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Acertando o rumo a seguir
O ano de 1840 assinala um marco significativo na formação da pintura: é o ano em que se
tornaram gerais as exposições da Academia e foram criados prêmios para os expositores
que nelas mais se distinguissem.
"Em 1840, o diretor Felix Emílio Taunay propôs ao governo que se tornassem gerais
as exposições particulares do estabelecimento, o que foi autorizado pelo conselheiro
Manuel Antônio Galvão, que desejava cooperar para o desenvolvimento das artes,
animação e incentivo dos artistas, e mandou, por aviso de 3 de março, que se
conferissem prêmios aos expositores que mais se distinguissem, pertencessem ou não ao
estabelecimento. Em dezembro desse mesmo ano realizou-se a exposição geral, e em 1841
outra, em que ficaram evidenciados os benéficos efeitos daquele aviso."
As salutares conseqüências dessa resolução não se fizeram esperar, abrindo-se à vida
artística um decênio de fecunda animação. Realizaram-se anualmente exposições
públicas e gerais até 1850, sem interrupção, com a concorrência de artistas nacionais
e estrangeiros, que nelas tinham ensejo de se revelar ao público.
Dez anos de
exposições
Na exposição de 1840, os trabalhos que mais se destacaram foram classificados do
seguinte modo:
o baixo relevo, representando a
Lealdade de Amador Bueno, por Zeferino Ferrez;
o painel da Morte de Camões, por
Cláudio José Barandier;
os Retratos de José Correia de
Lima;
as Paisagens de Augusto Muller;
as Paisagens de Luís Buvelot.
A Congregação, à vista do merecimento destes trabalhos, deliberou pedir ao Governo
condecorações para Zeferino Ferrez e Cláudio Barandier, medalhas de ouro para Correia
de Lima e Augusto Müller, e o diploma de sócio correspondente para Luís Buvelot. O
governo atendeu a proposta, concedendo apenas as medalhas, e tomou em consideração, para
assinalar a época da primeira exposição geral de belas artes, o pedido das
condecorações; não concedendo, porém, por ser alheia à natureza do estabelecimento, a
proposta referente a Buvelot.
A classificação, por ordem de merecimento, das obras expostas em 1941, foi:
o Projeto da Biblioteca,por
Gran-Jean de Montigni;
o quadro Magnanimidade de Vieira,
por Correia de Lima;
o desenho de Androdis, por Melo
Corte-Real;
o Rancho dos Mineiros, por Luís
Antônio Moreaux.
Além do prêmio especial de Montigni, o Governo concedeu o hábito de Cristo a Correia de
Lima, e medalhas de ouro a Moreaux e a Corte Real.
Na exposição de 1842, a Congregação julgou merecedores de prêmios: a Coroação, por
Francisco Renato Moreaux; Jugurta na Prisão por Augusto Müller; e os Retratos de Luís
Constante Belisle. O primeiro foi condecorado com o hábito de Cristo; o segundo com o
hábito da Rosa; e premiado o terceiro com a medalha de ouro.
Na de 1843 foram agraciados com a mercê de condecorações: Luís Moreaux, nomeado
cavalheiro da Ordem da Rosa; Alexandre Cicarelli, cavalheiro da Ordem de Cristo; Luís
Buvelot e José dos Reis Carvalho, com medalhas de ouro.
Na exposição do ano seguinte (1844), distinguiram-se os mesmos artistas e mais Cláudio
Barandier.
Na de 1845, coube o maior sucesso a Correia de Lima, com o retrato do Imperador, em
tamanho natural, sentado no trono, com as vestimentas do ato da coroação, e a Luís
Moreaux, aos quais seguiram, em ordem de merecimento, Maurício Rugendas, com vários
quadros recomendáveis, segundo a opinião da Congregação, não pelo colorido, nem
talvez pela correção do desenho, mas pela graça, pela facilidade com que oferecem a
estrutura humana sob os seus diversos e variadíssimos aspectos e, sobretudo, pelos
merecimentos superiores da composição e da expressão, sendo o autor muitíssimo feliz
nas suas linhas de equilíbrio dos grupos, e manifestando ele, como toda a propriedade,
pelo hábito dos corpos, as paixões e afetos da alma; P. G . Berticken e Carlos Luís do
Nascimento, tendo sido premiados os dois últimos com medalhas de ouro; Maurício
Rugendas, nomeado cavalheiro da Ordem Imperial do Cruzeiro, não tendo sido contemplados
os dois primeiros, por já terem alcançado, em exposições anteriores, os prêmios mais
elevados.
Na exposição de 1846, destacaram-se, além do arquiteto Brand-Jean de Montigni, os
pintores Francisco Renato Moreaux, Correia de Lima, Augusto Müller, Luís Buvelot e
Lasanha.
Na de 1847, os artistas Cláudio Barandier, Francisco Moreaux, anteriores expositores, e
Raimundo Monvoisin de Quinsac e Júlio Le Chevrel, que pela primeira vez se apresentavam.
