UM "PRACINHA" QUE VIROU PRESIDENTE
O Mal. Humberto de Alencar Castelo Branco, Presidente da República do Brasil entre 1964 e 1967, serviu na FEB-Força Expedicionária Brasileira como Tenente-Coronel. O roteiro, desde a organização da FEB até a vitória final, foi contado por John W.Foster Dulles (escritor americano, brasilianista), num capítulo do livro "Castelo Branco-O Caminho para a Presidência", Livraria José Olímpio Editora, 1979.
A organização da FEB (1943-1944)
Castelo Branco, enquanto preparava tenentes de Infantaria no Realengo, foi promovido a tenente-coronel, a 15 de abril de 1943. Nessa ocasião, o Brasil já estava em guerra com a Alemanha e a Itália. E a instrução no Realengo foi intensificada, com a supressão de férias.
O Ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, estava trabalhando em planos para corresponder à declaração surpreendente feita pelo Presidente Vargas, a 31 de dezembro de 1942, de que o Brasil forneceria tropas - não uma simples expedição de contingentes simbólicos - para combater o inimigo, do outro lado do Atlântico.
Os planos de Dutra, que no início previam o envio de 100 mil homens ao exterior, foram modificados por mais uma vez durante longas discussões com os representantes do governo dos Estados Unidos.
A escola americana
Enquanto isso, oficiais brasileiros eram levados para fazer cursos em bases militares norte americanas, a maioria deles passando três meses na Escola de Comando e Estado-Maior de Fort Leavenworth, no Estado de Kansas.
Castelo Branco, que foi um deles. Deixou o Rio em julho de 1943, com o primeiro grupo de oficiais que estagiou. Seguiram com ele três coronéis, dois dos quais eram Henrique Batista Duffles Teixeira Lott e Floriano de Lima Brayner, e oito outros tenentes-coronéis, sendo um deles Amaury Kruel.
Em Fort Leavenworth, Castelo aprendeu a substituir os métodos de luta dos franceses pelos métodos norte-americanos. [até então, o treinamento militar no Brasil era feito pela missão francesa] Em vez de confiar demasiadamente na guerra de trincheiras voltada para a defesa maciça, ali o ensino era orientado no sentido dos movimentos rápidos e audaciosos. Além disso, esses movimentos eram altamente motorizados, com menos marchas a pé e com o papel dos cavalos grandemente reduzido.
Comparados com os franceses e os brasileiros, os norte-americanos pareciam ter uma quantidade infinita de equipamentos mecanizados a seu dispor. Eles propunham também a padronização das armas, adotando as de 105 mm e 155 mm, que o Brasil ainda não possuía.
Os postos de comando
Os coronéis e tenentes-coronéis do grupo brasileiro de Fort Leavenworth esperavam servir em postos do Estado-Maior de três divisões (de cerca de 25.000 homens cada uma) da FEB - Força Expedicionária Brasileira, que o Brasil pretendia enviar, então, ao exterior.
Quando esses oficiais voltaram ao Brasil, em outubro de 1943, o general João Batista Mascarenhas de Morais, escolhido para chefiar a Primeira Divisão de Infantaria da FEB, já estava escolhendo os membros graduados de seu Estado-Maior.
Por sugestão do major Aguinaldo José Sena Campos, que servira em íntima cooperação com Mascarenhas no Nordeste e em São Paulo, o general decidiu que Castelo Branco seria o chefe da Terceira Seção (Operações) e Amauri Kruel o da Segunda Seção (Informações). A calorosa amizade entre os dois tenentes-coronéis fora considerada importante. Mascarenhas achou que o próprio Sena Campos devia chefiar a Quarta Seção (Logística), embora sendo ainda apenas major e apesar de não ter feito o curso de Fort Leavenworth.
Para o chefe de Estado Maior da Divisão, Mascarenhas deixou de escolher o coronel Lott, que era mais antigo, mas com quem tivera séria altercação em Pernambuco, preferindo confiar tal posto ao coronel Brayner, a quem pouco conhecia, mas tinha a vantagem de ser o preferido de Dutra. Brayner, segundo Sena Campos informara a Mascarenhas, tinha sido um bom instrutor de tática na Escola do Estado-Maior.
Ainda que Brayner tivesse, em 1936, preparado o despacho favorável ao requerimento de Castelo Branco para estudar em Paris, as relações entre os dois tinham sido frias, quando ambos tinham que se ver com a instrução no Realengo, em 1941.
A 12 de outubro de 1943, quando Mascarenhas e Brayner discutiram o preenchimento dos postos do Estado-Maior da Divisão, o coronel não gostou da escolha de Castelo para chefiar a Terceira Seção. Mas o general já havia escolhido as principais figuras de seu Estado Maior e aceitou apenas uma das sugestões de Brayner: a de que Kruel fosse o chefe da Segunda Seção.
