Em seus quadros, tanto os
profanos quanto os religiosos, não utilizou outro modelo além da crua realidade,
pintando seus personagens sem qualquer processo de idealização. Esta forma de tratar as
composições religiosas acabou por atrair a atenção da Contra-Reforma, já que, por seu
caráter devocional, facilitava a identificação dos fiéis com os modelos de santidade,
embora, a vulgarização de alguns desses personagens acabou criando problemas com a
Igreja. Foi, ainda assim, muito importante sua utilização do claro-escuro para imprimir
maior dramaticidade a suas obras.
Seu verdadeiro nome era
Michelangelo Merisi e nasceu em 28 de setembro de 1573, na cidade de Caravaggio
(Lombardia), o que deu origem ao nome artístico. Após a morte prematura do pai, ficou
sob a tutela do tio, que lhe permitiu mudar-se para Milão em 1584, para tornar-se
discípulo de Simone Peterzano. Nas obras destes primeiros anos de formação, já se pode
observar essa concentração no tema principal do quadro, que se tornaria em marca
inconfundível deste artista.
Por volta de 1589, viajou a
Roma e, depois de permanecer algum tempo doente, no Hospital Nossa Senhora da
Consolação, começou a trabalhar na oficina do pintor maneirista Giusepe Cesari, também
conhecido como o Cavaleiro de Arpino.
De sua primeira época, se
conservam várias obras, com o Baco jovem (1590-circa), Menino com cesto de
frutas (1590-circa), Descanso na fuga ao Egito (1590) e David vencendo
Golias.
Dentro da pintura de
gênero (cenas da vida cotidiana), conhece-se o quadro intitulado Os músicos
(1591-1592), realizado para seu primeiro grande mecenas, o cardeal Francesco Maria del
Monte. Cenas como O bem-aventurado (1594) exerceram uma atração especial sobre
os seguidores do artista.
A pintura de Caravaggio
alcançou sua maturidade ao redor de 1600, quando se encarregou da decoração da Capela
Contarelli, na Igreja de São Luís dos Franceses, em Roma, com três cenas da vida de
São Mateus: São Mateus e o anjo, Martírio de São Mateus e Vocação de São
Mateus (1500-1600).
Neste último, São Mateus
aparece rodeado de um grupo de pessoas ocupadas em contar moedas, vestidas à moda da
época. Um raio de luz irrompe violentamente por cima da figura de Jesus Cristo, que se
apresenta ao santo com gesto autoritário.
Ao redor de 1601,
Caravaggio recebe seu segundo encargo importante, o de pintar a Conversão de São
Paulo e a Crucificação de São Pedro, para a Capela de Santa Maria do Povo,
em Roma.
Caravaggio teve uma vida
turbulenta, devido ao seu temperamento violento e belicoso, que o levou à prisão por
várias vezes. Em 1606, foi acusado de assassinato e fugiu de Roma para Nápoles, onde
passou vários meses, realizando obras como a Virgem do Rosário (1607), uma
iniciação importante para os artistas dessa cidade no estilo Barroco.
Ao final de 1607, viajou a
Malta, onde foi nomeado Cavaleiro da Ordem de Malta, e pintou o retrato do grande mestre
da ordem, Alof de Wignacourt (1608).
Em outubro de 1608, teve de empreender nova fuga,
desta vez com destino a Siracusa, na Sicília. Ali pintou várias telas de grande tamanho,
entre as quais se inclui o Enterro de Santa Lúcia (1608) e Ressurreição de Lázaro
(1609). Nestas obras, predominam os tons escuros, com a utilização da luz para conseguir
efeitos pictóricos de grande dramatismo.
Em 1610, de volta a
Nápoles, envolveu-se em outra briga e foi ferido. Livrou-se do ferimento mas não se
livrou da morte, nesse mesmo ano, em Porto Ercole, Toscana, vitimado pela fome e pela
malária, quanto tentava regressar a Roma.