras, intitulados Depois da trovoada e À tarde. Mudanças no corpo diretivo Em junho de 1888, foi concedida a Nicolau Tolentino a exoneração que, desde 7 de março, solicitara, do cargo de diretor da Academia que, assim perdia o concurso de um dos seus benfeitores. Assumiu, interinamente, a direção do estabelecimento, o Dr. Ernesto Gomes Moreira Maia, a quem, por seu turno, muito ficariam a dever as artes nacionais. Os professores da Academia, nesse período, foram Luís Carlos da Fonseca, Vítor Meireles, Teófilo Neves, Chaves Pinheiro (jubilado em 1884), Domingos Silva, Maximiano Mafra (ainda secretário), Bethencourt da Silva, Praxedes Pertence, Pedro Américo, José Maria de Medeiros, Conde da Mota Maia, Rodolfo Bernardelli (nomeado em 1885), Rosendo Muniz Barreto, Rodolfo Amoedo, Cirne Maia, Pedro Peres, Zeferino da Costa e Jorge Grimm, [este último] contratado para reger interinamente a cadeira de paisagem, flores e animais. Suspensos os concursos para prêmio de viagem desde 1878, ano em que fora premiado Amoedo, só em 1888, dez anos mais tarde, outro se realizou, recaindo a escola em Oscar Pereira da Silva. São Paulo desponta no movimento artístico Na Bahia, o movimento não se desenvolvera a ponto de dar artistas que mereçam ser destacados. Em São Paulo, começam a aparecer as primeiras manifestações, sob os ensinamentos de Almeida Júnior, com quem ali se implantam os rudimentos da verdadeira arte, secundado por Oscar da Silva, ambos afastados à mocidade das aparências ilusórias da arte mercenária e aventureira, que, por efeito das causas sociais, máxime do influxo poderoso da preponderância de determinada corrente emigratória, ali se principiara a desenvolver. Desse incipiente movimento de arte [o de São Paulo], começam, também, a aparecer os nomes, entre outros, de Benedito Calixto e A . Ferrigno. Os destaques do período
Passamos a dar ligeira notícia dos que devem ser considerados como principais
representantes deste período e que são: Antônio Parreiras, Belmiro de Almeida, Oscar da
Silva, Castagneto, Vasquez, Caron, Francisco Ribeiro, Teixeira da Rocha, Hilarião,
Weingartner, França Júnior, Sebastião Fernandes, Eduardo de Sá, Teles Júnior, Pereira
de Carvalho, Lopes Rodrigues, Pinto Bandeira, Benedito Calixto, Felix Bernardelli, Novak,
Langerok, Santoro, Treidler, Dali, Dallara e Correia de Castro. |