O general informou, então, que Sena Campos chefiaria a Quarta Seção, rejeitando os candidatos de Brayner para essa e para a Primeira Seção (Pessoal), para a qual nomeou Thales Ribeiro da Costa. Quanto à escolha de Castelo para a Terceira Seção, disse que, embora não o conhecesse, o tenente-coronel cearense lhe fora calorosamente recomendado por Ademar de Queiroz.
A indicação de Castelo Branco
"Mãos à obra, Mendes", diria Castelo Branco, com bom humor, ao Major Luís Mendes da Silva, a quem chamara para ajudá-lo na Terceira Seção, nos trabalhos de treinamento da Divisão.
A tarefa não era fácil. Para começar, os soldados de infantaria ainda não dispunham do novo armamento, semelhante ao que os Estados Unidos prometiam fornecer quando tivessem chegado ao destino, no exterior. Os armamentos brasileiros eram, ainda relíquias da Primeira Grande Guerra.
Outro obstáculo ainda maior era o de um local, na vastidão do Brasil, onde as unidades pudessem treinar em conjunto. Essas unidades estavam subordinadas aos comandos das Regiões Militares e não ao da FEB.
Por algum tempo, a FEB mal conseguia dar a impressão de que existia - exceto em sua sede, à rua de São Francisco Xavier, onde o trabalho burocrático consistia em traduzir regulamentos militares dos Estados Unidos e em estabelecer uma data para o impossível objetivo a ser alcançado - a "americanização" da força de combate.
Os problemas da FEB
Parte da falta de harmonia na preparação da FEB tem sido atribuída à discórdia reinante entre os oficiais de Artilharia e os de Infantaria. O comandante da Primeira Divisão, Mascarenhas de Moraes, de 60 anos, era um general-de-divisão que viera da artilharia e estava mais ligado ao general-de-brigada Osvaldo Cordeiro de Farias, diretor da Divisão de Artilharia, do que o general-de-brigada Euclides Zenóbio da Costa, escolhido por Dutra para chefe da Divisão de Infantaria.
Para Mascarenhas, os problemas mais sérios não eram os criados dentro da FEB, mas os que surgiram fora dela. Homens que se opunham à própria constituição da Força Expedicionária Brasileira - alguns deles dentro do próprio governo - tentaram obstruir o trabalho de Mascarenhas e de sua equipe.
Nem ao menos podia ele contar com qualquer ajuda do Chefe do Estado-Maior do Exército, General Góis Monteiro. O terrível Góis estava sempre criticando Mascarenhas e tudo quanto ele fazia para organizar a FEB. Dentro desta, o pessimismo era grande, em dezembro de 1943, enquanto Mascarenhas se encontrava ausente, conferenciando com os líderes militares aliados na África e na Itália. Mas com o seu regresso, e a renúncia de Góis ao cargo de Chefe do Estado-Maior do Exército, algumas melhorias se verificaram.Em maio de 1944, Vargas e outras notabilidades observaram com orgulho o desfile da Primeira Divisão de Infantaria marchando nos arredores do Rio, enquanto a artilharia demonstrava sua perícia no campo de treinamento de Gericinó. A artilharia foi largamente aplaudida.
Mas Mascarenhas de Moraes chamou Castelo Branco para escrever os comentários do Comando sobre a demonstração da artilharia. E esses comentários críticos denunciaram uma falha. O que fora testemunhado, diziam, não passara de uma exibição apropriada para tempos de paz. Onde estavam os fatores inesperados para os artilheiros, que teriam aproximado seus exercícios das realidades de uma guerra?
Preparando o embarque
Castelo superou facilmente as reações desfavoráveis provocadas por suas críticas. É que ele estava causando excelente impressão a Mascarenhas, que encontrara nele um colaborador alerta, consciencioso e preciso na preparação técnica das tropas. Era ele, de acordo com o general, brilhantemente inteligente e dotado de uma capacidade de trabalho altamente eficiente.
Com o restante do Estado-Maior de Mascarenhas, Castelo concentrou-se, então, na preparação para o embarque. Uma grande armação de madeira, imitando um dos costados de um navio foi erguida na Vila Militar. Os ensaios do embarque foram cuidadosamente supervisados e os soldados receberam minuciosas instruções.
Mudanças no processo de embarque teriam de ser feitas, depois que o adido militar dos Estados Unidos no Rio, secretamente, avisou a Mascarenhas e a alguns de seus oficiais, inclusive Castelo, de que o transporte para o outro lado do Atlântico, ameaçado pelos alemães, não deveria ser feito pela Marinha Mercante do Brasil, mas por formidáveis e rápidos vasos dos Estados Unidos, cada um deles capaz de conduzir 6 mil homens.
Para preparar o embarque do primeiro contingente, um Estado-Maior especial foi constituído em caráter temporário, com o adido militar dos Estados Unidos como coordenador. Seus outros membros eram Brayner, Castelo, Kruel e dois oficiais da Missão Militar dos Estados Unidos.
Muitos viam a Pátria pela última vez
Ao amanhecer do dia 30 de junho de 1944, Castelo Branco estava nas docas do Rio. Ali, um dos grupos táticos da FEB, secretamente escolhido para ser o primeiro destacamento a embarcar. Estava chegando da Vila Militar num trem, com as janelas fechadas com tábuas.
Cerca de 5.000 homens, avisados apenas que estavam sendo transferidos para outra área de treinamento, receberam com surpresa a ordem de marchar para bordo de uma fortaleza flutuante, o navio transporte norte-americano "General Mann".
Muitos nem sequer se despediram de suas famílias. A maioria desses homens pertencia ao 6º Regimento de Infantaria, de Caçapava, São Paulo, conhecido como o Regimento Ipiranga.
Embora, durante a viagem transoceânica, eles estivessem sob o comando do general Zenóbio da Costa, que tinha seu próprio Estado-Maior, o general Mascarenhas insistira em embarcar, no mesmo navio, com os principais oficiais do Estado-Maior da Divisão.
Castelo Branco estava no "General Mann" quando, à meia-noite, o Presidente Vargas foi a bordo para dizer aos expedicionários que a nação acompanharia suas atividades com o pensamento ungido pelas mais fervorosas preces a Deus.
A chegada em Nápoles
Escreve Castelo: A viagem transoceânica, iniciada a 2 de julho de 1944, tinha tido momentos de monotonia, de apreensão e de divertimento. Muito convívio com camaradas, leitura em grande parte do dia, várias noites com cinema (fitas instrutivas, ou em torno de soldados, sempre com muita música). Amaury Kruel foi o seu mais íntimo companheiro de viagem.
O desembarque no que restava de Nápoles foi realizado sob um sol ardente, num porto cheio de navios, com dirigíveis cruzando o céu e o Vesúvio fumegando ao fundo.
Os soldados brasileiros, que os italianos supunham ser prisioneiros germânicos, por causa da cor verde-oliva de seus uniformes, foram a pé para Agnano, a 25 quilômetros de Nápoles.
Felizes por terem saído da prisão flutuante em que viajaram, deveriam ter acampado em tendas no bosque que cercava a cratera de um vulcão extinto, mas passaram sua primeira noite na Itália ao relento, porque os norte-americanos se atrasaram no fornecimento da maioria das tendas prometidas.
Foram a Roma e viram o Papa
Durante sua segunda noite em Roma, o embaixador do Brasil no Vaticano avisou a Zenóbio que o Papa Pio XII o receberia e a seus companheiros, no dia seguinte.
A reação de Zenóbio à notícia dessa audiência, resultado de um mal-entendido acerca dos desejos do general, foi explosiva. Ele exclamou que não tinha tempo para visitas. Somente quando lhe foi dito que o cancelamento da audiência deixaria o embaixador numa posição embaraçosa ele concordou em comparecer.
Falando em bom português, Sua Santidade disse aos oficiais que a misericórdia divina é infinita e saberá protegê-los na volta aos lares do nosso amado Brasil.
E deu a cada um deles uma medalha e um retrato seu. Como os demais, inclusive Zenóbio, Castelo ficou profundamente comovido com a breve cerimônia.
Treinamento em Tarquinia
Ao amanhecer do dia 31 de julho de 1944, Castelo Branco, queimado de sol, deixou Agnano para levar o primeiro grupo de soldados brasileiros, de caminhão, para Tarquínia (local de treinamento), numa rota de 350 km de uma área dois meses antes ocupada pelos alemães, que agora se defendiam em Florença e noutros pontos, ao longo do vale do Arno.
Depois da partida do primeiro grupo de caminhões, os demais brasileiros foram transportados em trens, para Tarquínia. Aí, a 5 de agosto de 1944, todos os 5 mil homens de Zenóbio foram incorporados ao 5º Exército norte-americano, que estava avançando com êxito pela costa ocidental-sul da Itália.
Mascarenhas voou, então, para o Quartel General norte-americano em Cecina, 40 km ao Sul do rio Arno, a fim de conferenciar com o general Mark Clark, o alto e eficiente comandante do 5º Exército norte-americano.
Já era sabido que o 8º Exército Britânico havia acabado de desalojar os alemães de Florença, mas também era sabido que as forças aliadas na Itália estavam sendo enfraquecidas com as transferências de contingentes, em grande escala, para a invasão do Sul da França.
Americanos inspecionam a FEB
Cabia às forças que ficariam na Itália manter pressão sobre os alemães para evitar que eles transferissem muitas de suas forças à França. Nessa estratégia, os brasileiros poderiam desempenhar um papel útil, mas antes de decidir qual seria este, Mark Clark resolveu enviar oficiais norte-americanos para inspecionar os brasileiros.
