Abraão Luís Buvelot
1814-1888

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Vista da Gamboa

Cidadão do mundo

     Nascido em Morges (Suíça) e falecido em Melbourne (Austrália).

     Foi aluno, sucessivamente, de Marc-Louis Arlaud em Lausanne, Jean-Georges Volmar em Berna e Camille Flers em Paris.

     Vindo para o Brasil em 1840, fixou-se inicialmente em Salvador, onde vivia um seu tio, transferindo-se pouco depois para o Rio de Janeiro, cidade na qual conheceria muito sucesso.

Um elogio de Porto-alegre

     Participou com muito destaque da Primeira Exposição Geral de Belas-Artes, em 1840, embora não viesse a ser premiado, de vez que pleiteara a nomeação para sócio correspondente da Academia Imperial, categoria que então inexistia.

     Voltaria a se apresentar ainda em outras exposições gerais, sempre com paisagens (em 1844, Araújo Porto-alegre chama-o inclusive de "único pintor de paisagem que tem o Rio de Janeiro").

     Entre 1842 e 1844 Buvelot publicou, em colaboração com Louis-Auguste Moreau, uma série de litografias que alcançaram bastante sucesso - Rio de Janeiro Pitoresco.

Voltando para a Europa

     Casando-se com uma brasileira de origem francesa, radicou-se em caráter que pensava definitivo no Brasil, tornou-se fotógrafo e chegou a exibir o cobiçado título de Fotógrafo da Casa Imperial.

     Entrementes, realizava paisagens do Rio de Janeiro e de suas imediações, atendendo a um sem-número de encomendas feitas por compatriotas, via de regra plantadores localizados na Corte.

     Contraindo porém a malária, viu-se forçado em 1852 a retornar à Suíça, morando até 1864 em Lausanne e em La Chaux-de-Fonds.

     Nesse último ano, inadaptado à fria atmosfera do Jura, novamente empreendeu uma viagem aos Trópicos, passando brevemente pelo Brasil para afinal tomar o caminho da Austrália, onde viria a falecer cercado de considerações e tido como o verdadeiro criador da paisagem australiana.

Paisagista de primeira-mão

     Buvelot foi esplêndido paisagista, e as diversas paisagens que realizou no Brasil distinguem-se sobremaneira entre as muitas executadas na primeira metade do Oitocentos pelos artistas europeus de passagem pelo país.

     Um sentimento romântico autêntico dá vida e alma a essas pinturas, que em certos momentos evocam, pela espontaneidade do toque e pelo frescor da paleta, Corot, Daubigny, Rousseau e demais paisagistas de Barbizon.

     Foi ainda, em grau menor, retratista, tendo deixado nesse gênero retratos do Imperador Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina.

     Araújo Viana, enfim, diz ter formado muitos discípulos quando de sua permanência no Brasil - o que colocá-lo-ia entre os iniciadores da pintura de paisagens em nosso país.

Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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     Estreou juntamente com Cláudio Barandier na exposição inaugural de 1840, apresentando várias paisagens, que foram classificadas entre os melhores trabalhos.

    Propôs à Congregação que lhe fosse concedido o diploma de sócio correspondente, o que não foi atendido, por ser a proposta alheia à natureza do estabelecimento.

     Continuou a apresentar-se nas exposições seguintes, destacando-se, na maioria delas, com as suas paisagens, que, na opinião de Porto-Alegre, conservavam sempre o cunho dos seus talentos.

    Era Buvelot natural da França.
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