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Texto:
Fabio Cypriano
Folha Ilustrada
Online
04/06/2004 - 08h00
Imagens:
Reprodução

Moça com brinco de pérola
O quadro - (1665-circa)
Óleo sobre tela - 46,5 x 40 cm
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MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA
Tema:
Quadro: "Moça com brinco de Pérola" ou
"Mulher com turbante", de Vermeer.
Título Original do
filme:
Girl with a Pearl Earring
Direção:
Peter Webber
Elenco:
Scarlett Johansson, Colin Firth, Tom Wilkinson
Sinopse:
Em 1665, na cidade de Delft, na Holanda, moça de 17 anos passa a trabalhar como empregada
doméstica para sustentar a família. O seu patrão é o pintor Johannes Vermeer, que a
transforma em sua modelo.
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Moça com brinco de pérola
O filme (2003)
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"Moça
com Brinco de Pérola" é uma das mais famosas pinturas na história. Considerada a
"Mona Lisa" holandesa, pouco se sabe sobre sua real inspiração. Isso porque a
vida de seu criador, o holandês Johannes (ou Jan) Vermeer, é envolta em mistério.
Sabe-se pouco da história de Vermeer: nasceu
em 1632, em Delft, na Holanda, casou-se aos 20 anos com Catarina, uma jovem rica, e morreu
aos 43 anos, em 1675. Das obras que realizou, 35 são conhecidas e calcula-se que cerca de
20 estejam perdidas.
Essa névoa biográfica foi suficiente para que a escritora
Tracy Chevalier escrevesse o romance "Moça com Brinco de Pérola" (Bertrand
Brasil, 2002), uma fantasia sobre o que levou Vermeer a realizar sua obra-prima, que se
estima ter sido criada por volta de 1665. Dirigida pelo estreante Peter Webber, chega hoje
ao Brasil a versão do livro para o cinema.
A produção, uma adaptação fiel à publicação,
apresenta um Vermeer (Colin Firth, de "Shakespeare Apaixonado") angustiado pelas
pressões da sogra, a comerciante de suas obras. Naquela época, pintar era um trabalho
artesanal realizado por encomenda.

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A libertação de
Vermeer ocorre com o envolvimento com a nova empregada, Griet, a incrível Scarlett
Johansson ("Encontros e Desencontros"), que de fato consegue ter uma grande
semelhança com a modelo original.
Histórias de amor impossível são mais que clichê na
cinematografia mundial, e o filme não foge a ele: mantêm uma paixão platônica, pois
ele é casado, e ela, cortejada pelo filho de um açougueiro.
Entretanto, e esse é o grande mérito do filme, a reconstrução
da Delft de Vermeer do século 17 faz com que o espectador consiga entrar na visualidade
da obra do pintor, que retratava, de fato, mais empregados em ambientes internos do que
seus mecenas.
Uma das maiores discussões sobre a obra de Vermeer é se o
pintor utilizava lentes para realizar seu trabalho.
Segundo o artista
inglês David Hockney, em seu livro "O Conhecimento Secreto" (Cosac & Naify,
2001), sim, Vermeer usava lentes: ele "parece encantado com os efeitos ópticos da
lente e tentou recriá-las na tela".
Assim, nas suas obras, há detalhes
desfocados, enquanto outros são maiores do que vistos a olho nu, o que só poderia
ocorrer se o artista usasse lentes.
(Leia:
"Eram os pintores mistificadores?)
O diretor Webber assume como real tal proposta e mostra Vermeer
com a câmara escura (precursora da fotografia), num dos momentos de sedução com Griet.
No filme, é um pequeno detalhe, mas ele atesta a sofisticação visual na obra do
holandês, essa sim perfeitamente transposta para a tela de cinema.
A obra tem uma estranha relação com o Brasil. "Moça com
Brinco de Pérola" está exposta na Mauritshuis, em Haia, a antiga residência do
conde Maurício de Nassar, o líder da invasão holandesa em Pernambuco (1636 -1644). Foi
justamente nesse período que Albert Eckhout pintava telas sobre o Brasil, por encomenda
de Nassau.
De volta ao filme: "Você olhou dentro de mim",
afirma Griet, quando vê seu retrato acabado. "É obsceno",
contesta a mulher de Vermeer.
Toda obra de arte pode gerar opiniões
distintas. O filme "Moça com Brinco de Pérola" apresenta apenas uma versão.
Delirante, mas fiel ao olhar misterioso da modelo.
A REALIDADE É BEM OUTRA
A realidade talvez tenha sido bem mais
melancólica que a projetada no cinema. Sabe-se que Vermeer morreu pobre e que a viúva
Catarina doou quadros ao conselho municipal em troca de uma magra pensão. Pior: depois de
sua morte, em 1675, o pintor foi esquecido e só renasceu para História em 1866, quando
seus quadros voltaram a ser admirados pelo brilhante uso da luz e pelas composições
inteligentes e cores transparentes.
(Globo Online - 04/06/2004 - 19h21)
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