Durante essa inspeção, em Tarquínia, a 12 de agosto, Castelo e outros oficiais explicaram, através de intérpretes, seus planos de treinamento. Os norte-americanos, satisfeitos com o que viram e ouviram, decidiram que o novo e rigoroso treinamento deveria ser realizado em terreno íngreme, perto da frente de combate, e tomaram Castelo Branco emprestado para trabalhar com eles na escolha de um novo local, mais apropriado aos exercícios.
Acabou por ser escolhida a cidade litorânea de Vada, ao Sul de Pisa e perto do Quartel General do 5º Exército, localizado em Cecina. Os 200 km de distância foram percorridos pelos brasileiros numa viagem noturna, realizada por 500 veículos.
A transferência para Vada tinha quase terminado quando o Primeiro Ministro Inglês, Wiston Churchill visitou Cecina e onde a guarda formada em sua honra incluiu uma companhia brasileira.
Treinamento em Vada
Durante o período de rigoroso treinamento em Vada, já com o equipamento recebido em Tarquínia e, depois, no novo campo, os brasileiros foram instruídos por cerca de 270 oficiais norte-americanos, comissionados ou não comissionados.
Castelo Branco mantinha contatos diários com o major Vernon Walters, oficial de ligação do general Mark Clark, que era eficiente poliglota e pessoal representante do comandante do Quinto Exército junto aos brasileiros. Walters foi confrontado com firmes exigências de Castelo no tocante ao equipamento que, a seu ver, os brasileiros deveriam receber.
Mas o major norte-americano sempre o considerou justo, com uma perfeita compreensão dos problemas de que tratava, e sempre inclinado a introduzir uma nota de humor ou de espírito nas discussões, quando começavam a se azedar.
O esbelto major norte-americano ficou impressionado com a rápida mentalidade analítica de Castelo, sua capacidade de descartar-se das coisas triviais e de se concentrar no que era essencial. Walters também observou que o baixinho coronel brasileiro nunca estava contrafeito, não parecendo arrogante ou subserviente, nem jamais tendo medo de exprimir sua opinião. Walters, homem profundamente religioso, admirava a integridade de Castelo e notou que este, impaciente com a incompetência, tinha pouca disposição para tolerar a fraqueza e o falseamento da verdade.
O Dia do Soldado
O dia 25 de agosto é, para os brasileiros, o "Dia do Soldado". Conseqüentemente, nesse dia, Mark Clark e outros oficiais norte-americanos passaram em revista as tropas brasileiras, ouvindo-as cantar o Hino Nacional e a canção norte-americana "God Bless America". O Gal. Chadebec de Lavallade estava, também, presente, tendo vindo especialmente da base de Toulon, no sul da França, para tais cerimônias.
Castelo estava muito ocupado, pois ele e um coronel norte-americano haviam sido encarregados de organizar a última fase do treinamento intensivo dos 5 mil brasileiros, que durou até 10 de setembro, quando os brasileiros foram designados para desenvolver um problema de equipe de combate regimental durante dois dias, sob as vistas dos 270 instrutores norte-americanos.
O general Mark Clark, presente ao segundo dia dessa prova, achou que a equipe de combate dos brasileiros parecia muito boa e entusiasmada para entrar em ação. Declarou-a pronta para batalhar.
Com Zenóbio da Costa no comando da equipe de combate, as tropas foram incorporadas ao 4º Corpo do 5º Exército, comandado pelo general Willis D. Crittenberger.
Como formavam os aliados
Os brasileiros, que eram os únicos latino-americanos lutando em solo europeu, iriam desempenhar um papel destacado nos ataques feitos pelo 15º Grupo dos Aliados, constituído pelo 8º Exército britânico e o 5º Exército norte-americano, sob o comando geral de Sir Harold Alexander.
As tropas alemãs, comandadas pelo marechal-de-campo Albert Kesselring, estavam se defendendo ao longo da Linha Gótica, no Norte da Itália, desde a base naval de La Spezia, no mar da Ligúria, a Rimini, no mar Adriático.
As tropas britânicas assediavam a parte oriental dessa linha e as do 5º Exército, sob o comando de Mark Clark, a parte ocidental. O 5º Exército, recentemente desfalcado em sete divisões, desviadas para os desembarques aliados efetuados no sul da França, era constituído por dois Corpos de Exército, o 2º e o 4º.
O 2º Corpo operava à esquerda do 8º Exército britânico, ou seja, ao norte de Florença. Concentrando suas forças e reduzindo a frente de combate, esperava desalojar os alemães de Bolonha. O Quarto Corpo, do Gal. Crittenberger, defendia uma frente de 90 km a Oeste do Segundo Corpo, até o mar da Ligúria, estando nela incluída a parte mais escarpada dos Apeninos.
