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Vista dos Arredores de Paris
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Introdutor de
novidades
Nascido em Recife (PE) e falecido na Bahia. Tendo efetuado seu aprendizado artístico em
Roma e em Paris, dessa última cidade iria trazer, quando do seu retorno definitivo, em
1861, duas importantes novidades:
a técnica do guache,
que lhe coube introduzir ou pelo menos difundir no Brasil;
a temática
orientalista - cenas de árabes e caravanas executadas no Norte da África -, da qual foi
certamente o pioneiro entre nós.
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Fixando-se no Rio de Janeiro logo após seu regresso, desenvolveu, a princípio, nessa
cidade, brilhante carreira, inclusive participando com êxito das Exposições Gerais de
Belas Artes (medalha de prata em 1864).
Os cães ladram e a
caravana pára
Mas aqui também intervieram os invejosos, como explica Gonzaga Duque em Arte
brasileira:
«Chegando ao Rio de Janeiro, conquistou imediatamente uma reputação artística, vendeu
à sociedade elegante daquele tempo quase todos os guaches que pintara, criou uma turba de
admiradores e amigos, fez enfim, um pequeno sucesso.
«Mas, como devia esperar, os invejosos ergueram-se do pesado silêncio da sua própria
inutilidade e fizeram fogo vivo contra ele.
«Faltou-lhe resolução para enfrentar com os adversários. E, humilhado, desiludido,
rolando de desengano em desengano, procurou no esquecimento de seu nome o lenitivo para
suas dores.
A desilusão, o
abandono
e a morte
«Daí resultou-lhe uma moléstia lenta e devastadora, uma espécie de spleen, o
tédio da vida, que veio arrancar-lhe pelos lábios o último calor das entranhas, no
momento em que ele tudo esquecera: seus amigos, suas aspirações, e até a arte!»
Desse artista de temperamento romântico e doentio, dotado de técnica correta, possui o
Museu Nacional de Belas-Artes uma paisagem de 1860, Arredores de Paris, na
qual o harmônico colorido mal esconde a melancolia da inspiração.
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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Nasceu em Pernambuco em 29 de abril de 1833 e faleceu na Itália no dia 11 de fevereiro de
1883. Estudou em Roma onde, com talento e aplicação, adquiriu posição de destaque
entre os condiscípulos. Aí se demorou três anos, tendo retornado a Recife, sua cidade
natal, por ter falecido seu pai.
Tempos depois, conseguiu voltar à Europa, instalando-se em Paris. Durante sua
permanência nessa cidade, aprendeu o segredo de pintar guaches, gênero então
inteiramente desconhecido no Brasil, do qual fizera a sua especialidade.
Terminados os estudos em 1860, no ano seguinte veio definitivamente para o Rio de Janeiro,
onde se estabeleceu. Fez discípulos, dentre os quais foi Insley Pacheco o mais notável,
que se tornara dedicado amigo do mestre, a quem muito auxiliou nas dificuldades em que
aqui se encontrara.
Nos seus guaches - diz um crítico - é difícil separar a garridice [elegância] do
toque, a quentura da cor, da ligeira habilidade do traço, da elegância e fidelidade do
desenho.
Aquelas pitorescas cenas orientais, aquelas longas caravanas árabes, percorrendo o
deserto ao pôr do sol, as paisagens espetaculosas daquela cor com que, diante da nossa
fantasia, tudo tem o aspecto grandioso pela cor do céu, pelo caráter da vegetação,
pela forma caprichosa dos edifícios, foram tratados por Arsênio com uma nota poética e
terna, que é a sua nota pessoal.
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