De fato, há algum
tempo o mercado de arte se acostumou a ouvir falar em artnapping (uma adaptação
da palavra inglesa para seqüestro, kidnapping). Trata-se de um seqüestro em que
os reféns são obras de arte, um novo tipo de delito que geralmente envolve negociações
milionárias entre ladrões, museus e seguradoras.
- O seqüestro de arte aumentou
consideravelmente nos últimos cinco anos - diz a detetive Ulli Seegers, do maior banco de
dados do mundo dedicado ao assunto, o Art Loss Register (ALR).
Segundo Seegers, os ladrões descobriram que a
nova modalidade de roubo lhes permite conseguir dinheiro com risco relativamente baixo. O
mito do colecionador apaixonado que encarrega um ladrão de roubar uma peça e a guarda em
um sótão não parece corresponder mais à realidade.
Joachim Leuther, presidente da seguradora de
arte Hiscox, diz que por ano faturam-se US$ 6 milhões com o negócio internacional do
roubo de obras d e arte. Atualmente, há mais de cem mil peças desaparecidas, entre elas
569 de Picasso, 262 de Chagall e 14 de Kandinsky.
Em geral, o artnapping termina bem para
os ladrões. Os museus querem recuperar as suas obras e as seguradores querem minimizar os
danos. As companhias de seguros estão em geral dispostas a pagar um resgate quando este,
como costuma ser o caso, é menor do que o valor da soma pela qual está segurada a obra.