|
Fonte:
Microsoft 2002 em Inglês.
Traduzido por
Paulo Victorino (Pitoresco)

Michelangelo Pistoletto - A escultura decapitada (1966)
|
Arte Povera
(significando Arte Pobre) foi um movimento artístico italiano que se desenvolveu
na segunda metade da década de 60. Seus adeptos usavam materiais de pintura não
convencionais (ex.: terra, madeira e trapos) com o intuito de empobrecer a pintura
e eliminar quaisquer barreiras entre a arte e o dia-a-dia das pessoas.
As principais figuras desse movimento foram Michelangelo
Pistoletto, Jannis Kounellis, Giovanni
Anselmo, Giuseppe Penone, Giulio
Paolini, Mario Merz, Luciano
Fabro, and Gilberto Zorio.
Um importante papel foi também desenvolvido
pelo crítico Germano Celant, que inventou o termo Arte Povera em 1967 e tentou,
todo o tempo, buscar uma definição para ele.

Luciano Fabro - O olho de Deus
|
Os artistas da Arte
Povera tiveram o mérito de desafiar os padrões da arte vigente, ocupando o espaço
com seu transcendental e intemporal nível de realidade. Por exemplo, a obra Structure
that Eates (1968, Sonnabend Collection, New York), de Giovanni Anselmo, foi
deliberadamente transitória, consistindo de duas pedras, entre as quais o artista inseriu
vegetais, cujo apodrecimento provocou o colapso da estrutura.
O uso de matéria viva foi visto de forma
ainda mais espetacular na instalação de Kounellis, em que uma arara foi posta em frente
a uma tela pintada, demonstrando que a natureza contêm cores ainda mais vívidas que
qualquer pintura.
A singularidade do trabalho de arte foi outro
desafio posto pela Arte Povera, como em Mimesis, de Paolini, que foi feita
simplesmente de dois pedaços de gesso de uma mesma escultura, colocados um diante do
outro, como se estivessem dialogando entre si.
Percebe-se, pois, tratar-se de um movimento
subversivo, que tem sua origem no clima político dos anos 60, em particular a revolva de
estudantes no Quartier Latin, em 1968 e a oposição mundial à guerra do Vietnã (o
Brasil viveu esse clima com a mesma intensidade, de 1964 a 1968, culminando com a edição
do AI-5 pelo governo militar, em dezembro de 1968).
Havia outra preocupação dos artistas, que
era criar uma foma de interação entre o trabalho e o espectador. Na obra Vietnã,
de Pistoletto, as imagens estavam coladas a um espelho que refletia os visitantes da
galeria que, assim, tornavam-se também figuras transitórias do quadro.
Ainda que o conteúdo político de Vietnã
estava bem definito, Kounellis fez um comentário mais enigmático da civilização
ocidental, criando acontecimentos e instalações com cacos de gesso de esculturas de
antigas esculturas.

Jannis Kounellis - Sem título - 1987
Chumbo, encerado e papel
|
Mers contemplou,
em sua arte, a forma de vida das culturas nômades, retratando-as como em perfeita
harmonia com a natureza, um paraiso perdido para a civilização ocidental, materializando
a idéia com uma série de igloos, um exemplo singular e forte para exemplificar a
capacidade das sociedades em se adaptar ao rigor de seu meio-ambiente.
Os igloos de Mers continham uma
variedade de materiais, desde o metal, vidro e neon, até madeira e terra, exemplificando
bem o talento com que os praticantes da Arte Povera criavam imagens coerentes fora
da relação convencional de objetos e substâncias.
Embora a Arte Povera tenha sido
associada à Arte Conceitual
praticada em outros países, seus artistas realizaram uma produção própria, de
inquestionável individualidade.
Seus trabalhos fora largamente expostos na
Itália e no restante da Europa, assim como nos Estados Unidos, trazendo significativa
contribuição para a arte de vanguarda nas últimas décadas do Século 20, apesar do
ressurgimento da pintura figurativa nos anos 80.
|
|