Adaptado da Revista Veja de 25.02.98

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| Fotos: Museu Lasar Segall |
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| Pogrom
(1937) e Paisagem Brasileira (1925): tema social entusiasmo com os trópicos |
Tudo
indicava que, em 1923, ao tomar um navio para o Brasil, o pintor lituano Lasar Segall não
estava fazendo a coisa certa. Depois de cursar as melhores academias de arte alemãs e se
engajar na proa da vanguarda expressionista, o melhor para sua carreira teria sido
embarcar para Nova York, destino óbvio de artistas e intelectuais judeus, ameaçados,
como Segall, pelo anti-semitismo alemão.
O artista
já estivera no Brasil em 1912, realizando duas exposições, uma em São Paulo e outra em
Campinas, ambas recebidas com extrema frieza. Decepcionado, voltou à Europa e só se
dispôs a retornar ao nosso país após a Semana de Arte Moderna, quando sentiu haver um
ambiente mais propício para sua arte.
Ainda era
um trabalho pioneiro. Se na época o modernismo já era um estilo hegemônico na Europa,
por aqui ainda engatinhava.
A opção
representava, em certo ponto, um sacerdócio. A mudança de Segall para os trópicos
explica a pálida repercussão de sua obra na Europa e nos Estados Unidos até hoje.
Finalmente lembrado
Nos
Estados Unidos, somente em 1998 ocorreu uma exposição de maior porte focalizando o
pintor judeu-lituano, com o título: Por Caminhadas Ainda Mais Distantes: as
Emigrações Artísticas de Lasar Segall, reunindo cerca de 130 obras, entre telas e
trabalhos em papel. Mas ela se deu por iniciativa do Museu Judaico de Nova York e não
pela comunidade artística local.
De
qualquer forma, foi um grande momento para os americanos tomarem contato com a obra de
Segall. Lá estavam as duas principais vertentes da obra do artista, com a
tropicalização de seu estilo, como no caso de Paisagem Brasileira, de 1925,
que, à moda de um vibrante mosaico geométrico, prenunciava a obra de Alfredo Volpi.
Sobre sua
nova terra, o pintor viria a declarar:
"É
compreensível que o Brasil influencie o meu trabalho, e que o tenha influenciado para
melhor".
E há
também o Segall contrito dos tons sombrios e das perspectivas enviesadas, recursos usados
para tratar de temas como a miséria, a prostituição e a perseguição aos judeus.
resultado de sua vivência com temas sociais.
Cacoete
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Lasar
Segall: poucas obras no mercado |
Como é
de praxe nos Estados Unidos, para essa mostra também se editou um alentado catálogo, um
livro caprichado, cujo único defeito foi tentar reduzir Segall à moda multiculturalista,
num cacoete típico dos adeptos da linha do politicamente correto.
Um grande
artista, como é o caso de Segall, não é feito dos temas que aborda ou das bandeiras que
venha a defender, mas da qualidade estética de seu trabalho. O que faz dele um mestre
são características como o golpe de vista certeiro para escolher o ângulo e a porção
dos personagens que retrata, bem como o traço preciso e o uso sensível da cor.
No mercado é raro e caro
No
mercado de arte, Lasar Segall é uma assinatura rara, com poucas obras em circulação.
"É
difícil encontrar um bom Segall à venda. A cada ano circulam apenas cerca de vinte
quadros do pintor, enquanto a oferta de Portinaris é o dobro disso", diz o marchand
Jones Bergamin.
Suas
melhores telas alcançam o preço de 800.000 reais, uma alta cotação na arte brasileira.
Não chega a Tarsila do Amaral, cujo Abaporu foi vendido, em 1995, por 1,4 milhão de
dólares, mas é a mesma faixa de Portinari e superior à de artistas como Volpi e
Guignard.
A
raridade de telas do pintor se explica pela concentração de seus trabalhos nas mãos de
sua família, que reúne cerca de 100 telas do artista, mas raramente as passa adiante.
Existem
também alguns poucos colecionadores entre a colônia judaica radicada no Brasil, como a
família Safra, dona de cerca de dez telas. Mas o acervo mais significativo de trabalhos
do artista pertence ao museu que leva o seu nome, em São Paulo.
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