Berço do Renascimento italiano, Florença é uma das cidades
mais belas do mundo. Muitos gênios, como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Dante
Alighieri, Filippo Brunelleschi e Nicolau Maquiavel, contribuíram para sua grandeza.
Florença (Firenze, em italiano) é a capital
da província homônima e da região italiana da Toscana. Está situada a 230km ao
noroeste de Roma e ocupa uma área em torno de 105km2. Foi fundada por motivos comerciais
e militares: o objetivo era controlar os únicos pontos navegáveis do rio Arno e os
montes Apeninos, nas rotas de norte a sul da península itálica. Fiel a sua tradição,
Florença conserva lugar de destaque na arte e na cultura italianas.
A cidade data do século I a.C. e foi
edificada junto às ruínas de uma cidade etrusca. Serviu inicialmente de alojamento para
uma guarnição militar romana e, quatro séculos depois, transformou-se num importante
centro comercial, dada sua localização no ponto nevrálgico das comunicações
terrestres da península itálica.
Após um longo período de letargia, em que
esteve sucessivamente sob domínio de ostrogodos, bizantinos e lombardos, a cidade
renasceu no século IX, quando se integrou ao império de Carlos Magno. Com as tensões
entre o papado e o Sacro Império Romano-Germânico, ao qual passou a pertencer desde 962,
junto com a Toscana, Florença teve governo autônomo desde fins do século XI.
Durante os séculos XIII e XIV, a cidade foi
agitada por lutas contínuas entre os guelfos, partidários do poder papal, e os
gibelinos, vinculados ao império alemão. Mesmo assim, essa foi uma época de esplendor
econômico e cultural, com escritores que se tornaram imortais, como Dante, Petrarca e
Boccaccio, e pintores como Giotto.
No princípio do século XV, uma família de
banqueiros, os Medici, tomou o poder, que conservaria até 1737, data em que Florença foi
anexada pelo duque de Lorena. Os Medici criaram um poderoso estado toscano e, com seu
mecenato, imprimiram grande impulso à cultura renascentista em Florença.
No século XVIII teve início uma fase de
decadência artística e social, motivada pelas guerras e pela instabilidade política.
Grande parte da herança cultural da cidade perdeu-se pelo desleixo ou pelo uso indevido
de seus edifícios, situação que se agravou com alguns acidentes naturais, como
inundações provocadas pelas cheias do rio Arno. No século XX, porém, muitas medidas
foram tomadas para proteger o acervo cultural e artístico de Florença.
Embora nas últimas décadas do século XX a
cidade tenha experimentado acentuado progresso industrial, suas principais fontes de renda
são o turismo e o artesanato. A atividade artesanal florentina produz objetos de vidro e
cerâmica, reproduções de obras de arte e trabalhos em metais preciosos, cujos pontos de
venda se estendem pela cidade inteira. Predominam os mercados ao ar livre, como o de
ourivesaria do Pontevecchio.
Florença tem muitos museus, dos quais o mais
importante é a Galleria degli Uffizi. A cidade conta também com a Biblioteca Nacional
Central, onde é possível encontrar exemplares de todos os livros publicados na Itália
desde 1870. A vida universitária é muito intensa. Além dos estabelecimentos de ensino
italianos, funcionam universidades de outros países, como as de Grenoble e Harvard,
dedicadas ao estudo do Renascimento italiano.
O centro da cidade pouco mudou desde sua
época de máximo esplendor, ou seja, o período situado entre os séculos XIII e XV.
Conserva-se o traçado das antigas ruas romanas, que cruzavam o núcleo urbano. Desde o
século XIII, o centro político é a praça da Signoria, antiga sede dos governos de
Florença. A praça da Repubblica e arredores, com muitos cafés, livrarias e lojas de
antiguidades, formam o centro comercial.
A arquitetura religiosa florentina é um dos
principais centros de interesse da cidade. O edifício mais antigo é o batistério de San
Giovanni, em estilo romano, com planta octogonal, decorado exteriormente em mármore
verde.
A catedral de Santa Maria del Fiore, no estilo
gótico com influências toscanas, obra de Arnolfo di Cambio, foi iniciada em 1296 e
finalizada em 1436, quando se ergueu a cúpula projetada por Filippo Brunelleschi. Outros
monumentos religiosos de particular interesse são a basílica de San Lorenzo, a igreja do
Santo Spirito, a de Santa Croce etc.
A cidade conta mais de meia centena de
palácios, dos quais o maior e historicamente mais importante é o palácio Pitti, que foi
residência dos Medici e depois dos Lorena. Esse palácio foi projetado por Brunelleschi,
a quem se deve igualmente a fachada do Hospital dos Inocentes, tida como a primeira obra
arquitetônica do Renascimento.
Outros palácios famosos são o da Signoria, o
Medici-Riccardi e o Strozzi. Entre os belíssimos jardins de Florença destaca-se o de
Boboli, pela extensão e antiguidade.