Assaltantes  levaram  "O Grito"
de Munch diante dos visitantes

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Texto:
Globo Online

22/08/2004 - 08h38m

Imagens:
Reprodução


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The Scream (The Cry) - 1893

"Nada nesta paisagem conduz ao senso de horror revelado por Munch. Apesar do sol desmaiado, não é o fim do mundo, nem o advento do holocausto, nem o início de uma guerra desastrosa. Ou será tudo isso ao mesmo tempo?" (do catálogo do Museu)


OSLO - Dois ladrões armados roubaram um quadro de Edvard Munch, "The Scream" ("O Grito"), do Museu Munch, na Noruega.

Mascarados, os ladrões fugiram com a obra, além de uma outra pintura, "Madonna", em plena luz do dia, neste domingo (22/08/2004), e sob o olhar incrédulo dos visitantes.

Um dos ladrões ameaçou os funcionários do museu com uma arma antes de escaparem em um Audi.


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Edvard Munch (Auto-retrato)

     Kjell Pedersen, da polícia de Oslo, disse que a polícia já "mobilizou todas as suas equipes disponíveis na terra e no ar". Ninguém ficou ferido e nenhum tiro foi disparado.

     Segundo a assessora de imprensa do museu, Jorunn Christofferson, o circuito interno de televisão gravou o ocorrido, mas os "ladrões estavam de máscara, como ladrões de banco".

     Um produtor de uma rádio francesa, que estava no museu na hora do roubo, disse que a segurança não era reforçada. Christofferson, por sua vez, disse que os guardas estavam mais interessados em proteger as pessoas do que as pinturas.

     - Temos guardas, mas quando estes são ameaçados com armas não há muito a ser feito - disse ela.


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PINTURAS DE EDVARD MUNCH
SEQUER TINHAM SEGURO

O Grito e Madona, duas obras-primas do norueguês Edvard Munch (1863-1944), que foram roubadas ontem, não estavam seguradas contra roubo

Estadão - Últimas Notícias
23/08/2004 - 13h22

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Detalhe das telas O Grito e Madona, roubadas do Museu Munch, de Oslo

     Oslo - A polícia norueguesa disse hoje que está trabalhando em cima de várias pistas para encontrar as obras-primas de Edvard Munch (1863-1944), O Grito e Madona, que foram roubadas ontem por homens armados do Museu Munch de Oslo. Segundo a imprensa norueguesa, as pinturas, cada qual valendo dezenas de milhões de dólares, não estavam seguradas contra roubo. Para alguns especialistas O Grito pode valer € 62 milhões. A imprensa norueguesa suspeita de que as obras tenham sido roubadas para um posterior pedido de resgate, ou porque algum colecionador desejasse tê-las em seu poder.

     O inspetor Ivar Stensrud, da polícia de Oslo, disse que todo o pessoal disponível está participando da busca. Stensrud disse que tem recebido numerosas pistas, fotografias e vídeos. A polícia encontrou o automóvel usado pelos ladrões na fuga, poucas horas depois do roubo.

     Para Charles Hill, ex-investigador da Scotland Yard, que ajudou a resolver o caso do roubo da outra versão de O Grito, em 1994, disse que era inverossímel que as pinturas tivessem sido roubadas para um colecionador ou para serem vendidas, pois são demasiado conhecidas.

     Existem quatro versões de O Grito. O quadro que representa a angústia moderna foi pintado em 1893, por um dos grandes nomes da arte expressionista, que tinha como temas preferenciais a doença, a morte, a angústia e o amor. Duas no Museu Munch, outra com um colecionador particular, e a quarta com a Galeria Nacional de Oslo. Esta última foi a versão roubada em fevereiro de 1994, e recuperada três meses depois, em um hotel em Asgardstrand, a cerca de 65 quilômetros de Oslo. Três noruegueses foram presos na ocasião. Investigadores disseram que os ladrões tentaram obter do governo um resgate de um milhão de dólares, que nunca foi pago.

     Madona é um quadro a óleo de 90,5 centímetros por 70,5 centímetros que Munch pintou durante os anos 1893-1894. Mostra uma madona erótica.


ROUBO DE "O GRITO" COMOVE A NORUEGA
JB ONLINE - 13/08/2004

      OSLO, NORUEGA - O roubo de O grito e A Madonna, quadros do pintor Edvard Munch, comoveu ontem a Noruega. Considerado uma obra-prima do Expressionismo, O grito é uma das pinturas mais conhecidas do mundo. Para os noruegueses, a obra é uma espécie de Mona Lisa (a famosa pintura de Leonardo da Vinci) nacional.

     - Dizer que isso é triste é pouco. Isso é totalmente terrível e chocante. São tesouros nacionais de um grande valor - disse a ministra da Cultura, Valgerd Swarzstad Haugland.

     A ministra queixou-se da segurança precária do Museu Munch, de Oslo, de onde foram levadas as pinturas.

     - Não guardamos bem nossos tesouros artísticos. Temos que aprender com isso - disse.

     O roubo aconteceu ontem, às 11h, diante de diversas testemunhas. Segundos depoimentos prestados à polícia, os ladrões eram três homens fortemente armados e entraram no Museu Munch vestidos de preto e com máscaras. Embora testemunhas tenham garantido que ouviram disparos, a polícia diz que ninguém ficou ferido. Os ladrões fugiram em um Audi preto, que depois foi achado pela polícia.

      Além de O grito e de A Madonna, outro famoso quadro de Munch, agências de notícias informaram que um terceiro quadro, não identificado, teria sido levado. Ontem, a polícia de Oslo foi avisada de que haviam sido encontrados restos de molduras numa rua da cidade. A notícia deixou a direção do museu temerosa de que os quadros tenham sido danificados.

