. Primo de Jacques-Louis David, manda-chuva do
Neoclassicismo francês, Debret participou de todos os grandes salões de arte em Paris
até 1814.
Estava acostumado,
portanto, com um tipo de pintura comportada, que tinha uma certa nostalgia da Antiguidade
Clássica e do Renascimento, seguia rígidos padrões de composição e transformava
grandes líderes de Marat a Napoleão em mitos.
Quando chegou ao
Brasil, deu de cara com um país que ainda era Barroco até a medula Aleijadinho
tinha morrido em 1814, dois anos antes mas que abandonava, lentamente, alguns
hábitos de colônia para se transformar em império.
Foi Debret que
bolou a bandeira para o governo de d. Pedro I, cujo desenho até hoje é a base para a
bandeira brasileira.
O retângulo verde mostrava a cor da casa
de Bragança e o losango amarelo, a da casa dos Habsburgo, de dona
Leopoldina. Não tinha nada a ver com o verde das matas e o ouro, uma invenção dos
republicanos, que não queriam ter uma bandeira vinculada ao Império conta Júlio
Bandeira.
Debret foi um
artista muito abrangente, que retrata o período em que estávamos virando casaca. A
roupagem colonial do Brasil estava sendo jogada fora.
Além de imagens do Rio, "Castro Maya
Colecionador de Debret" inclui vistas de Olinda e de vilas paulistanas e
paisagens do interior do Brasil. E também revela um pouco da personalidade de Castro
Maya, um colecionador apaixonado.
Diz a lenda que ele comprou todas as gravuras de Debret de uma só vez, de uma
sobrinha-neta do pintor, e fez com que ela assinasse um documento para que não vendesse
mais nada do artista para ninguém conta Vera Alencar, diretora dos museus Castro
Maya. Tempos depois uma gravura foi vendida em Paris. Castro Maya foi à França,
pegou a gravura e a rasgou em três, dando uma das partes para a antiga dona e uma para o
comprador, e ficando com a terceira.
Lenda ou verdade, até hoje o Chácara do Céu tem um terço de uma gravura de Debret.