"Artnapping" - Do roubo ao
sequestro, é só um passo

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Texto:
JB Online

22/08/2004 - 08h38m

Imagem:
Reprodução


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Para sua "Madonna", Munch fez duas versões em óleo sobre tela: a primeira (acima) se acha protegida no Museu Nacional da Noruega. Nela, a "Madonna" aparece sensual, mas divina.


Elas são símbolos da história da arte, valem milhões e não podem ser vendidas. Quase nenhum comerciante se arriscaria a colocar no mercado obras-primas roubadas, que são buscadas pela polícia em todo o mundo.

No entanto, estes objetos - como comprovam os quadros de Edvard Munch, levados de Oslo - estão cada vez mais na mira dos ladrões de arte. Os responsáveis por este tipo de roubo não são colecionadores obcecados, mas chantagistas, cujo objetivo é conseguir que museus e seguradoras paguem resgate pelas obras furtadas.


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A segunda versão de Munch para a "Madonna",  é mais que sensual, insinuando-se pornográfica. Esta se achava no Museu Munch e foi roubada em 22/08/2004, junto com "O Grito". O pintor utilizou esta imagem para fazer uma terceira versão em litografia.

     De fato, há algum tempo o mercado de arte se acostumou a ouvir falar em artnapping (uma adaptação da palavra inglesa para seqüestro, kidnapping). Trata-se de um seqüestro em que os reféns são obras de arte, um novo tipo de delito que geralmente envolve negociações milionárias entre ladrões, museus e seguradoras.

     - O seqüestro de arte aumentou consideravelmente nos últimos cinco anos - diz a detetive Ulli Seegers, do maior banco de dados do mundo dedicado ao assunto, o Art Loss Register (ALR).

     Segundo Seegers, os ladrões descobriram que a nova modalidade de roubo lhes permite conseguir dinheiro com risco relativamente baixo. O mito do colecionador apaixonado que encarrega um ladrão de roubar uma peça e a guarda em um sótão não parece corresponder mais à realidade.

     Joachim Leuther, presidente da seguradora de arte Hiscox, diz que por ano faturam-se US$ 6 milhões com o negócio internacional do roubo de obras d e arte. Atualmente, há mais de cem mil peças desaparecidas, entre elas 569 de Picasso, 262 de Chagall e 14 de Kandinsky.

     Em geral, o artnapping termina bem para os ladrões. Os museus querem recuperar as suas obras e as seguradores querem minimizar os danos. As companhias de seguros estão em geral dispostas a pagar um resgate quando este, como costuma ser o caso, é menor do que o valor da soma pela qual está segurada a obra.


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