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Artista que, ao lado de Almeida Júnior e Pedro Alexandrino, completa a tríade mais
representativa das tendências pictóricas em São Paulo nos fins do Séc. XIX e começos
do XX.
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Contato com a arte européia
Benedito Calixto
nasceu a 14 de outubro de 1853 na Vila de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaem, e
adolescente transferiu-se para Brotas, onde pintou seus quadros iniciais. Incentivado
pelos encômios, realizou em 1881 sua primeira exposição, na sede do Correio Paulistano,
em São Paulo. O insucesso da mostra fê-lo abandonar para sempre a capital e buscar
refúgio em São Vicente, onde viveria praticamente o resto da existência e construiria
boa parte de sua obra.
Dois anos depois da má estréia paulistana, surgiu a Calixto a oportunidade de estudar
seriamente em Paris, a convite e a expensas do Visconde de Vergueiro. O pintor, embora
casado desde 1877, parte sozinho para a França, freqüenta sem maiores motivações o
ateliê de Raffaelli, cuja arte não aprecia, e pouco depois transfere-se à Academia
Julian, como aluno de Boulanger, Lefebvre e Tony-Robert Fleury.
De Paris
segue até Lisboa, onde por muito pouco tempo recebe aulas de Silva Porto, tendo ainda
freqüentado o ateliê de Malhoa.
Índios ao vivo, no
fundo do quintal
Retornando ao Brasil em 1885, Calixto é rigorosamente o mesmo de quando embarcou: imune a
influências, impermeável ao fascínio cultural da capital francesa, permanece até o fim
um isolado, praticando um tipo de pintura do qual não se arredaria um milímetro, alheio
a qualquer inovação ou renovação.
Quando
descansa da pintura, é no passado histórico de São Paulo que se refugia, ou então se
volta para as estrelas, em sua paixão de astrônomo amador.
Esse amor
excessivo à História seria aliás nocivo ao artista, que com escrúpulos de
documentarista chegará a povoar de indígenas o quintal de sua casa, a fim de mais
fielmente pintar A Fundação de São Vicente, e que fincaria no mesmo
local gigantesco mastro, para ter uma idéia mais real de como seriam as naus de Martim
Afonso de Sousa, quando aportou em 1532 a São Vicente.
A arte
industrializada
Outro
fator negativo a conspirar contra a arte de Calixto foi o elevado número de encomendas a
que teve sempre de atender. Já Vítor Meireles, em fins do século passado, referira-se
ao "afogadilho com que pensa e à rapidez com que executa o que pensa",
acrescentando que, vivesse acaso Calixto no Rio, tentaria corrigi-lo, "obrigando-o a
pintar um trabalho grande, durante dois ou três anos".
Para os
últimos anos de vida, sobretudo, transformara-se Calixto numa autêntica máquina de
fazer quadros, como se pode observar desse trecho de uma carta remetida em maio de 1919 a
um comerciante que se incumbia de lhe vender a produção:
«Peço-lhe o favor de tomar nota das pessoas que querem outros quadros, a fim de que as
mesmas se expliquem sobre o tamanho e o gênero que desejam, bem como o ponto ou lugar que
devo reproduzir.»
Na mesma
carta, desencantado, acrescenta:
«Pouco
ou nada me adianta, agora que já estou velho, a opinião e conselho dos críticos sobre
meus trabalhos. Desejaria apenas, que os jornais dessem notícias dos quadros vendidos,
etc., e mais nada, pois não preciso de reclame.»
Pedrina, filha e
clone
Foi o
isolamento em que viveu Calixto que o impediu de participar com freqüência do Salão
Nacional de Belas Artes, em cujos catálogos o seu nome surge apenas duas vezes, em 1898
(medalha de ouro de terceira classe) e em 1900. Também por isso não tomou parte, senão
raramente, de certames internacionais, como a Exposição de Saint-Louis de 1904, na qual
conquistou também medalha de ouro.
