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O cidadão romano Nascido e falecido no Rio de Janeiro. Matriculando-se em 1837 na Academia Imperial de Belas-Artes, fez curso brilhante, ao término do qual conquistou a viagem à Europa, no Sexto Concurso do Prêmio de Viagem (1850), partindo a 25 de março do ano seguinte para a Itália. Em Roma, onde se fixou, tornou-se aluno do paisagista francês Jean-Achile Benouville. Datam da longa permanência italiana algumas de suas mais poéticas paisagens, "peças esplêndidas, executadas com a segurança de um grande artista, perspectiva perfeita, colorido harmonioso, tons quentes e de uma grande poesia", como delas escreveu Lígia Martins Costa. Vista de Roma, por exemplo, "é obra de inestimável valor pela precisão do toque, pela poética combinação da cor" (Arte brasileira, 1888). O cidadão brasileiro Retornando ao Brasil após longa permanência, em 1859 teve Agostinho José da Mota o destino que a Academia reservava aos que nela se destacavam: tornou-se seu professor, inicialmente de Desenho, e após 1860, de Paisagem, exercendo o magistério até o fim da curta vida. Mas, a despeito de ter exposto com grande sucesso nas diversas Exposições Gerais de Belas Artes (tanto que na de 1852 obteve medalha de ouro, e nas de 1868 e 1871 mereceu sucessivamente a Ordem da Rosa e a Ordem de Cristo) não chegou a desfrutar de popularidade, talvez porque, como explicou Araujo Viana, não gozasse das simpatias gerais por ser "irônico, pilhérico e mordaz". Amigo da raínha, mas bastante preguiçoso Em compensação, recebeu grande apoio da Imperatriz, que o tinha em alta conta e lhe encomendou paisagens e peças de flores, essas últimas pintadas a aquarela e por ela remetidas a seus parentes na Itália. Para o pouco reconhecimento público de Mota outros fatores iriam colaborar, como explica Gonzaga Duque: «Era inteligente, porém inativo, quase preguiçoso. Para tudo e a todos dizia sempre, com sua vozinha aflautada, débil, de menino raquítico: "Sim, mais tarde... Há de se fazer... Com vagar, filho, com vagar..."» E prossegue o grande crítico: «A natureza não foi o primeiro cuidado de Agostinho da Mota. Muitas vezes ele a desprezou para criar, combinar, harmonizar linhas que podem dar conta da fina delicadeza de seu gosto, porém nunca da sinceridade da sua comoção, e da espontaneidade das suas impressões. «Convencionalista, não por inabilidade, porém por preguiça, vinha fazer quadrinhos de cavalete, no ateliê, muito a gosto, metido no casaco de brim pardo, devagueando por fantasias douradas, entre duas fumaradas de cigarro e uma chávena de chá.» Buscando as imagens na fonte Gonzaga Duque acusa portanto Mota de nem sempre pintar do natural, muito embora o próprio artista rechaçasse com veemência esse tipo de acusação, como escreveu o já citado Araújo Viana num artigo que comemorava o 25º aniversário de sua morte: «Os desafetos o acusavam de nem sempre pintar do natural, calúnia que ele esmagava, fazendo com seus alunos, constantes exercícios de paisagem no Trapicheiro e em diferentes sítios pitorescos dos arredores da cidade.» Por conseguinte, a afirmativa de que não executava suas paisagens do natural era classificada como calúnia por alguém que, mesmo não o tendo conhecido pessoalmente, privou da intimidade de diversos alunos seus, como Modesto Brocos, Bernardelli, Pedro Peres ou José Maria de Medeiros. Se já da Vista de Roma, da década de 1850, diz Gonzaga Duque ser tirada do natural, cabe inegavelmente a Agostinho José da Mota papel pioneiro na história da pintura de ar livre brasileira, pois leva sobre Grimm prioridade de mais de 30 anos! Também do natural foram realizadas as paisagens que por solicitação de Dona Teresa Cristina pintou por volta de 1857, uma das quais, Paisagem do Rio de Janeiro desde o Caminho para Petrópolis, vendo-se a Baía de Guanabara, o Pão-de-Açúcar e outros morros do maciço carioca, encontrada em 1979 na Áustria, foi vendida num leilão em São Paulo dois anos depois, e hoje se encontra numa coleção privada nessa cidade. Agostinho José da Mota praticou, além da paisagem, a natureza-morta - em que era mestre inexcedível, existindo, no Museu Imperial de Petrópolis e em algumas coleções particulares, exemplos admiráveis dessa segunda faceta do seu temperamento. Terminou a vida pintando tabuletas E - coisa curiosa: se as paisagens, apesar de se constituírem numa novidade pelo fato de serem pintadas do natural, parecem mais convencionais, as naturezas-mortas são personalíssimas no que respeita a composição, atmosfera, tudo, oferecendo aspecto ao mesmo tempo ingênuo e arcaico, e evocando simultaneamente os primitivos norte-americanos, que ele não conheceu obviamente, e um pintor erudito como Carlo Magini (1720-1806), com cuja obra bem pode ter tomado contato durante os anos em Roma. Extraordinário artista e grande pintor, talvez o mais importante do seu tempo no Brasil, Mota levou uma vida de privações hoje incompreensível, sendo obrigado a pintar até tabuletas comerciais para viver e assinando-as não sem amarga ironia: A. J. da Motta, professor da Academia. Fonte: CD Rom «500 Anos de Pintura Brasileira» |
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Foi, do seu período, o artista mais notável, e também um dos melhores paisagistas brasileiros. Soube, com superioridade, firmar a sua individualidade artística, revelando-se conhecedor do desenho e um fino observador da natureza. |
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