O 4º Corpo tinha missão de abrir brechas na Linha Gótica, devendo dar ao inimigo a impressão de que os ataques decisivos iriam ser desfechados em sua área. Mas, de acordo com o The Final Campaign Across Northwest Italy (A luta final através do Noroeste da Itália) o papel do 4º Corpo, como fora inicialmente concebido, não deveria ser particularmente agressivo.
Servindo com o 4º Corpo, estavam a 1ª Divisão Blindada norte-americana, a 6ª Divisão Blindada sul-africana, 0 47º Regimento Ligeiro Antiaéreo britânico, o Batalhão de Infantaria nipo-americano e a Força-Tarefa 45, uma "força-tarefa constituída por artilheiros norte-americanos e ingleses, agindo como infantaria, com guerrilheiros (partegiani) italianos, brasileiros, e tropas negras dos Estados Unidos.
A primeira conquista, a gente nunca esquece
A 15 de setembro de 1944, em Vecchiano, ao Norte de Pisa, o grupo de combate de Zenóbio, ao qual se juntaram três Companhias norte-americanas de tanques, substituiu uma força norte-americana que estava sendo desligada do 4º Corpo.
Um pouco mais ao norte, os brasileiros encontraram pouca resistência quando conquistaram aos alemães o controle de três cidades: Massarosa, Bozzano e Quiesa.
A libertação de Massarosa, a primeira posição italiana conquistada pelos brasileiros, ocorreu a 16 de setembro e induziu o general Mark Clark a enviar um telegrama de congratulações a Mascarenhas. O general Crittenberger, por sua vez, congratulou-se com Zenóbio. Brayner escreveu: Estivemos em Massarosa, Quiesa e Bozzano, estimulando e impulsionando o escalão de ataque.
Ainda que Mascarenhas e membros destacados do Estado-Maior da Divisão tenham visitado a linha de frente, todos esses oficiais, exceto Castelo, passaram a maior parte do tempo no Quartel General do 5º Exército, em Florença, ou na vizinha Pisa, instalando o Quartel-General da 1ª Divisão da FEB, na Quinta Real de San Rossore, antigo parque de caça da família real italiana.
Instalações para treinamento foram preparadas, ali, para o 2º e 3º Destacamentos da FEB que, em pouco tempo, deviam embarcar no Brasil.
Sobre repórteres, escreve Castelo a sua mulher, dona Argentina: Você não pode imaginar quantos correspondentes de guerra estão por trás das linhas. Falam com os soldados, comem com eles e depois partem, ao fim do dia, sem mandar qualquer notícia.
Os avanços brasileiros
Os avanços brasileiros ocorreram quando os alemães, evitando combates decisivos, destruíam pontes e depois se retiravam, ordenadamente, para posições mais fortes.
Os inimigos que se retiraram do Monte Pramo, de pouco valor tático, alcançaram uma zona particularmente montanhosa em que o 4ºCorpo achava extremamente difícil penetrar no momento. Por isso, a 28 de setembro, a Força de Zenóbio recebeu ordens para mover-se para o leste, a fim de alcançar o vale do rio Serchio e segui-lo rumo ao Norte, assim se aproximando do baluarte alemão de Castelnuovo di Garfagnana.
O avanço fez Castelo Branco transferir-se de Quiesa para Ponte a Moriano. velha cidade à margem do rio Serchio, cercada por muralhas construídas ha mais de mil anos. "Estou dormindo num castelo já desnudo de todos os seus móveis e louças. Já estive instalado em casas de camponeses e em castelos de condes e barões".
No início dessa nova operação, os brasileiros foram prejudicados por fortes chuvas. Mas recomeçaram o avanço a 4 de outubro e, a 6 de outubro, entravam nas cidades de Fornaci e Coreglia Antelminelli. O então 4º Corpo, necessitando de auxílio na costa ocidental, pediu emprestado o 1º Batalhão do Major João Carlos Gross e uma parte do Batalhão de Artilharia da "equipe de combate". O restante da força de Zenóbio, desgostosa com esse fracionamento, teve de se limitar principalmente a trabalhos de reconhecimento e aos reparos de estradas e pontes, até que a tropa emprestada retornasse, a 14 de outubro.
O castigo de uma nação derrotada
Castelo escreve a sua mulher, D. Argentina: "Os aliados nada roubam, nada levam. Mas a invasão nas propriedades é quase impiedosa. E o italiano já está acostumado: alojou soldados italianos e alemães, e agora passa uma onda enorme de americanos, ingleses, brasileiros, indus, poloneses, neo- zelandeses e sul-africanos, sem falar nos franceses, que já passaram vitoriosamente pela Itália.
"Uma nação derrotada é o maior castigo coletivo e individual para um povo. Que coisa horrível! E a população italiana está sem homens de 20 a 30 anos: centenas de milhares de prisioneiros nas mãos dos aliados, milhares trabalhando na Alemanha, muitos foragidos, quantidade enorme de mortos e, além disso, o alemão, quando recua, fuzila e queima homens e mulheres, e leva muitos consigo...