Mesmo
escondido em São Vicente, nunca deixou de ser prestigiado, como o comprovam os clientes e
o avultado número de alunos, a começar por sua própria filha, Pedrina Calixto
Henriques, cuja pintura aliás é subsidiária da sua, a ponto de muitas obras de
sua autoria terem sido metamorfoseadas inescrupulosamente em originais do pai;
tarefa aliás muito simples porque, além do mais, a artista assinava-se apenas P. Calixto,
bastando um traço recurvo ao P inicial para que surgisse a assinatura mais
prestigiosa.
Pintura
multifacetada
Calixto
foi pintor de marinhas, paisagens, costumes populares, cenas históricas e religiosas. Se
durante a sua vida a tendência era considerá-lo acima de tudo como pintor de história e
religioso (gêneros esses nos quais deixou abundante produção, inclusive na Catedral e
na Bolsa de Santos, no Palácio Cardinalício do Rio de Janeiro, na Igreja de Santa
Cecília em São Paulo e na Matriz de São João Batista em Bocaina), hoje costuma-se
conceder bem maior importância às cenas portuárias e litorâneas, nas quais extravasa
um caráter talvez rude, mas pessoal e profundamente sincero na abordagem dos diversos
aspectos da natureza.
Os
quadros em que fixou o desembarque do café, no primitivo porto de Santos, ao lado do seu
aspecto puramente documental, revestem-se de força expressiva, apesar da aparência algo
dura das embarcações; por outro lado, convém destacar certas cenas litorâneas ou
ribeirinhas, em que a um desenho algo ingênuo e a um colorido preciso aliam-se uma
nítida preocupação atmosférica e um grande respeito ao meio ambiente.
O artista
faleceu a 31 de maio de 1927, em São Paulo, tendo sido porém enterrado no Cemitério
de Paquetá, em São Vicente. Três anos antes, recebera do Papa Pio IX a comenda
e a cruz de São Silvestre Papa, em recompensa aos serviços prestados à Igreja com sua
arte.
Fonte: CD Rom «500 Anos da
Pintura Brasileira»
OBSERVAÇÃO:
O nome correto do local onde descansa Benedito
Calixto é
Cemitério do Paquetá e não fica em São Vicente, mas no
vizinho município de Santos.
Veja registro histórico e conheça
fatos
interessantes sobre esse local.
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Texto do livro "Um Século de Pintura"
de Laudelino Freire, escrito em 1916,
quando o artista estava vivo.
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[Benedito Calixto de Jesus é] nascido a 14 de outubro de 1853, na Vila Conceição de
Itanhaém, no litoral de São Paulo.
ITANHAÉM SP,
cid. (45.966 hab.) e mun. (45.966 hab.; 565 km2). Microrregião Itanhaém. Igreja matriz
de Santana e Igreja e Convento de N.S. da Conceição, tombados pelo IPHAN. (Enc.Koogan Houaiss)
Em 1881,
realizou a sua primeira exposição na capital de seu Estado. No ano seguinte, partiu para
Paris e fez-se aluno da Academia Julien, sendo discípulo de Lefebvre, G. Boulanger e
Robert Fleuri. Estudou, por esse tempo, também, com Vitor Meirelles.
Em 1884,
alcançou o segundo lugar no concurso de pintura e regressou ao Brasil, instalando-se em
São Vicente, onde reside.
SÃO VICENTE SP,
cid. (268.732 hab.) e mun. (268.732 hab.; 131 km2). Microrregião Santos. Fundada em 1532,
por ocasião da expedição de Martim Afonso de Sousa, é o mais antigo mun. brasileiro.
Centro turístico. Tombados pelo IPHAN os remanescentes e vila colonial de São Vicente,
particularmente a igreja matriz, compreendendo as obras de talha e imagens antigas. (Enc.Koogan
Houaiss).
Dedica-se ao magistério, sendo numerosa a lista dos seus discípulos. É artista assaz
operoso e laureado com medalhas da Academia e de outros institutos artísticos.
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