Tomie traz Dadá e Surreal
a São Paulo

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Imagens:
Divulgação


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MONALISA COM BIGODES
"L..H.O.O.Q" (1919-1964) lápis sobre
reprodução de Marcel Duchamp


Sonhando de olhos abertos -
Dadaísmo e surrealismo na coleção de
Vera e Arturo Schwartz

Acervo do Museu de Israel de Jerusalém em pinturas, esculturas, objetos, desenhos, gravuras, colagens, fotografias e livros de arte. São 240 trabalhos de mais de 100 artistas incluindo papas destes movimentos como os dadaístas Marcel Duchamp, Max Ernst, Man Ray, Kurt Schwitters e os surrealistas André Breton, Joan Miró e André Masson.

O curador americano Luis Cancel, ex-secretário de cultura de Nova York adaptou para o Brasil a mostra que tem a curadoria do israelense Tamar Manor-Friedman. A exposição está divida em seis núcleos: Dadá; Marcel Duchamp e Man Ray; Mouvement Flou; Precursores; Surrealismo e A Biblioteca.


Onde:
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima 201 (entrada pela Rua Coropés), São Paulo (Pinheiros)
Telefone:  6844-1900.

Quando:
Até 28 de novembro de 2004

Horário:
de terça a domingo de 11h às 20.


Fonte: Globo Online - 23/09/2004 - 20h41


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"Bilhetes" (1922), guache e caneta sobre papel
de Francis Picabia

24/09/2004 - 09h33

Tomie Ohtake traz coleção com dadaístas e surrealistas

GUSTAVO FIORATTI
do Guia da Folha de S. Paulo


     A ruptura provocada pelo movimento dadaísta, em que se inserem os conhecidos "ready-mades" de Marcel Duchamp, e a seqüência desse rompimento consolidado pelo surrealismo de Salvador Dalí ganham panorama na exposição "Sonhando de Olhos Abertos - o Dadaísmo e o Surrealismo na Coleção de Vera e Arturo Schwarz ", no Instituto Tomie Ohtake.

     É a oportunidade para entender a arte contemporânea, que tem forte base nesses dois movimentos do início do século. Especialmente no dadaísmo, que propunha a ruptura total com a arte de salões, impregnada de valores morais e estéticos. Foi essa quebra que permitiu a Duchamp colocar a roda de uma bicicleta sobre um banquinho e assinar o objeto, transformando-o em arte.

     No total, são 240 trabalhos de cem artistas, entre colagens, fotos, pinturas, desenhos, gravuras, esculturas e publicações. A riqueza da coleção de Arturo Schwarz, trazida parcialmente do Museu de Israel, está centrada em sua diversidade.


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"The Engineers" (1920), aquarela e colagem
sobre papel de Raoul Hausmann

     Há preciosiodades de Francis Picabia, Jean Arp, Man Ray e Max Ernst na seção dedicada ao dadaísmo; e de Joan Miró, Joseph Cornell, Meret Oppenheim, Wifredo Lam, Remedios Varo e Yves Tanguy no espaço para os surrealistas.

     Mas o público não deve esperar obras festejadas. O belga René Magritte (1898-1967) é a grande falta --não está na exposição. De Salvador Dalí, há apenas uma obra, além de retratos realizados pelo fotógrafo americano Philippe Halsman.

     Como defende a curadora Tamar Manor-Friedman, "a coleção é sistemática e dá a oportunidade de ver esses movimentos de forma ampla".


SAIBA MAIS SOBRE

DADAISMO             SURREALISMO
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"Dove" (1925-1926), óleo sobre
papel de Max Ernest

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"Merz 293" (1921), colagem sobre papel
de Kurt Schwitters


"Sonhando de Olhos Abertos", em cartaz no Tomie Ohtake,
apresenta 234 obras dadaístas e surrealistas


Mostra testemunha o engajamento
radical do irracionalismo

FELIPE CHAIMOVICH
CRÍTICO DA FOLHA DE S. PAULO
28 de outubro de 2004

     Que fim levou a revolução? "Sonhando de Olhos Abertos" reúne, no Instituto Tomie Ohtake, 234 obras testemunhando o engajamento dadá e surrealista na mudança radical dos padrões da arte. A coleção de primeira grandeza provém do Museu de Israel, em Jerusalém, e permite compreender a história desses movimentos.

     Dadá é o nome genérico dado a uma rede de artistas que circularam por Zurique, Nova York, