A região de Flandres
(Vlaanderen)
.


     O antigo condado de Flandres, um dos principais focos do capitalismo europeu durante a baixa Idade Média, constituiu posteriormente a principal possessão espanhola no norte da Europa.

     A agricultura, desenvolvida graças à construção de diques e à drenagem de marismas, e a indústria têxtil têm sido historicamente suas principais riquezas.

     A região européia de Flandres (Flandre em francês, Vlaanderen em flamengo) é uma planície baixa situada em frente ao mar do Norte. Compreende as províncias belgas de Flandres Ocidental e Flandres Oriental, o departamento francês do Norte e parte da província holandesa de Zelândia.

     A partir do século V da era cristã, os povos francos ocuparam as terras flamengas, até então habitadas por tribos celtas.

     Os reis merovíngios dividiram o território em condados e, no período carolíngio, a região de Bruges recebeu o nome de Flandres. No século IX, o conde Balduíno I Braço de Ferro ampliou seus domínios até a região situada entre o mar do Norte e o rio Escalda.

     Seus sucessores continuaram a expansão territorial e se tornaram vassalos da França e do Sacro Império Romano-Germânico.

     Em 1119, com a morte de Balduíno VII, extinguiu-se a primeira dinastia dos condes flamengos. Dinamarca, França e Inglaterra lutaram para consolidar sua influência política no condado que, nos séculos XII e XIII, experimentou grande prosperidade agrícola, artesanal e comercial, atividades centradas em Bruges.

     Da mesma forma, a pintura conheceu no século XV um extraordinário florescimento, com artistas como Rogier van der Weyden e os irmãos van Eyck.

     Em 1384, o duque Filipe II o Audaz, de Borgonha, incorporou o condado a suas possessões por casamento. A união de Flandres com a Baixa Lorena deu lugar à formação dos Países Baixos.

     Na segunda metade do século XV, Carlos o Temerário tentou tornar-se independente da França e das demais potências européias. Sua filha Maria, após a morte do pai, casou-se com Maximiliano da Áustria, posteriormente imperador da Alemanha, com o que a Borgonha e Flandres passaram ao patrimônio da casa de Habsburgo.

     No século XVI, Flandres foi herdada por Carlos V, que transferiu o território, em 1551, para o ramo espanhol dos Habsburgo, ou casa espanhola da Áustria.

     A intransigência política e religiosa de Filipe II, filho e sucessor de Carlos V, provocou a resistência dos holandeses ao domínio espanhol, acirrada pela difusão do protestantismo nas províncias do norte. Depois de uma prolongada guerra, os Países Baixos proclamaram a independência em 1581.

     As províncias meridionais permaneceram sob domínio da Espanha até 1714, quando a Paz de Utrecht obrigou Filipe V a ceder o território à Áustria. Durante esse período, à decadência de Flandres, espanhola e católica, se opôs o auge dos Países Baixos, independentes e protestantes.

     Antes e depois de 1714, o território flamengo fragmentou-se em conseqüência da anexação de algumas de suas partes pela França e pelos Países Baixos. Durante as guerras revolucionárias e napoleônicas, quebrou-se definitivamente a unidade de Flandres e, em 1830, sua parte central foi incluída no novo reino da Bélgica.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

Clique Notícias e Informações

 

.
Responsável: Paulo Victorino
www.pitoresco.com
.