A exposição que se devia realizar em 1848, só se efetuou em março de 1849 e nela foram
premiados os artistas que também, pela primeira vez, expunham: Fernando Krumholtz e
Francisco Ferreira Serpa, além de Correia de Lima e Reis Carvalho.
A de 1849 inaugurou-se a 8 de dezembro. Esta exposição mereceu de Porto Alegre a
referência especial constante do artigo publicado no tomo 1º da Revista Guanabara:
"Neste ano de 1849, se completam vinte anos, desde o dia da primeira exposição...
Entremos pela esquerda. Na primeira sala, o que fere a vista é o pincel do sr. Krumholtz;
os Retratos de S. M. o Imperador e S. M. a Imperatriz, circulada de Seus Augustos Filhos.
Incontestavelmente, é este retrato do soberano o melhor que se tem feito; desenho,
colorido, força e, sobretudo, o caráter fisionômico, formam um conjunto admirável:
está próprio, está vivo, como uma obra de mestre... O sr. Moreaux fez progressos
salientes... Igualmente, subiu de mérito o sr. Chevrel... As duas Vistas da Cidade,
devidas ao pincel do sr. Buvelot, conservam o cunho de seus talentos... Ao sr. Boreli
devemos a introdução, em alta escala, de trabalhos a pastel... por calculado
raciocínio, ficou numa sala maior da Academia, onde se vêm alguns quadros velhos, uns
retratos do sr. Staloni, Corelli, do sr. Moreaux moço, um lindo painel de flores do sr.
Carvalho, e um grande retrato de S. M. o Imperador, feito pelo lente de pintura."
Nesse artigo, Porto Alegre fez acerba crítica ao então diretor Taunay, a Correia de
Lima, a Leão Palliére, e assim o remata:
"Deixemo-nos de novas ruas e de histórias... Ensine-se, antes da história, a
desenhar ossos e músculos na aula de anatomia; ensine-se a perspectiva, a ótica e a
projeção das sombras; ensine-se o que é necessário; ensine-se a desenhar, que é uma
vergonha o que se está fazendo atualmente; e inspire-se no ânimo da mocidade o
entusiasmo pelas artes e a esperança de um prêmio justiceiro. De uma casa, onde o
porteiro é a primeira personagem, onde se dão parabéns antes dos concursos, e se fazem
promessas como as que sabemos, não há nada a esperar... Temos bons desejos, e cremos que
não há alma no mundo, a não ser o sr. Taunay, que ouse comparar o nosso patriotismo, o
nosso amor pelo Brasil, com o de qualquer especulador que, porque não pode estar na bela
França, desfrutando o que há lá de bom e de agradável, está aqui. Todas as astúcias
dos Mafomas (Maomés) das Artes ficam baldadas para conosco: doze anos de dura
experiência."
Na de 1850, aberta a 7 de dezembro, distinguiram-se os artistas Leon Moreaux, Correia de
Lima, Krumholtz, Júlio Le Chevrel, Luís Augusto Moreaux e Barros Cabral.
Em conseqüência de obras que se faziam no edifício da Academia, não houve exposição
em 1851, tendo, porém, havido no ano seguinte, que foi inaugurada a 14 de dezembro de
1852. Depois dessa data, somente em 1859 se efetuou nova exposição, que foi a primeira a
que se apresentara Vitor Meireles, aluno de pintura que, no concurso de 1852, obtivera o
prêmio de viagem. E, nesse caráter de pensionista do Estado, expôs vários estudos
feitos em Roma, e o quadro São João Batista no Cárcere. Nela foram premiados, além de
outros, Agostinho da Mota e Carlos Linde, com medalhas de ouro, e Poluceno Pereira da
Silva Manuel, com medalha de prata.
As Bolsas de Estudo
Em 1845, a Assembléia Legislativa do Império autorizava o Governo a mandar viajar e
aperfeiçoar-se na Itália o pintor Rafael Mendes de Carvalho, tendo sido essa resolução
sancionada pelo Imperador a 17 de setembro do mesmo ano.
"Hei por bem Sancionar e Mandar que se execute a seguinte Resolução da Assembléia
Geral Legislativa:
"Art. 1º. O Governo é autorizado a mandar viajar na Itália, ao pintor Rafael
Mendes de Carvalho, assinando-lhe a mesada de oitenta mil réis, moeda corrente; a qual
será deduzida da quantia que for designada para o Governo entreter na Europa alguns
discípulos da Academia de Belas Artes.
"Art. 2º. Ficam revogadas quaisquer disposições em contrário. - José Carlos
Pereira de Almeida Torres, Conselheiro de Estado, Ministro e Secretário de Estado dos
Negócios do Império, assim o tenha entendido, e faça executar com os despachos
necessários. Palácio do Rio de Janeiro, em dezessete de setembro de mil oitocentos e
quarenta e cinco, vigésimo quarto da Independência e do Império. Com a rubrica de Sua
Majestade, o Imperador. - José Carlos Pereira de Almeida Torres."
Ainda no dia 29 do mesmo mês e ano, era o diretor da Academia autorizado a abrir
concursos anuais para o prêmio de viagem.
A 23 de outubro de 1845, entraram em concurso - João Maximiano Mafra e Paulo José
Freire, alunos de pintura histórica; Virgínius Alves Brito e Francisco Ferreira Serpa,
de paisagem; Francisco Elídio Panfiro e Antônio Antunes Teixeira, de escultura, e
Antônio Batista da Rocha, de arquitetura, que foi classificado em primeiro lugar,
seguindo viagem a 22 de março de 1846.
A 13 de outubro de 1846, realizou-se o segundo concurso, tendo alcançado o prêmio o
aluno de escultura Elídio Panfiro, que teve como concorrentes Francisco Antônio Neri e
Paulo José Freire, em pintura histórica; Francisco Chaves Pinheiro, em escultura, e
Antônio Antunes Teixeira, em gravura.
A 12 de outubro de 1847, iniciou-se o terceiro concurso, nele se apresentando os alunos
Francisco Antônio Neri, de pintura histórica; Antônio Antunes Teixeira, de escultura;
Geraldo Francisco Pessoa de Gusmão, de gravura, e João José Alves, de arquitetura.
Classificado em primeiro lugar, Geraldo de Gusmão seguiu a 3 de fevereiro do ano
seguinte.
O quarto concurso efetuou-se a 16 de outubro de 1848, tendo sido o escolhido Francisco
Antônio Neri, que seguiu com destino a Roma a 18 de abril de 1849. Teve como concorrentes
Joaquim Ramos de Azevedo, na paisagem, João José Alves e José de Sousa Monteiro na
arquitetura, Luís Escórcio de Castro Ribeiro na escultura, e Antônio Antunes Teixeira,
na gravura.
No quinto concurso, realizado em 1849, e no qual entraram sete opositores, foi
classificado Leão Palliére Grandjean Ferreira, aluno de pintura histórica, e que seguiu
em março de 1850.
A 1º de dezembro de 1850 procedeu-se ao julgamento do sexto concurso, com cinco
opositores, tendo sido escolhido o aluno de paisagem Agostinho José da Mota, que seguiu o
seu destino a 25 de março de 1851. Foram concorrentes Luís de Castro Ribeiro, aluno de
escultura, Poluceno Pereira da Silva Manuel, de pintura histórica, Cipriano Carlos, de
arquitetura, e Antônio Boaventura, de gravura.
Em 1852, realizou-se o sétimo concurso, e nele alcançou prêmio de viagem o aluno de
pintura histórica Vítor Meireles de Lima, tendo tido como concorrentes Poluceno Pereira
da Silva Manuel, Joaquim da Rocha Fragoso, Delfim da Câmara, também alunos de pintura
histórica; Carlos Leopoldo César Burlamaqui, de paisagem; Severo Quaresma, de escultura;
Francisco Joaquim Bitencourt da Silva, de arquitetura. Até o fim do presente período
(1849-1860), foi este o último concurso realizado.
Taunay defende as
Bolsas
Foi em torno, principalmente, das duas salutares medidas (exposições gerais e prêmios
de viagem) que mais se acentuou o entusiasmo artístico. Na sucessão desses certames já
encontravam os artistas o indispensável incentivo, estímulo, emulação e alguma
recompensa aos seus esforços.
Propugnara ardentemente por essas e outras medidas o então diretor da Academia, Emílio
Taunay, que, nos seus relatórios e informações anuais sobre o estado do
estabelecimento, não se cansava de solicitar providências e alvitrar os melhoramentos
que lhe pareciam necessários. Já em 1846, assim se dirigiu ao governo:
"Quanto aos melhoramentos e providências que podem contribuir para abrilhantar o
futuro das Belas Artes são:
"1º, a prerrogativa das viagens à Itália, à custa da Nação, concedidas
anualmente por meio de concursos, dos alunos já formados, pelo que o Governo propôs o
ano passado uma consignação especial. Semelhante perspectiva seria bem capaz de manter a
emulação que facilmente esmorece com a falta de carreira, depois de concluídos os
estudos.
"2º, a criação de lugares de subinspectores nas obras públicas que faz objeto do
meu ofício de 18 de dezembro próximo passado;
"3º, a admissão exclusiva dos mesmos aos lugares de abridores da Casa da Moeda.
O salário
miserável dos professores
"Debaixo do mesmo ponto de vista de favorecer o desenvolvimento dos alunos
beneméritos, deve ser considerada a reclamação já antiga dos substitutos (todos filhos
da Academia), os quais, com trezentos mil réis anuais, se vem obrigados a sacrificar a
cultura da sua arte às necessidades de sua alimentação; e o mesmo se pode dizer dos
professores, com 800$000.
"Seja-me permitido oferecer uma consideração que faz realçar a justiça destes
empregados. O importe das despesas com os vencimentos da Academia de Belas Artes em 1816,
época de sua criação, montava a 16:032$000, soma equivalente, ao câmbio do dia, à de
18:825$000. Se, ao importe do orçamento atual, a saber, 13:646$000 se adicionar a quantia
de 5:400$000, necessária para elevar a um conto e duzentos mil réis os ordenados de seis
professores e a oitocentos mil réis os de seis substitutos, obter-se-á o total de
19:046$000, isto é, com o simples aumento de 221$000, uma quantia igual ao orçamento
primitivo, o qual só dizia respeito aos vencimentos dos empregados, quando compreende
hoje todos os gastos de um estabelecimento em atividade e a consignação para as viagens
dos alunos à Itália.
"Todavia, confessar se deve, que a ocasião parece pouco favorável para tão
legítima pretensão, aliás mui decisiva no sentido da desenvolução do
estabelecimento...
"São estes os objetos a respeito dos quais a Academia confia na solicitude do
Governo de Sua Majestade, adicionando-lhes a lembrança já diversas vezes apresentada, da
criação de um lugar indispensável, o de restaurador de quadros no estabelecimento. Há
peças mui belas da coleção nacional que necessitam em breve dos acertados reparos de
uma mão hábil para não perecerem de todo."
Concursos para
bolsistas
A concessão do prêmio de viagem, tal como se praticava, foi idéia sua, apresentada ao
Governo em ofício de 14 de setembro de 1845, no qual assim se expressara:
"Pede, pois, a Congregação dos Professores, a devida autorização para abrir o
concurso no que diz respeito a este objeto, simultaneamente com os outros concursos do fim
do ano presente, o que continuará ser praticado nos anos futuros. Àquele concurso serão
admitidos todos os alunos antigos da Instituição, providos do seu diploma, que nele
quiserem tomar parte, assim como os alunos atuais que já têm tirado a medalha grande nos
ramos de aplicação, e se acharem com dezoito anos de idade.
"O concorrente que for julgado superior, não só na sua classe, mas também aos
melhores de outras classes (pintura histórica, paisagem, arquitetura, escultura, gravura
de medalhas), será escolhido o proposto à aprovação do Governo de Sua Majestade
Imperial... Porém, há uma providência importante, cuja lembrança v. exa. já adotou, a
saber: a agregação dos viajantes à Academia da França, em Roma, durante os dois anos
de sua residência nessa cidade, devendo eles empregar o seu terceiro ano em visitar as
principais cidades artísticas da Itália e capital da França.
"Conforme o plano entendido, haverá sempre em Roma dois estudantes brasileiros; e é
mister que antecipadamente se estabeleça entre os Governos brasileiro e francês a
inteligência de que serão admitidos os nossos alunos à freqüentação da referida
Academia, onde as precisas informações de conduta e aproveitamento poderão ser
comodamente colhidas pelo Ministro brasileiro em Roma, e exercitada sobre eles uma
inspeção patrícia salutar."
O ofício do diretor teve como solução a decretação da medida:
"E o Mesmo Augusto Senhor. Há por bem que se proceda o referido concurso no fim de
cada ano, a contar do atual, da maneira que V. Mcê. propõe no dito ofício, ficando na
inteligência de que o aluno eu houver de ser escolhido, em resultado do concurso, do
terceiro ano, não deve encetar sua viagem antes de 1 de julho de 1848. Deus guarde V.
Mcê. Paço, em 29 de setembro de 1845. - José Carlos Pereira de Almeida Torres."
Em 1849, lembrava ao Governo duas medidas de grande alcance - a criação do ensino de
história das belas artes e de teoria de composição artística e o aumento do prazo
concedido ao pensionista e outros assuntos:
"A par deste melhoramento material, mas fecundo, em conseqüências de natureza mais
elevada, recomenda-se a providência da criação, no Estabelecimento, de uma cadeira de
história das Belas Artes e de teoria da composição artística, já indicada em o
mencionado ofício de 14 de fevereiro de 1848. Oferece-se, nesta inovação, um importante
meio preparatório para as viagens de Roma; medida iniciada em 1845 e que surte os efeitos
mais lisonjeiros para o porvir.
"Desta asserção, os quatro pensionistas escolhidos até hoje são todos garantes: o
primeiro deles, em data, o Arquiteto Antônio Batista da Rocha, se acha de volta nesta
Corte, com os melhores atestados dos professores italianos e da Legação Brasileira.
Devo, entretanto, mencionar aqui, quanto seria para desejar que se elevasse ao menos a
quatro anos, em lugar de três, o tempo de estada dos mesmos pensionistas na Europa. É
reclamação que se pode dizer incontestável, sustentada pelo uso comum das nações
estrangeiras, mui especialmente lembrada pelo Cav. Canina, insigne arquiteto, romano, e
almejada por todos os pensionistas."
Tais medidas tornaram-se efetivas. Em 1852, passou a ser de cinco o prazo de três anos de
pensão; e em 1855, na reforma da Academia, decretada pelo Visconde de Bom Retiro, era
instituído o ensino de história das artes, etc.
Depois do diploma,
o desemprego
Batia-se, ainda, Emílio Taunay, pelo futuro dos artistas que, uma vez formados, não
tinham onde exercer a sua atividade, concorrendo grandemente essa circunstância para que
a carreira das belas artes, como profissão liberal, viesse a ficar no mesmo plano das
demais.
"Exmo. Senhor, em relação às necessidades artísticas da nação, isto é, a
criação de monumentos, impressão de medalhas, etc., faz-se preciso um centro de
educação artística; porém, o que, geralmente e em princípio é indubitável, pode se
tornar duvidoso de fato, quando acontece que a nação, por um lado, despende com uma
Academia para a formação de alunos, os quais, uma vez formados, não acham empregos, por
estarem fechadas todas as entradas das repartições artísticas; e, por outro lado,
despende nas mesmas repartições com empregados não formados nesse centro de educação
artística nacional.
"Assim, a despesa feita com a Academia não tem os seus resultados lógicos. O
serviço nacional sofre e sofre a Academia; o serviço nacional sofre: os fatos o
comprovam. De um quarto de século para cá, nem um só monumento que mereça este nome se
tem levantado, apesar do cabedal consumido em construções, nem um símbolo plástico
qualquer para a glória do Brasil.
"A Academia das Belas Artes sofre, experimentando toda a languidez de uma
Instituição isolada, sem relação com a Sociedade, sem utilidade positiva, por
conseguinte, sem porvir, com professores que ao fato de sua inatividade, fica
desacreditada às vistas dos estudantes. Esses dois interesses, seria fácil conciliá-los
e satisfazê-los por sua coordenação. No ponto de vista administrativo, parece serem
verdades incontroversíveis:
"1º) Que nada se pode decidir com perfeito conhecimento de causa em qualquer ramo de
serviço público, senão com informação da respectiva categoria constituída; e que, no
caso vertente, nada se pode regularmente empreender a respeito de monumentos, etc., sem
informação da única corporação artística existente na Capital, da Academia de Belas
Artes;
"2º) Que o dinheiro nacional empregado numa Instituição do Liceu qualquer deve ser
quanto possível aproveitado para a melhor execução de certas partes correspondentes ao
serviço geral; e que, no caso vertente, os artistas formados à custa da nação devem
ser chamados ao serviço artístico, para seu melhor desempenho.
Reserva de Mercado
"Apoiada nas duas proposições precedentes, e invocando somente o que nelas há de
rigorosamente lógico, a Congregação lembra o seguinte:
"1º) Que todo e qualquer projeto de arquitetura civil seja enviado à Academia de
Belas Artes, servindo como mesa consultora de trabalhos e obras públicas;
"2º) Que havendo que levantar um monumento importante ou erigir uma estátua, se
mande abrir um concurso público na Academia, para ser preferido o melhor esforço,
dando-se ao autor deste o trabalho da execução;
"3º) Que, havendo-se que formar-se uma medalha comemorativa de qualquer invento
nacional, o Governo de Sua Majestade, o Imperador, exija da Academia três projetos da
dita medalha e, depois, tendo escolhido o que parecer mais acertado, mande abrir, na mesma
Academia, um concurso público para confiar-se a execução da dita medalha a quem
apresentar o melhor baixo relevo em cera - o autor preferido receberá da Casa da Moeda os
cunhos e lâminas, e terá os balanciers à sua disposição - as inscrições e legendas
serão formadas pelo Instituto Histórico. Desta forma, as três manifestações que
representa uma medalha (literária, artística e industrial) serão sempre as melhores
possíveis, à vista dos recursos, em qualquer ocasião;
4º) Que em futuro, e sem transtorno aos empregos atuais, toda a renovação e
acrescentamento do pessoal artístico nas repartições abaixo declaradas, tenha lugar
somente (sem prejudicar acessos merecidos) em resultado de concursos públicos, abertos na
Academia de Belas Artes, a saber. Na Repartição de Obras Pública, em lugares de
ajudante do inspetor e os de adidos; nas obras municipais, os lugares de ajudante do
diretor e os de adidos; na Casa da Moeda, os lugares de abridor e de ajudantes; na
litografia militar, os lugares de desenhadores; nas Escolas Militar e de Marinha, Arsenais
de Guerra e de Marinha, e Colégio de Pedro II, colégios públicos que se criarem, os
lugares de professores de desenho e substitutos.
"Talvez, Exmo. Sr., fosse lícito à Congregação dos Professores desta Academia
pedir que o ensino se contemplasse como degrau indispensável para alcançar-se a
ocupação dos lugares de exercício artístico, acima indicados. Entretanto, ela, pela
adoção de um princípio mais largo e fecundo, prescinde, voluntariamente, do privilégio
de admissão exclusiva dos seus alunos, pois considera que a prática dos concursos
públicos deixa ao direito dos mesmos, na livre competição das capacidades, toda a
garantia compatível com o primeiro dos interesses, o do serviço da nação."
