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Texto:
Paulo Victorino
(Pitoresco)
Imagens:
Reprodução

Guernica-detalhe (1937)
A indignação de Pablo Picasso diante dos
horrores da Guerra Civil Espanhola
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A Arte é a expressão do belo.
Esta definição, comum até há algumas décadas, conduz a outra questão: O que é belo?
Aí, a resposta se torna bem mais complicada. O que é motivo de escárnio para uns,
transforma-se em emoção para outros. Arte é contradição. O artista interpreta o mundo
em que vive e não pode estar alheio às mudanças da própria sociedade. Caminha com elas
e até adiante delas, provocando escândalo e reações iradas dos mais
conservadores. O artista não busca a unanimidade; não é um copista, é um desbravador:
busca o diferente onde todo mundo só vê o igual.
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Matisse - A provocação do Fauvismo criando
a predominância da cor sobre a forma
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Não por acaso, o
nome dos movimentos, criado geralmente por críticos de arte, tem, a princípio, uma
conotação pejorativa: Maneirismo (com manias), em oposição ao Renascimento; Barroco
(rude) e Rococó (exagerado), em oposição àqueles dois estilos; Fauvismo (arte
selvagem) ou Surrealismo (alienação à realidade), são algumas iniciativas artísticas
que tiveram de enfrentar a resistência do continuismo, para se impor como arte pura.
Provaram que não eram apenas diferentes, mas também consistentes, e marcaram sua
presença na História da Arte.
O artista é, acima de tudo, um inconformado.
Não segue a corrente, mas luta contra ela. É um visionário, que almeja dar à sociedade
onde vive um enfoque que nem ela consegue, ainda ver. E é por isso que os movimentos, via
de regra, sofrem forte oposição em seu início, para serem compreendidos bem mais tarde,
quando a idealização artística passa a ser assimilada.
A enciclopédia Encarta (edição em inglês)
define, a seu modo, o que é arte:
"Arte é uma atividade regular e disciplinada, que pode
estar limitada à habilidade, como pode também se expandir, criando uma visão distinta e
peculiar do mundo. A palavra arte é derivada do latim ars,
significando habilidade. A arte é, pois, a habilidade de desenvolver um conjunto de
ações especializadas, desde a jardinagem ao jogo de xadrez.
"Entretanto, dentro de um entendimento
mais específico, arte envolve não apenas habilidade mas sobretudo
imaginação, seja na música, na literatura, na apresentação visual ou na
interpretação."
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Resumindo, a arte
é a interpretação peculiar de alguém, diante dos acontecimentos passados, ou diante do
comportamento social hoje e de seus supostos desdobramentos futuros, que anunciam
modificações significativas no mundo todo ou em regiões específicas,
despercebidas, por ora, ao cidadão comum, mas que são captadas e materializadas na pauta
de um compositor, na pena de um poeta, nos pincéis de um pintor ou no cinzel de um
escultor.
Se tal não acontecer, então não estamos
mais diante de uma manifestação artística, mas de artesanato, também uma expressão do
belo mas sem a mensagem profunda que só o artista verdadeiro consegue transmitir.

Giacomo Balla - O futurismo se insere no sombrio panorama
que antecedeu a Primeira Guerra Mundial
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Mas se, por um
lado, o artista é único e insubstituível na interpretação do seu universo, por outro,
ele é em muito o produto da sociedade em que vive. É a sociedade que lhe proporciona
conhecimento, visão de conjunto e toda uma infra-estrutura que lhe permite expressar seus
sentimentos. É ela, a sociedade, que chancela sua criação, aprovando ou reprovando, mas
sempre reagindo, de alguma forma, frente à obra criada.
Então, arte implica na interação contínua
e constante entre o artista e a sociedade. Não importa qual a reação do público, se
positiva ou negativa, o que importa é que o artista conseguiu "incomodar",
provocando um retorno diante de seu trabalho. O inconformismo do artista diante do mundo,
traduzido em sua obra, só é válido na medida em que desperta sentimentos em quem
contempla o trabalho. A apatia é a inimiga número um da arte.

Andy Warhol - A alegre arte Pop
aliando-se ao consumismo
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