Henrique José da Silva 1772-1834 . |
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A despeito de sua atitude, incontestavelmente prejudicial e infensa à missão confiada aos franceses, foi contudo sob a sua direção que teve começo o funcionamento da antiga Academia, hoje Escola Nacional de Belas Artes. Prende-o, portanto, à nossa história, esse acontecimento. Embora na posição elevada de diretor, era sem dúvida uma das figuras mais apagadas no grupo de primitivos mestres Aquela posição, muita antipatia lhe grangeara, sendo talvez por isso que a crítica de escritores coevos (contemporâneos) lhe foi rigorosíssima ao julgar dos seus merecimentos. Entretanto, os trabalhos que nos deixou não justificam tanto rigor. É certo que, ao lado de qualquer dos Taunays ou de um Debret, a sua figura perde o relevo; também é certo, porém, que não deixou de ter mérito e ser digno de algum conceito. A sua produção entre nós, além das chapas de gravuras originais, do Retrato de Alexandre Pope e do frontispício do poema desse autor, está representada pelo Retrato do Senador Rodrigues de Carvalho, pertencente à Galeria Nacional, vários desenhos exibidos nas primeiras exposições da Academia, Retrato de D. Pedro 1º e A Virgem com o menino Jesus no colo. Nascido em Lisboa em 1772, foi discípulo de Pedro Alexandrino, mestre da pintura em sua pátria. Antes de vir para o Brasil, lá muito havia trabalhado, deixando inúmeras telas, especialmente sobre assuntos sacros. No gênero de retratos, ainda pintou o de Bocage, Wellington e Beresford, figurando o seu nome no dicionário de Bryan. Chegou ao Brasil em 1819, chamado para vir substituir Le Breton na direção da Academia. Faleceu a 29de outubro de 1834, ainda no exercício do cargo de diretor da Academia. |