Annibale Carracci
1560-1609
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Os irmãos Carracci

     Os três Carracci e seus discípulos (Guercino, Guido Reni e Domenichino) foram vistos nos séculos XVII e XVIII como os maiores pintores italianos depois de Michelangelo e Rafael. A partir de 1850 caíram em descrédito, mas foram reabilitados pela exposição coletiva de suas obras em Bolonha (1956).


Annibale Carracci, irmão de Agostino e primo de Lodovico, nasceu em Bolonha em 3 de novembro de 1560. É o maior dos três artistas da família e um dos melhores pintores italianos da época. Inicialmente foi maneirista, como demonstra seu "São Roque entre os doentes" (Gemäldegalerie, Dresden). A academia converteu-o ao ecletismo, ao qual conseguiu inspirar dramaticidade e vigor como nenhum outro adepto da escola. Suas obras-primas são os grandes afrescos mitológicos (1595-1604) no Palazzo Farnese em Roma, sobretudo o famoso "Triunfo de Baco". Exemplo do forte talento realista de Annibale Carracci, que morreu em Roma em 15 de julho de 1609, é a "Refeição de camponeses" (Galleria Colonna, Roma).


Agostino Carracci foi batizado em 16 de agosto de 1557. Estudou em Veneza, principalmente desenho e gravura, tornando-se o maior gravador italiano da época. Depois estudou pintura com seu primo Lodovico, em Bolonha, onde dirigiu a academia junto com seu irmão Annibale. Suas viagens a Parma foram responsáveis pelo culto da escola a Correggio. Em Roma, colaborou com Annibale em seus grandes trabalhos. Dos poucos quadros conservados de Agostino Carracci, que morreu em Parma em 23 de fevereiro de 1602, o mais famoso é a "Última comunhão de são Jerônimo" (Academia de Belas-Artes, Bolonha).


Lodovico Carracci foi batizado em 21 de abril de 1555. Com seus primos Agostino e Annibale fundou em Bolonha a Accademia di Belle Arti, que opôs ao maneirismo da segunda metade do século XVI um ecletismo classicista, disposto a reunir o desenho de Rafael ao colorido de Correggio. Durante todo o século XVII a influência da escola de Bolonha se fez presente na Europa. No grupo de seus fundadores, Lodovico Carracci, que morreu em Bolonha em 3 de novembro de 1619, foi principalmente o grande teórico. Mas sua "Madona" (Academia de Belas-Artes, Bolonha) demonstra que também foi bom pintor.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.


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Vênus e Adonis (1595-circa)
Óleo sobre tela - 216 x 246 cm

Kunsthistorisches Museum, Vienna


     Ao que se sabe, dos três pintores da família Carracci, tanto Agostinho quanto Annibale foram treinados no estúdio do primo Ludovico. É certo que eles trabalharam juntos em várias ocasiões mas fica fora de dúvida que Annibale era o verdadeiro gênio, com um potencial que o tornou um dos grandes reformadores da História da Pintura.

     De sua estreia em Bolonha, com a Crucificação e Santa Maria da Caridade (1583), Annibale pareceu determinado a rejeitar a aspereza cerebral e as fórmulas insípidas dos maneiristas.

     Uma proveitosa viagem de estudos, feita por volta de 1585, permitiu a Annibale um contato com a obra de grandes mestres, como e , assimilando o uso da cor, mas ele aplicou essa observação em um caminho mais avançado e moderno.

     A fundação da Academia dei Desiderosi foi de suprema importância para a arte, assim como criou a convicção de que a pintura clássica contemporânea ainda deveria ser aprendida. Todos os Carracci enfatizaram a importância do desenho (os três eram brilhantes artistas gráficos) e esse conceito foi a marca da Escola Bolonhesa por eles fundada.

     Por volta de 1595, tanto os Carracci quanto a Academia por eles fundada mudaram-se para Roma. Este foi um virtual reconhecimento da reforma realizada por este movimento artístico, levando as idéias a um centro importante onde elas poderiam ser debatidas. Graças aos três, Roma tornou-se o centro de irradiação das mais recentes idéias e experiências realizadas em arte no Século 17.

    O quadro Vênus e Adonis, reproduzido acima, foi pintado nesse período de transferência dos Carraci de Bolonha para Roma e está imerso no estilo barroco que, ao contrário do que muitos imaginam, não está centrado na pintura religiosa, que era destinada a igrejas e outros locais de concentração popular. O ambiente refinado dos palácios manifestava sua preferência por temas mitológicos e por paisagens e retratos, onde motivos sensuais predominavam sobre temas religiosos. (traduzido e adaptado).

 


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