Ainda alvitrou outras medidas atinentes a garantir o futuro precário dos artistas, como
fosse, entre outras, a criação de um conselho especial, formado tanto de artistas como
de engenheiros, e que tivesse por fim informar.
"Informará acerca de todos os projetos de obras públicas, tanto do município
neutro como das províncias, no que diz respeito às obras gerais. A sua informação
versará sobre a utilidade ou conveniência dos mesmos, quando o Governo exigir parecer a
este respeito."
A diretiva de
Araújo Porto-Alegre
A benéfica ação de Taunay fora continuada por seu sucessor, Araújo Porto-alegre,
nomeado diretor em 1853.
Na sua administração, que foi curta, pois deixou o cargo em 1857, prestou Porto Alegre
excelentes serviços, dentre os quais as alterações introduzidas nos estatutos da
Academia na reforma por que passou em 1855, a construção da pinacoteca e a reforma da
biblioteca, e regulamentou o concurso para o prêmio de viagem, tendo, perante a
Congregação, defendido cabalmente a idéia de ampliação do prazo, advogada
anteriormente por Taunay.
"A marcha dos estatutos dos pensionistas, indicada pela maioria da Academia, tem
aquele defeito das coisas feitas por homens de há muito tempo ausentes da Europa, e pouco
cientes do movimento atual das artes, do seu progresso, das modificações no ensino, e
das particularidades locais, na época atual.
"Os pensionistas da Academia Francesa de Belas Artes, filhos da escola mais regular e
florescente da Europa, depois de completaremos seus estudos em Paris, vão ainda estudar
em Roma e na Itália por espaço de seis anos mais; e os arquitetos tem, hoje, mais uma
nova escola em Atenas, onde há muito mais que ver e estudar.
"Se alunos educados com tanta regularidade na nova Atenas, e rodeados de tantas e
tão variadas maravilhas artísticas, precisam ainda de mais seis anos, que tempo será
necessário para que os filhos de uma escola como a nossa, que nem deles se exige o
conhecimento de uma só língua estranha para poupar-lhes um ano, pelo menos, que perdem,
até compreenderem os mestres e os livros.
"Ainda me glorio de ter votado contra a idéia dos dois anos de estudo, que não era
mais que uma ilusão. É de rigor que os filhos da nossa Academia, preparados como
convém, vão para a escola de Paris, e que aí fiquem três anos, antes de passar à
Itália."
Porto Alegre foi um dos melhores fatores do desenvolvimento do ensino artístico a que
prestou, com inexcedível concurso. Serviu às artes desde o começo da fase histórica,
quando apenas era discípulo de Debret, até mesmo depois de deixar o cargo de diretor da
Academia, por cujo progresso jamais se desinteressou.
Do mestre, com
carinho
Neste ponto, a sua ação se fez sentir de modo notável. Trabalhador infatigável, nenhum
esforço poupou, cercando os alunos e os artistas de cuidados paternais, incutindo-lhes o
verdadeiro amor pelo estudo, e preocupando-se de tudo quanto lhes dissesse a respeito.
Leiam-se, por exemplo, as suas cartas dirigidas ao então pensionista Vítor Meireles e
ter-se-á a idéia da sua dedicação ao pensamento que o dominava, de fazer da Academia
um bom centro de cultura, e de formar artistas.
"Academia de Belas Artes, 16 de maiode 1854.
"Ilmo. Sr. Vítor:
"Acabo de ser nomeado diretor desta Academia e, como tal, tomo a liberdade de
preveni-lo de, ora avante, tenha a bondade de me escrever o mais assiduamente possível
sobre os estudos e os seus projetos, para que eu possa informar à Academia e ao Governo
os seus progressos.
"Diga ao Sr. Mota (Agostinho da Mota) que me escreva, e que não é corrente
nem tolerável ele deixar de escrever, pois ele agora tem um velho amigo aqui, e pode
abrir-se comigo como quiser.
"Nada escrevo ao Sr. Pallière (Leão Palliére Grandjean Ferreira), por saber que
aí já não está. Mande-me falar de arte e dos seus projetos, e do que intenta fazer,
porque são estes os nossos negócios.
"Aceite, pois, os respeitos do de V. Mcê. atendo venerador e criado. - Manuel de
Araújo Porto-alegre."
"Academia das Belas Artes, 6 de agosto de 1855.
"Ilmo. Sr. Vítor:
Os seus últimos painéis nos encheram de satisfação, porque neles vimos um saliente
progresso, tanto na parte técnica como na teórica...
"Em Paris, V.S. há de ganhar muito; é hoje, aquela cidade, um manancial fecundo
para o espírito e tem uma escola onde tudo se encontra para facilitar o estudo.
