O COMEÇO DO FIM
(do livro "História do Brasil", de Heródoto Barbeiro,
1984, Editora Harper & Row)

    O fechamento da Assembléia Constituinte, a repressão à Confederação de Pernambuco e a Guerra da Cisplatina desgastaram profundamente D. Pedro I.  O Primeiro Reinado foi bastante agitado. Os fatos se sucederam com grande rapidez, provocando reações desconhecidas para uma nação nova como o Brasil. O problema social se agravava com as constantes rixas entre os portugueses, que eram causadas, desde o bairrismo de parte a parte, como da situação cômoda que alguns reinós ocupavam no comércio, na administração pública e no Exército. As relações entre os poderes Executivo e Legislativo eram tensas e constantes ataques se faziam a D. Pedro. A oposição crescia e os deputados convocaram os ministros para expor e justificar medidas tomadas e atos do governo.

    A Aurora Fluminense, dirigida por Evaristo da Veiga, comandava a oposição da imprensa. Os deputados que atacavam o governo passaram a gozar de grande popularidade, explorando principalmente o fato de o imperador ser português. O final da primeira legislatura, em 1829, apresentou um saldo muito favorável à oposição. José Bonifácio, de volta do exílio, tornou a aconselhar D. Pedro a substituir os ministros portugueses por brasileiros, o que faria com que a situação política melhorasse. Assim, ministros brasileiros compuseram o chamado Ministério Popular, que teve duração efêmera, entretanto, na medida em que as disputas internas iam desgastando este ou aquele nome.

    A política internacional girava em torno da derrubada do poder de todos os monarcas que ainda lembrassem o absolutismo. Em 1830, estourou uma nova onda revolucionária liberal européia, a partir da França. E, ironicamente, se colocava a figura do Imperador como um monarca absoluto.

    A oposição se organizava em várias províncias, atacando tanto D. Pedro como os portugueses. Os liberais provocaram protestos públicos, o que culminou com o assassinato, em São Paulo, do jornalista Líbero Badaró, que teve a mais ampla repercussão. Quando D. Pedro visitou as cidades de Minas Gerais, os sinos dobravam toque de finados por Badaró. Isto irritou muito o Imperador.

    Quando D. Pedro voltou ao Rio de Janeiro, seus adeptos realizaram grandes festas, de forma que isso significasse uma afronta aos brasileiros. Esta provocação se transformou em conflito público, conhecido como a Noite das Garrafadas. D. Pedro demitiu o Ministério Liberal, impondo um outro, conservador. Novas agitações. Políticos contaram com o apoio das tropas e levaram o povo para a rua. Diante da ameaça de guerra civil, D. Pedro 1º abdicou do trono, em 1831, e voltou para Portugal.


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