"Isto aqui é uma luta gigantesca. Esquece-se os aspectos da carnificina. E fica a compreensão de que a humanidade luta por uma questão social e por uma "questão política". Você não imagina o horror entre os combatentes aliados que há contra o nazismo.
"O inglês, então, é radical. O americano diz Eu quero viver e não pretendo pertencer a rebanhos. Os aliados não fazem nenhuma barbaridade, nenhum maltrato, não só em relação aos italianos, como para com os alemães."
Os infortúnios do coronel Lott
O coronel Teixeira Lott, também recém-chegado, com a esperança de obter uma missão na Itália, desapontou Castelo, por não se ter dado ao trabalho de telefonar à sua família, antes de deixar o Brasil.
Lott, um militar de rígida correção, sem muitas chispas de bom humor, não estava de boa maré. Dos pequenos sessenta pequenos barcos anfíbios vindos de Nápoles para Livorno com os 10 mil brasileiros que haviam cruzado o oceano a bordo do "General Mann" e do "General Meigs", o de Lott foi o que mais jogara e o último a chegar no destino.
Assim, o coronel Lott chegara a Livorno um dia depois do general Cordeiro de Farias, da arma da artilharia, que se graduara no Realengo seis anos depois que Lott, e a quem Lott conhecera ainda como menino de calças curtas.
Ainda na Itália, Lott procurou um jipe para seu uso, mas a cada pedido algum oficial de patente inferior lhe perguntava: "Qual é a sua função?" - e logo lhe dizia que falasse com outra pessoa. Depois de dirigir-se ao major Sena Campos (que lhe perguntou qual era sua função), foi aconselhado a procurar o coronel Lima Brayner, escolhido por Mascarenhas, que o preferira a Lott, embora graduado no Realengo quatro anos depois deste. Brayner o encaminhou a Mascarenhas, com quem Lott se desaviera em Pernambuco.
Lott já tinha um assunto a tratar com Mascarenhas: uma lista de armamentos que considerava necessária. Quando chegou ao trailer de Mascarenhas, encontrou o comandante da Divisão sem nenhuma pressa de terminar o café que estava tomando com Cordeiro de Farias.
Recebido, finalmente, depois de longa espera, Lott teve com Mascarenhas uma conversa pouco satisfatória. "Que está fazendo aqui?" perguntou Mascarenhas. "Fui mandado para cá", respondeu Lott, corretamente. "Está bem, pode voltar", teria dito Mascarenhas.
A cobra fumando
Mais tarde, Lott teria dito a Dutra que não gostara do que pudera observar sobre a situação da FEB na Itália e predisse que iriam surgir dificuldades. Dutra agradeceu-lhe as opiniões emitidas e o convidou a acompanhá-lo em seu vôo de volta ao Brasil.
Durante a visita de Dutra e Mascarenhas à frente de batalha a 17 de outubro, todos concordaram em que os soldados brasileiros, como os norte-americanos, deveriam usar um distintivo em seus uniformes.
Essa idéia, sugerida em primeiro lugar por Mark Clark num almoço a que Dutra esteve presente, deu como resultado um desenho de Sena Campos. Com modificações, tal desenho se transformou na insígnia A cobra está fumando - uma serpente fumando um cachimbo - que os brasileiros usaram orgulhosamente em seus uniformes.
Intrigas no comando
O grupo de combate brasileiro, com seus 5 mil homens outra vez reunidos no dia 14 de outubro de 1944, preparou-se para conquistar novas vitórias.
Tão grande era o prestígio de Zenóbio da Costa que alguns de seus admiradores, durante a visita do Ministro da Guerra, chegaram a fazer a Dutra uma proposta: a de que ele fosse promovido ao comando da Divisão, sendo Mascarenhas chutado para cima, a fim de se incumbir de importantes trabalhos administrativos, promovido a novo posto de generalato, ainda que inexistente.
Informado de tal proposta por Mark Clark depois da partida de Dutra para a Itália, Mascarenhas se opôs a esse plano diabólico, na conversa com o general americano e numa carta ao Ministro da Guerra.
Enquanto Mascarenhas esperava a resposta de Dutra, Zenóbio observava Castelnuovo di Garfagnana, o centro de comunicações à margem do rio Serchio, mais ao norte, onde os alemães haviam decidido oferecer resistência.
Essa posição estava numa área de montanhas particularmente escarpadas. Nelas, os alemães haviam construído fortificações de concreto armado. Os aliados, porém, tinham de utilizar escassas mulas, para trazer os suprimentos das instalações em que tinham suas bases.
Derrota em Castelnuovo de Garfagnana
Sem se impressionar com as informações recolhidas pelas recentes operações de reconhecimento, as quais deixavam claro que os alemães estavam recebendo reforços em Castelnuovo di Garfagnana, Zenóbio pediu a Crittenberger autorização para atacar o baluarte inimigo. Uma vitória sobre essa posição coroaria de glória sua campanha no Vale do Sérchio. [Entre Castelnuovo e Montese].
