Rembrandt
Harmenszoon van Rijn nasceu em Leiden, Países Baixos, em 15 de julho de 1606. A partir de
1620 freqüentou a universidade, que abandonou para se dedicar à pintura. Estudou em sua
cidade com Jacob van Swanenburch e depois, em Amsterdam, com Pieter Lastman. Por volta de
1627 retornou a Leiden para trabalhar com Jan Lievens, outro discípulo de Lastman.
De início influenciado
pelas inovações pictóricas de Caravaggio, que explorou em seus quadros as
possibilidades dramáticas dos altos contrastes de luz e sombra, Rembrandt adaptou o
claro-escuro do mestre italiano para plasmar a realidade mental de seus modelos, pela
acentuação seletiva das texturas físicas, do modelado, da pose e da expressão facial.
Suas primeiras composições de grupos, como "A ceia em Emaús" (1630; Louvre),
demonstram a grande habilidade em retratar os mais sutis estados psicológicos.
Datam também dessa época
suas primeiras águas-fortes, técnica que dominou como poucos. Os temas bíblicos,
mitológicos e históricos tornaram-se comuns nos quadros de Rembrandt, muitos dos quais,
pintados sob encomenda, registram cenas do cotidiano vividas por personagens de destaque
na vida social dos Países Baixos.
Em 1631 o pintor radicou-se
em Amsterdam, onde sucessivas e bem remuneradas encomendas tornaram-no um artista
próspero, logo cercado por discípulos. Grandes composições de grupos, como a
"Lição de anatomia do Dr. Nicolaes Tulp" (1632; Maurithuis, Haia), uma de suas
obras mais famosas, garantiram-lhe a reputação de pintor brilhante, embora pouco
convencional. Manifestação de exuberante alegria de viver é o não menos famoso
"Auto-retrato com Saskia" (1634; Gemäldegalerie, Dresden), mulher rica com quem
se casou e levou vida luxuosa.
Instalado numa ampla casa
no bairro judaico de Amsterdam, Rembrandt foi nessa fase o principal representante do
barroco protestante do norte da Europa. Dando atenção aos detalhes realistas, pintou
imensa série de retratos, muitos dos quais de rabinos e outros judeus, rostos orientais
que lhe serviram também como modelos para pintar cenas bíblicas livremente
interpretadas.
Na década de 1640, o
destino pessoal de Rembrandt e o de sua arte sofreram grandes mudanças. Em 1642 Saskia
morreu, deixando-lhe vivo um único filho, Titus, pintado pelo pai várias vezes.
As alterações do gosto na
pintura holandesa impediram que o artista, apegado a sua linha subjetiva de trabalho,
mantivesse junto ao público a mesma popularidade. Mas isso, se reduziu seus horizontes no
plano material, foi compensado por um óbvio enriquecimento do conteúdo de suas obras. As
composições com temas bíblicos aprofundaram-se em introspecção e ternura, ao passo
que os retratos adquiriram novo sabor contemplativo e trágico, com detalhes da fisionomia
e da roupa perfeitamente articulados para transmitir as características fundamentais dos
modelos.
O ponto mais alto de seu
trabalho como retratista é o grupo conhecido como "A ronda noturna" (1642;
Rijksmuseum, Amsterdam), representação rica em efeitos cênicos do desfile de uma
companhia de atiradores. A restauração do quadro, no século XX, devolveu-lhe as cores
originais e demonstrou que o adjetivo "noturna" devia-se apenas ao escurecimento
da tela ao longo de três séculos.
Sua fase mais produtiva
como gravador iniciou-se por volta de 1636 e estendeu-se por vinte anos. Muitas de suas
gravuras representam também cenas bíblicas, entre as quais é especialmente conhecido o
"Cristo curando doentes" (1645), conhecido como "Folha de cem florins"
por ter sido vendido por essa importância. O ambiente das gravuras religiosas de
Rembrandt é sempre de pobreza. O realismo do pintor o impede de dissimular mesmo a
feiúra de um modelo e o leva a pintar cruas naturezas-mortas.
Em 1649 Rembrandt iniciou
um relacionamento com a jovem Hendrickje Stoffels. É dessa época "O homem com o
elmo de ouro" (c.1650; Museu de Berlim), retrato do irmão do artista que exemplifica
seu pendor pelos planos imersos na escuridão e cortados por certeiros fachos de luz que
parecem vir de outro mundo para aclarar os rostos das figuras ou os pontos essenciais das
composições.
A década de 1650, malgrado
a sucessão de problemas, é importante na obra de Rembrandt pelos numerosos auto-retratos
que alçaram o gênero a um de seus pontos culminantes na história da arte. Pesados
gastos e dívidas levaram-no à bancarrota em 1656, depois do que suas finanças passaram
a ser administradas por Titus e pela nova companheira.
Na década seguinte,
Rembrandt criou diversas obras-primas, entre as quais o famoso quadro "Os síndicos
da corporação de tecelões" (1662; Rijksmuseum).
Um ano após a morte de
Titus, Rembrandt morreu em Amsterdam, em 4 de outubro de 1669. Embora estivesse então em
relativa obscuridade, sua reputação foi recuperada no século XVIII e continuou a
crescer até que, no século XX, o artista passou a ser considerado um dos maiores
pintores do Ocidente.