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LATOUR, Eugênio (1874-1942). Nascido e falecido no Rio de
Janeiro. Ingressou aos 20 anos na Escola Nacional de Belas-Artes como aluno de Zeferino da
Costa, Amoedo e Henrique Bernardelli. Passando a expor no Salão, conquistou em 1900
menção honrosa, no ano seguinte medalha de prata, com Depois da Colheita, e
em 1902 a viagem à Europa, com um quadro de gênero, Escolha Difícil, indo
aperfeiçoar-se na Itália.
No Salão de 1905 expôs 15 obras, entre figuras femininas (A
Orgulhosa, Cecilia, Lígia etc.), paisagens (Aldeia Romana) e
uma grande composição, Praga Social - O Álcool. Em 1907, ainda de Roma,
remete três óleos, um dos quais entusiasma Gonzaga Duque:
«Gosto imensamente de Electra,
que me lembra a litografia do falecido e extraordinário Félicien Rops - Buveuse
d'absynthe.»
Medalha de ouro em pintura e menção
honrosa em aquarela no Salão de 1908, Latour, logo que retornou da Europa,
deu inicio a grande atividade, revelando-se artista de muita técnica e extrema
sensibilidade. Em sua produção, lado a lado com obras que demonstram suas preocupações
sociais e morais - A Inveja, A Crítica, A Órfã - surgem agora
retratos, paisagens - ficaram famosas as séries que realizou em Angra dos Reis e Ouro
Preto - e principalmente figuras de mulher.
Em 1910 regressou mais uma vez à Itália,
agora para desincumbir-se, com diversos outros artistas, da decoração do Pavilhão
Brasileiro na Exposição Internacional de Turim, em 1911. Concluída essa tarefa,
instalou ateliê em Florença, de onde em 1912 remeteu ao Brasil um esplêndido vulto de
mulher, Nelinha, exibindo amplo chapéu coroado por uma aigrette e
recortando-se contra um friso floreale. Comentando aliás esse quadro, em 1940, em
Primores da Pintura no Brasil, F. Acquarone e A. de Queiroz Vieira
escrevem essas barbaridades:
«Além de valer como um magnífico
retrato, a tela serve de documento para o estudo do espírito de uma época, dessa época
dos princípios do século. Não só o traje da retratada, como o fundo, revelam o sopro
daquele famoso Art Nouveau que imperou em todas as atividades humanas. Veja-se, por
exemplo, a frisa ornamentada da parede. Aqueles arabescos, sem gosto e sem intenção
artística, refletem, de fato, o lamentável ambiente mental do qual fala Luiz Edmundo,
com tanto espírito, no seu Rio de Janeiro do meu tempo.»
Felizmente, nem todos demonstrariam tanta
incompreensão para com esse delicado pintor intimista. Ligia Martins Costa, por exemplo,
no catálogo da mostra Um Século de Pintura Brasileira, realizada no Museu Nacional d
Belas-Artes em 1950, tem palavras pertinentes para definir Latour:
«É um pintor da expressão humana, e
feminina sobretudo. Cada cabeça sua representa um estado de alma. Aqui tristeza, dor
concentrada, como vemos em Soror Materna; ali a despreocupação e o
coquetismo, como temos em Bianca. No primeiro, o colorido triste, sob o
domínio das cores, os azuis pálidos dando a nota de contraste, nota discretíssima que
condiz com o tema; no segundo, a palheta mais quente, sóbria no tom geral, porém
vibrante em seus toques alegres, de cores puras que dão um efeito impressionista ao
conjunto.»
Graciosidade, pudor, sensibilidade e
elegância formal são atributos que nos ocorrem para falar da produção desse sério
artista, que ao lado da pintura foi também gravador. Sua obra é pequena, e sua modéstia
e discrição ainda iriam concorrer mais para que ao falecer, a 2 de outubro de 1942,
fosse um nome praticamente esquecido do público.
Fonte: CD
Rom «500 Anos da Pintura Brasileira»
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