"O Grito foi pintado em
madeira, e não sobre uma tela. Emoldurada e protegida com vidro, ela está segura. Mas
sem moldura, a obra corre grande perigo" teria dito o porta-voz do Museu Munch, Jorun
Christoffersen, segundo divulgado por alguns jornais.
A notícia acima
embola o noticiário e confunde o público. Quadros pintados sobre madeira protegem-se a
si mesmos, não possuindo jamais proteção de vidro e levando a moldura apenas como
ornamento, não como proteção.
Munch fez pelo menos
três esboços de O Grito, antes de chegar à versão final sobre
madeira, que se encontra em seu lugar, no Museu Nacional da Noruega.
O esboço no Museu de
Oslo (após o falecimento do pintor, passou a chamar-se Museu Munch) e que foi agora
roubado, está pintado sobre cartão. Daí ter uma proteção de vidro, além da moldura
convencional. E daí a preocupação de que, por ter sido retirada a proteção, a obra
está correndo sérios riscos de deterioração, principalmente porque se supõe
encontrar-se em mãos inexperientes: pedaços da moldura foram encontrados em Oslo,
indicando que ela foi arrancada sem qualquer cuidado.
Outra notícia,
confundindo ainda mais o leitor, dá conta de que a mesma obra
ora desaparecida já havia sido roubada em 1994. Novo engano. A obra desaparecida agora,
em cartão, que é uma das duas peças no acervo do Museu Munch, foi roubada pela primeira
vez.
Em 1994, a pintura que
sumiu era a versão final em têmpera sobre madeira e se encontrava, já o dissemos, no
Museu Nacional da Noruega. Foi recuperada três meses depois, sendo o ladrão condenado a
seis anos e três meses de reclusão (Veja
detalhes do quadro).
Resumindo: Duas
pinturas em cartão são do Museu Munch. A terceira, também em cartão, pertence a um
colecionador particular. A quarta, quadro definitivo em têmpera sobre madeira, está no
Museu Nacional da Noruega. Deu para entender agora?