Felix-Emille Taunay
1795-1881
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Mata reduzida a carvão

Filho de peixe...

     Nascido em Montmorency (França) e falecido no Rio de Janeiro. Filho de Nícolas Antoine Taunay, com quem estudou, acompanhou o pai em 1816 ao Brasil, com o restante da família, mas, ao contrário dele (que em 1821 retornou à França) , deixou-se ficar no Rio de Janeiro.

     Como substituto do pai à frente da cadeira de Paisagem da Academia e Escola Real de Belas Artes, mais tarde Academia Imperial de Belas Artes, lecionou entre 1820 e 1851, quando foi substituído por Augusto Müller.

     Também em 1851 deixou, por aposentadoria, o cargo de diretor da Academia, que exercia desde 1834 quando assumiu a vaga de Henrique José da Silva, falecido naquele ano.

Um diretor exemplar

     Em sua gestão vários melhoramentos e inovações foram feitos na Academia, tais como a criação, em 1840, das Exposições Gerais de Belas Artes, a organização, em 1843, da pinacoteca, e a outorga, a partir de 1845, dos prêmios de viagem ao estrangeiro.

      Coube-lhe ainda propor a criação da cadeira de História da Arte, que contudo só se concretizou em 1855, sob a gestão de Porto-Alegre.

     Se tanto se destacou Félix-Emile Taunay como professor e administrador, força é dizer que, nele, o artista era mais discreto. Autor do primeiro Panorama do Rio de Janeiro, executado provavelmente em 1821 e desenvolvido por Rommy na Europa, distinguiu-se como paisagista (Vista da Mãe d'Água, Mata Reduzida a Carvão), mas fez também o retrato (Dom Pedro II Adolescente) e a pintura histórica (A Morte de Turenne).

Homem dos sete
instrumentos

     Escreveu Les idylles brésiliennes, L 'astronomie du jeune âge e La bataille de Poitiers (poesia), Ajax de Telamon (tragédia em versos); traduziu para o francês as Odes de Píndaro e as Sátiras de Pérsio, além de Inocência, de seu filho Alfredo de Escragnolle Taunay.

      Foi professor de Francês, Desenho e Paisagem, Grego e Literatura do Imperador Pedro II, que lhe devotava muita estima.

     Por outro lado, pugnou pela adoção de medidas estéticas e higiênicas para o Rio de Janeiro, incluindo a criação de jardins, o plantio de árvores, a drenagem e aterro de terrenos, a retificação de cursos d'água, etc., nisso se revelando o coadjutor de Grandjean de Montigny, de quem era grande amigo.

Escrevendo o próprio epitáfio

     Nunca se naturalizou brasileiro, o que não o impediu, aliás, de desempenhar-se de elevadas missões e de gozar do maior prestígio entre os brasileiros.

     Falecendo a 10 de abril de 1881, com mais de 86 anos no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, exibindo sua campa o seguinte epitáfio, de sua autoria:

Philologue, à demi-poète,
Spectateur éternel du Beau,
Je perdis mon temps à sa quête...
Un doux regard sur mon tombeau!

Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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O filho de Nícolas

     O mais jovem representante desse período, filho de Nícolas Taunay, e segundo barão deste nome.

     Nascido em Montmorenci, perto de Paris, a 1º de março de 1795 e falecido nesta cidade (Rio de Janeiro) a 10 de abril de 1881, depois de permanência não interrompida de mais de 65 anos no Brasil.

     Prestou inolvidáveis serviços à arte nacional, já como professor, já como diretor da Academia Imperial, cargo que exerceu de 1834 a 1851.

Substituindo o pai

     A pedido seu, dirigido ao imperador, em princípios de 1824, substituiu seu ilustre pai, de quem foi discípulo, na cadeira de pintura de paisagem, tendo sido nomeado por decreto imperial de 8 de novembro daquele ano.

     "Manda sua Majestade, o Imperador, pela Secretaria de Estado dos Negócios do Império, remeter ao Diretor da Academia de Belas Artes o requerimento incluso de Felix Emílio Taunay, filho e discípulo do pintor de paisagem e professor adido à Escola de Belas Artes desta Corte, o qual pede ser preferido para o lugar que ficou vago por ausência de seu pai: e há por bem que o mencionado Diretor informe sobre esta pretensão. Palácio do Rio de Janeiro, em 5 de maio de 1824. - José Severiano Maciel da Costa."

     "Sua Majestade, o Imperador, atendendo aos estudos e talentos de Felix Taunay, houve por bem, por decreto de 8 deste mês, nomeá-lo Lente de Pintura de Paisagem da Academia de Belas Artes desta Corte, cuja cadeira ocupava seu pai, Nicolau Antônio Taunay; vencendo pela respectiva folha o ordenado anual de oitocentos mil reis; com a declaração que, por efeito desta graça cessa todo e qualquer direito que o referido Nicolau Antonio Taunay possa ter ao pagamento de vencimentos atrasados, a que fica servindo de completa indenização esta mercê. O que manda, pela Secretaria do Estado dos Negócios do Império participar ao Diretor da referida Academia, para sua inteligência. Palácio do Rio de Janeiro, em 11 de novembro de 1826. - Estêvão Ribeiro de Resende."

Não fez discípulos

     Tendo como especialidade o gênero de pintura que professou, pode ser tido, com justiça, como o criador de pintura de paisagens entre nós, sem contudo ter sido o mais notável de nossos pintores.

     Não fez escola, nem formou discípulos que, assimilando e adquirindo suas qualidades, as transmitissem, revelando a técnica característica do mestre. Foi, no entanto, artista sincero, consciencioso e delicado. Os seus bons serviços foram reconhecidos pelo Governo, que, no ato de o aposentar, os deixou em destaque.

     "Rio de Janeiro, Ministério dos Negócios do Império, em 21 de junho 1851. Sua Majestade, o Imperador, atendendo ao que representou Felix Emilio Taunay, Diretor da Academia de Belas Artes desta Corte e Professor de Pintura de paisagem da mesma Academia, sobre a impossibilidade em que, por suas moléstias, se acha de continuar no exercício daqueles empregos; e tomando em consideração os bons serviços que nele prestou pelo espaço de quase vinte e sete anos; houve por bem, por decreto de 8 de maio próximo passado, aposentá-lo com o vencimento do ordenado que atualmente percebe; dependendo, porém, esta mercê, da aprovação da Assembléia Geral Legislativa. O que manda, por esta Secretaria de Estado, comunicar à Congregação dos Professores da referida Academia para seu conhecimento; assim que, enquanto o mencionado emprego de Diretor não for definitivamente provido, deverá exercê-lo, conforme já se tem praticado, o Professor da Cadeira de Arquitetura Jó Justino d'Alcântara, visto ser o mais idoso dos que se acham presentemente em efetividade. - Visconde de Montalegre."
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