"A escola francesa sempre se distinguiu pelo seu espírito filosófico, pela
correção do desenho, e pela maneira grandiosa na composição. As galerias de Paris lhe
hão de fazer tudo, por que já viu Roma e Florença.
"Estude bem a teoria da sombra e da perspectiva, porque, sem estas bases, muito terá
de lutar. A elas, deverá o perfeito conhecimento das modificações da luz, dos planos,
dos relevos. Copie desenhos cenográficos, porque nesse estudo está o dos fundos dos
painéis, etc., etc.
"Estender-me-ia com indizível prazer sobre este ponto, se me sobrasse tempo. Estou
à espera da reunião do Corpo Acadêmico para ver o que a comissão de Pintura e Desenho
pensa acerca de seus trabalhos. Este novo processo da casa, que é todo de família, só
são participantes dele o Governo Imperial e a Academia.
"A meu pedido, lhe será prolongado o tempo na Europa por mais três anos ainda, o
que lhe fará bem.
"Se for à França, como espero, mande-nos logo uma cópia de uma batalha de Salvador
Rosa, que estava à esquerda, no fundo da Galeria do Louvre, na Escola Italiana. É um
quadro retangular e de pequena dimensão.
"Estude o nu, estude anatomia, estude bem o desenho, e veja se toma Mr. Delaroche por
mestre, que é hoje o pintor mais filósofo e o mais estético que eu conheço.
"Estude cavalos, porque as nossas batalhas exigem esse estudo. E lá achará
belíssimos modelos, já como pintura, nas obras de meu mestre, o Barão Gros, já nas de
Mr. H. Vernet, que conhece as raças e o animal melhor do que ninguém. Faça cópias de
cabeças de cavalos em ponto grande e vá mandando todos os seus estudos, porque serão
logo vistos por Sua Majestade.
"Anatomia e perspectiva, muito desenho, porque nossa escola está muito fraca no
desenho, muito e muito fraca, e V.S. há de chegar a tempo de tomar conta dela e dar-lhe o
impulso desejado. A sua missão é bela, porque os tempos lhe são favoráveis.
"Adeus, estude e creia na afeição de seu patrício muito brasileiro. -
Porto-Alegre. Escreva-me sempre, mesmo sem ser como Diretor, porque estimarei isto
muito."
As trinta teses de
Porto-Alegre
Na Academia, a sua atividade foi intensíssima. Bondoso, mas severo, soube sempre colocar
acima de tudo os interesses do ensino, bem pouco se lhe importando com quaisquer
ressentimentos que porventura pudesse provocar a sua ação de diretor. Prendia habilmente
alunos e professores ao cumprimento dos seus deveres, a todos animando, sugerindo idéias,
dispensando auxílios, dando conselhos e propondo medidas.
Foi notável a sessão da Congregação, especialmente reunida para nela se tratar da
fundação de um jornal para a escola, e que se realizou a 27 de setembro de 1855, sob a
sua presidência. Nela, Porto-Alegre apresentou 30 teses para serem estudadas e
desenvolvidas pelos professores. Entre essas teses, figuram as seguintes, que revelam sua
firme orientação de reformar radicalmente o meio:
"1ª. A Arte Cerâmica, depois de aperfeiçoada entre nós, dará para as Belas Artes
os mesmos resultados que deu na Grécia, na Itália e na França ?
"2ª. De onde procede o mau gosto e mesmo a indiferença que temos tido, até hoje,
para com a arquitetura; quais as razões por que os exemplares de Mr. Grand-Jean não
frutificaram; e o que convém fazer em favor desta arte para Ter um maior e seguro
desenvolvimento ?
..................................
"6ª. O novo sistema de educação artística, ordenado pela reforma, preencherá os
seus fins, ou será necessário um novo método ?
"7ª. Qual será mais proveitoso: começar pelos processos puramente técnicos para
depois passar-se à teoria; ou começar-se pela teoria para depois se passar à prática;
ou o sistema de estudar a teoria de envolta com a prática ?
"8ª. Escrever a história da cenografia no Rio de Janeiro e dar as razões porque
esta arte não tem progredido entre nós.
"9ª. Para que o Brasil forme uma escola sua, que princípios deverá adotar a
Academia como cânones invariáveis para obter esse caráter peculiar que mereça o nome
de escola, sem contudo precipitar-se no estilo amaneirado ?
"10ª. Se o sistema das recompensas públicas dos atenienses fosse adotado no Brasil
- frutificaria ele como na antigüidade, apesar da nossa diferente organização social, e
do nosso caráter individual, ou daria um resultado moral e artístico superior dos
títulos e condecorações ? Não pelejaria essa adoção com os resultados do passado, e
não seria ela uma base de uma revolução pacífica, porém completa, no futuro ?
"11ª. Que meios pode empregar já o Governo para enraizar o gosto das Belas Artes no
Rio de Janeiro e torná-lo em utilidade pública ?
...................................
"14ª. Nas diferentes arquiteturas conhecidas, será devido o seu caráter especial
à qualidade dos materiais empregados, às crenças religiosas que elas simbolizam, ou à
organização social dos povos que as criaram ?