Mascarenhas, consultado por Crittenberger, não se opôs à idéia, e assim o grupo de combate de Zenóbio preparou-se para melhorar sua posição, tomando algumas pequenas aldeias existentes numa frente de cerca de 20 quilômetros. Para reforçar o ataque brasileiro, o 4º Corpo transferiu dois batalhões de artilharia da área litorânea para o vale do Serchio. Um destes só pode estabelecer sua posição depois de ter literalmente arrastado e carregado suas peças através de enormes atoleiros.
A 24 de outubro, os brasileiros tomaram Sommocolonia e, no dia seguinte, mais duas aldeias. A 30 de outubro, a despeito da chuva e do terreno íngreme e escorregadio, a primeira parte da operação tinha sido completada.
Os brasileiros, excessivamente otimistas, conquistando Lama di Sotto e Monte San Quirico encontravam-se a apenas 4 km de Castelnuovo de Garfagnana.
Apaga-se a estrela de Zenóbio
Mas a 31 de outubro, antes do amanhecer, os alemães, em meio a uma tempestade, contra-atacaram violentamente. Os brasileiros, que haviam subestimado o inimigo, foram colhidos de surpresa. E tiveram de se retirar para algumas posições recém-conquistadas, como Somocolonia.
Isto encerrou a campanha do grupo de Zenóbio, porque, com a incorporação do 2º e 3º Destacamento da FEB, Mascarenhas assumiu, no início de novembro de 1944, o comando da 1ª Divisão, tornando-se Zenóbio comandante de sua Infantaria.
Além disso, numa reunião do alto comando aliado, ficara decidido que a 1ª Divisão Brasileira devia operar no vale do rio Reno, a 120 km ao Nordeste do Vale do Sérchio.
O estreito e tortuoso Vale do Sérchio, concluíram os norte-americanos, era na melhor das hipóteses uma rota incerta para o Norte da Itália, facilmente defendida, e que só poderia ser tomada com pesadas perdas. E também ponderaram que a continuada atenção concentrada nessa ação ofensiva poderia contribuir ameaçadoramente para a exaustão das munições, enviadas com prioridade para as forças do General Eisenhower, na frente ocidental.
Os líderes militares norte-americanos na Itália acreditavam que a área do maciço do Monte Belvedere, elevação de modesta altitude ao Norte do rio Reno, apresentava um acesso para o norte mais fácil que o vale do Sérchio. Achavam, também, que a do maciço do Monte Belvedere asseguraria a proteção ao flanco esquerdo do 2º Corpo e facilitaria o avanço para Bolonha.
Crittenberger também decidira que a missão do 4º Corpo era deter o máximo de forças inimigas no noroeste da Itália, e essa missão poderia ser melhor cumprida através de sucessivos ataques, em lugares diversos, em toda a frente a seu cargo, em vez de concentrá-los em uma única área.
O grupo de combate de Zenóbio, agora extinto, em um mês e meio tinha avançado 40 km e tomado 208 prisioneiros. Os brasileiros tiveram 13 mortos, 87 feridos em combate, 183 feridos em acidentes e menos de 10 aprisionados.
No Brasil, o Ministro da Guerra, grandemente influenciado pelo revés de Castelnuovo di Garfagnana, rejeitou o plano para chutar Mascarenhas de Moraes para cima. Brayner escreveu que, como resultado de tal fracasso, as brilhantes realizações anteriores de Zenóbio deixaram de lhe ser creditadas e ele ficou de asas quebradas. Mas, diz ele, uma parte da responsabilidade final do insucesso pertence a Castelo, como conselheiro imediato de Zenóbio.
Mais intrigas no comando
Brayner, que desenvolveu o hábito de creditar a Castelo a responsabilidade apenas pelos fracassos e nunca pelos sucessos, estava em dificuldades com o chefe de sua 3ª Seção. Desgostava-se com o fato de que Castelo ocasionalmente falava a sós com Mascarenhas.
O comandante da Divisão, depois de uma de tais conversas, convocou Brayner a fim de lhe dizer, na presença de Castelo, que considerava melhor acharem um novo chefe para a 1ª Seção.
Brayner, entendendo que tal assunto só deveria chegar ao general através do chefe do seu Estado Maior, replicou que o chefe da Primeira Seção fora escolhido pelo próprio Mascarenhas, a despeito de não ter feito treinamento em Fort Leavenwhoth, e que seu trabalho melhoraria com a experiência. Numa indireta a Castelo, Brayner acrescentou: Entre nós, aqui, não há estrelas ou gênios.
Mas Mascarenhas achou melhor fazer uma mudança. O chefe da 1ª Seção, Thales Ribeiro da Costa, foi transferido para a Inspetoria da 1ª Divisão. E o tenente coronel João da Costa Braga, da arma de Artilharia, treinado nos Estados Unidos, em Fort Sill, foi escolhido para substituí-lo.
