José Maria de Medeiros

1849-1926
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Natural dos Açores

     Nascido nos Açores (Portugal) e falecido no Rio de Janeiro. Chegando a essa cidade por volta de 1865, logo depois ingressou no Liceu de Artes e Ofícios, ali aprendendo encadernação.

     Em 1868 matriculou-se na Academia Imperial de Belas-Artes, tendo por mestres a Vitor Meireles e Sousa Lobo, entre outros, e por colegas a Almeida Júnior, Firmino Monteiro, Estêvão Silva, Henrique Bernardelli e seus dois compatriotas Pedro Peres e Augusto Rodrigues Duarte.

     Na Exposição de 1871 recebeu medalha de prata; cinco anos depois, com Retrato de Senhora, era a vez da medalha de ouro. Em 1882 exporia, sem sucesso, Uma mulher costurando à porta do lar com o filhinho ao colo, título quilométrico para um quadro banal.

     Seu quadro Morte de Sócrates (que fora sua prova de composição no concurso de desenho figurado de 1878) e principalmente Iracema, tela inspirada na narrativa de José de Alencar, lograriam, inversamente, enorme êxito, quando expostos em 1884.

Obras primas do indianismo

     Ao lado de Marabá e Último Tamoio, de Amoedo, de Exéquias de Atalá, de Augusto Rodrigues Duarte, de Moema, de Vítor Meireles, e de bem poucas outras pinturas, Iracema é uma das obras mais significativas do indianismo pictórico no Brasil.

     A composição é extremamente simples: o espaço pictórico está dividido em duas metades, horizontalmente, vendo-se no primeiro plano, à esquerda, sobre a fímbria de areia da praia, diante da árvore, a "Virgem dos lábios de mel", que lentamente se encaminha em direção a uma flecha fincada ao solo e transfixando um ramo de maracujá, a flor do amor.

     Para a direita estende-se o mar, cujas ondas vêm morrer mansamente na areia, enquanto ao fundo pode-se divisar um morro coberto de vegetação, e mais à direita, sobre a linha do horizonte, o céu.

     De toda essa pintura extremamente romântica evola-se uma grande melancolia, um inefável sentimento de nostálgica ternura; e se a figura da índia é bem resolvida no que respeita a volumetria, desenho e colorido, é inegável que a parte mais feliz de todo o quadro reside na linda paisagem que lhe serve de perfeito cenário.

Forjando a arte brasileira

      Ao lado da pintura de história, do retrato, da pintura de gênero, da paisagem e da marinha, José Maria de Medeiros dedicou-se ao magistério, tendo tomado posse em 1879 na cadeira de Desenho Figurado da Academia após se impor a quatro candidatos, entre eles Pedro Peres.

     Permaneceria até 1891 na Academia, sendo então transferido para o ensino público de segundo grau, e em 1897, para o Instituto Profissional João Alfredo, jubilando-se em 1911.

     Entre seus discípulos mais notáveis devem ser citados Visconti, Batista da Costa, Belmiro de Almeida, Oscar Pereira da Silva, Castagneto, Rosalvo Ribeiro, Eugênio Latour e Rafael Frederico.

Com os pés sobre
a Guanabara

     O artista realizou apenas duas individuais, ambas na Galeria Rezende, do Rio de Janeiro: a primeira em 1897, segunda e última dois anos depois.

     Sua produção, numerosa, pauta-se por sóbrio desenho, rico modelado e colorido discreto. Nunca saiu do Rio de Janeiro, nem sequer, como os demais pintores do seu tempo, para a indefectível viagem de aperfeiçoamento à Europa.

Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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     Natural de Portugal e brasileiro adotivo. Nascido a 3 de setembro de 1849, chegou à cidade do Rio de Janeiro em 1865, contando apenas dezesseis anos de idade.

     Iniciou seus estudos no Liceu de Artes e Ofícios, prosseguindo-os na Academia de Belas Artes, onde se matriculou em 1868. Aí teve como colegas Pedro Peres, Leôncio Vieira, Estêvão Silva, Almeida Júnior, Firmino Monteiro, Pagani, Augusto Duarte, Henrique Bernardelli e outros. Foram seus professores Vítor Meireles e Sousa Lobo.

     Na sua carreira de artista, foi várias vezes laureado, obtendo, entre outros prêmios, a grande medalha de ouro, na exposição de 1876; a pequena medalha de ouro e o oficialato da Rosa.

     Obteve, mediante concurso, a cadeira de desenho, figurado na Academia, tendo tido como concorrentes Pedro Peres, Leôncio Vieira, Pereira Neto e Clóvis Arrault. Iniciou-se o concurso a 9 de abril de 1878, constando de três provas: uma acadêmica, um estudo matemático e uma composição, que teve por assunto Os últimos momentos de Sócrates.

     Em sessão de 27 de julho do mesmo ano, a Congregação, depois de vivo debate e de proceder o terceiro escrutínio, o escolheu por cinco votos contra três, havendo ainda uma cédula em branco. A 8 de janeiro de 1879, tomou posse no referido lugar, como professor contratado.

     Na Academia, lecionou até 1891, ano em que foi transferido para uma escola pública de segundo grau, sendo ainda, em 1897, transferido para o Instituto Profissional João Alfredo, onde continuou a servir até 11 de dezembro de 1911, data em que foi declarado adido ao magistério.

     Teve inúmeros discípulos, entre os quais figuram Batista da Costa, Rafael Frederico, Eliseu Visconti, Belmiro de Almeida, Oscar Pereira da Silva, Castagneto, Vasquez, Hipólito Caron, Roberto Mendes, Latour, Rosalvo Ribeiro, Fiúza Guimarães, Artur Lucas, Alberto Delpino e Eduardo Sá.

     Na sua formação artística, especialmente, influíram os dois grandes mestres Vítor Meireles e Pedro Américo que, com Agostinho da Mota e Vinet, são por ele apontados como os mais notáveis pintores de sua época.

     Concorreu a várias exposições. Na de 1876, expôs o Retrato de uma senhora, com o qual obteve a primeira medalha de ouro. Na de 1882, no Liceu de Artes e Ofícios, expôs dois trabalhos: Uma mulher costurando à porta do lar com o filhinho ao lado e a Lindóia. À de 1884, concorreu com A morte de Sócrates e Iracema, ambos hoje pertencentes à Galeria Nacional.

     Exposições suas fez apenas duas, ambas na cidade do Rio de Janeiro. A época de sua maior fecundidade artística foi de 1878 a 1894.

     Cultivou, em maior escala, a pintura de gênero, a de retratos e a histórica; e é considerado pela crítica da sua época como o artista modesto, tímido, honesto e de merecimento. Sobressai, entre suas qualidades, a de ser um colorista dotado de muita delicadeza, ao lado da firmeza de seu desenho. Desta matéria, foi também professor no Liceu de Artes e Ofícios, que conta no número dos seus mais distintos filhos.

     São inúmeras as suas pequenas telas, espalhadas em mãos particulares. O mais recente dos seus trabalhos é o grande quadro representando O batismo de Cristo, e que pertence à Igreja do Espírito Santo, no largo do Estácio de Sá.
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medeiros.jpg (29032 bytes)
Iracema
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