LANGEROCK,
Henri (1830-89). Nascido em Gand (Bélgica) e falecido em Paris (França). Estudou na
Academia de sua cidade natal, tornando-se bom paisagista.
Como era praxe em
seu tempo, viajou por diversos países em busca de pitoresco, e quando da dispersão do
seu ateliê, em venda pública realizada em 19 de abril de 1920, ali se encontravam telas
representando sítios de vários países da Europa, e ainda da Núbia, do Marrocos, do
Egito, etc. Era natural que também viesse ao Brasil, embora presumivelmente por muito
pouco tempo, já para o fim da vida, de vez que ainda em 1880 era membro correspondente da
Academia Imperial de Belas-Artes.
Gonzaga Duque,
geralmente tão rigoroso, é extremamente benévolo para com o envio do artista belga a
uma das Exposições Gerais de Belas Artes, cuja data não precisa: um Crepúsculo,
e duas cenas de gênero, Pescaria e Jogo de Bola, das
quais afirma que "recordavam os quadros de Watteau e de Boucher".
Mas certamente
Langerock era melhor paisagista que pintor decorador, tanto que Vítor Meireles o
escolheu para ajudá-lo nos estudos e posterior desenvolvimento a óleo de um Panorama
do Rio de Janeiro, iniciado em 1885 e exposto em 1887 em Bruxelas, voltando a
sê-lo dois anos depois, quando da Exposição Universal de Paris.
Coube ao pintor
flamengo se desincumbir da parte oriental do imenso quadro (115 metros de extensão!),
desde a Rua da Lapa ao Mosteiro de São Bento, tocando a Vitor Meireles toda a parte
restante.
Langerock trabalhou
com Vítor Meireles entre 1885 e 1888, primeiro no Rio de Janeiro e em seguida na
Bélgica, onde se desavieram, exigindo o belga do brasileiro uma importância maior do que
a combinada pelo trabalho executado.
Morreria pouco
depois, deixando no Brasil diversas paisagens, inclusive Vallé de Saint-Vaumeront en
Auvergne, que oferecera em 1886 à Academia Imperial de Belas Artes, e hoje se
encontra no Museu Nacional de Belas-Artes.
O artista era
"de estatura agigantada, olhos claros e sorriso franco", como o descreveu Argeu
Guimarães - que mais adiante o chama de "grulha, folgazão e gastrônomo".
Como paisagista
possuiu inegáveis méritos, tendo sido bom desenhista e bom colorista e, naquelas obras
brotadas diretamente de sua emoção, sensível e espontâneo.
Fonte: CD Rom «500 Anos da Pintura Brasileira»
.