Balneário vira Quartel General
No início de novembro de 1944, 10 mil homens do 2º e 3º Destacamentos da FEB estavam em Filetole, perto de Pisa, esperando seus armamentos e recebendo treinamento sem eles, sob a supervisão dos Generais Zenóbio da Costa e Cordeiro de Farias. Enquanto isso, o 6º Regimento de Infantaria, comandado pelo Cel. João de Segadas Viana, recebia ordem de ir do vale do Sérchio para o Vale do Reno, a fim de assumir um dos setores da frente, mantido por outras unidades aliadas.
Em Porreta Terme, à margem do rio Reno, outrora uma pequena e atraente estação de águas quentes, Mascarenhas instalou o Quartel-General avançado de sua Divisão, que passou a ser constituído de 60 oficiais e 70 outros homens.
Para a localização do Quartel General, ele e seus oficiais escolheram um hotel, equipado com instalações que, em melhores dias, proporcionavam aos hóspedes banhos de chuveiro com água encanada diretamente das fontes termais.
Eles ocuparam também uma casa adjacente. Castelo e o oficial norte-americano de ligação, major Vernon Walters, ocuparam quartos no andar superior do velho hotel. Aí Castelo Branco se protegia contra o frio cortante das noites, usando o saco de dormir acolchoado, que comprara no posto de abastecimento dos oficiais norte-americanos, e ao qual usualmente chamava o envelope.
Em escritórios contíguos, na casa ao lado, Amauri Kruel e Castelo Branco organizaram suas equipes, da 2ª e da 3ª Seção, com a ajuda de majores recém-chegados. Um deles, o major Hugo de Matos Moura, era bom em línguas. Outro, o major Emigdio da Costa Miranda, era famoso por sua bravura como membro da Coluna Prestes, na década de 1920. Ambos trabalharam com Kruel.
Castelo organizou seu grupo com os majores que haviam sido cadetes no Realengo, quando aí ensinara, no fim da década de 1920: Luís Mendes da Silva, Luís Tavares da Cunha Melo, Antônio Henrique de Almeida Morais e José Pinheiro de Ulhoa Cintra, este último enteado do Ministro da Guerra, Gal. Dutra.
Noutro local, em Porreta Terme, o general Cordeiro de Farias encontrou uma casa onde organizou o comando da artilharia, cuja seção de operações (S-3) era chefiada pelo tenente-coronel Nestor Penha Brasil e incluia o tenente-coronel Ademar de Queiroz.
Os alemães atacam
De Porreta Terme, a rodovia 64 levava a Bolonha, 50 km ao nordeste. Os aliados, com as operações do vale do Reno em mente, adotaram como inspiração o slogan Bolonha antes do Natal, mas era uma tarefa difícil para o enfraquecido 5º Exército norte-americano e para o 8º Exército britânico.
A rodovia estava à mercê do fogo da artilharia germânica, que dominava as montanhas ao Nordeste e ao Noroeste de Porreta Terme: Monte Belvedere, Monte Gorgolesco, Mazzancana, La Torraccia, Monte Castelo, Monte della Croce, Torre de Nerone e Castelnuovo, esta menos alta que as demais.
Assim que Mascarenhas instalou seu quartel general, os alemães passaram a bombardear pesadamente Torreta Terme, com canhões médios e pesados (170 mm). As pontes e os trilhos ferroviários foram atingidos, bem com o quartel-general da Divisão brasileira.
Tão terrível foi o bombardeio, que Mascarenhas transferiu para uma área mais ao sul duas seções de seu Estado-Maior, a 1ª (Pessoal) e a 4ª (Logística).
Em várias ocasiões, quando o bombardeiro durante a noite era intenso, o major Walters telefonava a Castelo Branco, a única outra pessoa que dormia no andar superior, para lhe perguntar se não achava melhor descerem para o abrigo existente no porão. Castelo respondia que, como brasileiro, não gostava do frio. Estava metido em seu quente envelope e não tinha a menor intenção de sair dele, com bombardeio ou sem bombardeio. Walters, embora inclinado a se refugiar no abrigo, não o fazia, para não dar o braço a torcer.
Uma noite, uma bomba explodiu tão perto da janela de Walters que lascas penetraram pelas venezianas de madeira das janelas já sem vidros. A força da explosão quase arrancou o major americano de sua cama de campanha, em cima da qual estava enfiado seu saco de dormir.
Castelo, comentando a explosão, durante o café, no dia seguinte, disse que devia ter sido muito forte, tal o barulho produzido no lado do edifício ocupado por Walters. O major disse que realmente fora muito forte e aventou a possibilidade de se mudarem para outro edifício, mais conveniente, em Porreta Terme. Castelo riu e disse que, às vezes, tentando fugir do perigo, é que vamos realmente ao encontro dele.