     - O grito foi pintado em madeira, e não sobre uma tela. Emoldurada e protegida com vidro, ela está segura. Mas sem moldura, a obra corre grande perigo - disse o porta-voz do Museu Munch, Jorun Christoffersen.

     Munch fez várias versões de O grito, uma das obras de arte mais reproduzidas no mundo todo. A tela roubada hoje em Oslo data de 1893 e mede 83,5 por 66 centímetros. Outra versão de O grito está no Museu Nacional da Noruega e foi roubada em 1994. No entanto, o quadro foi recuperado três meses depois e o principal responsável pelo delito foi condenado a seis anos e três meses de reclusão.

     Alguns especialistas acreditam que O grito pode valer cerca de 500 milhões de coroas (aproximadamente 62 milhões de euros, ou cerca de R$ 228 milhões). Diretor do Museu Nacional, Sune Nordgren espera que os ladrões se comuniquem com o Museu Munch para pedir um resgate pela devolução das obras, pois sua notoriedade tornará muito difícil vendê-las no mercado negro.

     O grito, que representa uma pessoa apoiada em uma ponte com o rosto entre as mãos, a boca muito aberta e uma expressão de horror nos olhos, é uma das obras mais representativas de Munch e de sua obsessão por pintar a angústia e o desespero. O pintor, que morreu em 1944, aos 81 anos de idade, teve durante toda a sua vida uma tendência quase patológica à angústia, o que o levou a trabalhar cada vez mais isolado.

     Os títulos de muitos de seus quadros, como A criança doente e Melancolia, dão uma idéia da inclinação de Munch à representação em suas obras do mundo das paixões, dos instintos e dos medos da humanidade. Em 1941, ele doou cerca de mil quadros e milhares de desenhos e gravuras ao seu país, possibilitando a criação do Museu Munch, em 1963.

     O roubo deste domingo é o último de uma longa lista de saques de obras de grande valor em todo mundo. Ladrões de obras de arte estão longe de ser fenômeno recente - em 1911, La Gioconda, ou a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, foi levada do Louvre. A obra-prima foi recuperada em 1913.

     Em geral, as quadrilhas que se dedicam a roubar obras de grande valor e visibilidade preferem o furto às táticas violentas usadas na ação de ontem. Apesar da divulgação das peças sumidas, muitas jamais são encontradas, como as duas obras de Vincent Van Gogh retiradas em 2002 do Museu Van Gogh, em Amsterdan. Em 2000, desapareceram dois Renoirs e um Rembrandt do Museu Nacional da Suécia, em Estocolmo, e um quadro de Cézanne sumiu em Oxford, Grã Bretanha. Em 1999, sumiram quadros de Rembrant e Giovanni Bellini do museu dinamarquês Nivaagaard Malerisamling. As obras foram recuperadas em um bar de Copenhague. No mesmo ano, um desenho de Rembrandt desapareceu em um museu local de Draguignan, na França.


IMAGEM  REAL  TERIA
INSPIRADO "O GRITO"

JOÃO BATISTA NATALI
da Folha de S.Paulo
23/08/2004 - 09h53


     Edvard Munch foi o primeiro artista escandinavo a obter reconhecimento internacional e também o dono de uma prolífica produção que inclui cerca de mil telas e centenas de gravuras. Sua obra foi uma das sínteses da aversão de uma geração de artistas que revoltou-se no final do século 19 contra a ditadura do figurativismo na tradição acadêmica.

Divulgação
Quadro "O Grito"

     Apontado como o primeiro grande nome do expressionismo alemão --viveu em Berlim entre 1892 e 1895--, Munch é também um caso exemplar de personagem martirizado pela visão escatológica da vida, pelo pessimismo e pela melancolia.

      "O Grito", em suas três versões semelhantes, retrata um personagem esquálido, com as duas mãos tapando os ouvidos, a boca aberta em forma oval e, ao fundo, um céu formado por faixas espessas com predominância de vermelho e amarelo.

      Em seu diário, Munch disse ter se inspirado em cena que presenciou durante uma caminhada nas imediações de Cristiania, nome pelo qual em 1893 era conhecida a cidade de Oslo.

     As cores, freqüentes no horizonte dos crepúsculos de outono nos países nórdicos, foram em 2003 atribuídas, por astrônomos americanos, aos efeitos de uma explosão vulcânica ocorrida na Indonésia.

     Mas em termos estéticos o detalhe é idiota e irrelevante. O que vale é a forma econômica com que Munch trabalha com seus traços espessos, de modo a "reconstruir" uma cena em que os acadêmicos registrariam uma infinidade de detalhes.

     Essa "simplificação" da percepção da paisagem e do personagem que a ocupa também está presente em telas de Gauguin e Toulouse-Lautrec.

     A biografia do pintor apresenta traços também bastante fortes. A tuberculose que matou a mãe e uma das irmãs, a demência de uma outra irmã, o niilismo sexual dos pintores com quem conviveu na Alemanha e o alcoolismo que o levou à internação na Dinamarca.

     A partir de 1910, fixado novamente na Noruega, falou-se bem menos dele e de seu trabalho, que prosseguiu de forma incessante até sua morte em 1944, aos 80 anos, sem ligar para o fato de, em 1937, o nazismo tê-lo enquadrado na chamada "arte degenerada".

     Teve tempo de legar a produção mantida em seu estúdio à Prefeitura de Oslo. Ela foi a base do acervo para a abertura, em 1963, do Museu Munch, onde ontem uma versão de "O Grito" foi roubada.