"15ª. A arquitetura grega deve ser proscrita dos nossos templos ou modificada
segundo as exigências do culto ? De todas as arquiteturas derivadas da antiga, qual será
a que mais convém adotar no Brasil ?
"16ª. Se a Santa Sé estivesse estabelecida fora de Roma, a arquitetura cristã
teria continuado na senda que lhe imprimiu o baixo império ou a idade média; teria
retrogradado ao caráter antigo por causa da sua beleza ou solidez, ou então tomaria uma
nova forma, diferente da arquitetura ogival e da bizantina ? Não terá sido a causa
principal desse retrocesso a presença constante das ruínas da antiga Roma e o emprego
dos materiais arrancados às mesmas ruínas, e a constante influência daquela capital do
Cristianismo sobre todas as nações católicas ?
"17ª. As diferentes escolas de pintura procedem mais da natureza do país onde
florescem, ou das doutrinas especiais dos seus mestres ? Deverão ser elas consideradas
pelos caracteres técnicos ou pelos morais ? Será boa a atual classificação das
escolas, ou convém adotar outra mais explícita e menos confusa na sua ordem e filiação
?
...........................................
"23ª. Que utilidade poderá colher o paisagista com o estudo da botânica e da
geologia ?
"24ª. Onde está a verdade desta máxima: a anatomia é o segredo da arte ?
"25ª. Qual será a razão por que muitas academias se tem tornado infrutíferas, e
mesmo prejudiciais às belas artes, em diferentes épocas do país?
"26ª. O estudo da arquitetura clássica, conforme o sistema de muitas escolas, será
bastante para criar arquitetos úteis a todas as necessidades sociais, ou deve ele entrar
na educação artística, como entra o estudo dos clássicos na literatura ?
............................................
"28ª. Nas formas especiais de nossas plantas, flores e frutos, não terá a arte
cerâmica, principalmente a Mitecnica (Mitechinia) um manancial fecundo para novas
inspirações?
"29ª. A ornamentação e decoração dos edifícios, principalmente a executada pela
pintura, em substituir os grotescos e arabescos pelos objetos de nossa natureza americana;
qual tem sido a causa por que este caminho novo, apenas encetado por Mr. Debret e
Francisco Pedro do Amaral, nos seus últimos dias, ainda não tomou o necessário e útil
desenvolvimento ? Nesta nova estrada, convirá abandonar inteiramente os exemplos da
antigüidade na composição, ouconservar somente a harmonia das linhas ou a simetria,
como base geométrica e inalterável ?
"30ª. A descoberta da fotografia foi útil ou perniciosa à pintura ? E se ela
chegar a imprimir as cores da natureza com a fidelidade com que imprime as formas
monocromamente, o que será da pintura e, mormente, dos retratistas e paisagistas ?"
No decurso das duas décadas desse período, teve a Escola, como professores: -
Felix-Emílio Taunay; Grand-Jean de Montigny, Porto-Alegre, Zeferino e Marcos Ferrez,
Corte-Real, Soares de Meireles, Augusto Müller, Correia de Lima, Costa Miranda, Job
Justino, José da Silva Santos, Luís Carlos da Fonseca, José Joaquim de Oliveira,
Joaquim Lopes de Barros Cabral, Maximiano Mafra e Ernesto Gomes Moreira Maia.
A nova safra de
artistas
Vicejou, então, a segunda geração dos discípulos, que se fizeram artistas ainda soba
orientação do ensino aqui introduzido pelos artistas franceses, dela se destacando o
paisagista Agostinho José da Mota, a quem se seguem: Leão Pallière, Grandjean Ferreira,
João Maximiano Mafra, Francisco Antônio Neri, Rafael Mendes de Carvalho, Poluceno
Pereira da Silva Manoel, Joaquim da Rocha Fragoso e outros de menos valor.
Nessa época, muitos pintores estrangeiros foram atraídos ao país pela movimentação
artística que se vinha assinalando. Dentre todos, merecem ser mencionados os nomes de
Cláudio Barandier, Luís Buvelot, Krumholtz, Cicarelli, Boreli, Le Chevrel, Facchinetti,
Vinet, os irmãos Moreaux, Francisco Biard, Henrique Fleiuss...
O que é que a
Bahia tem
Na Bahia, o meio ainda se ressentia da falta de condições indispensáveis ao progresso
das artes Por esse tempo, lá se revelam, como pintores, os discípulos de José Rodrigues
Nunes e Bento Capinan, sem entretanto, excederem, ou quiçá igualarem, o merecimento
artístico dos mestres.
Entre os primeiros, figuram: - João Francisco Lopes Rodrigues, Macário Rocha, Olímpio
da Mata, Francisco Romão e Francisco Rodrigues Nunes; entre os segundos - Tito Capinan,
Francisco José Rufino de Sales, e Cunha Couto, além de outros.
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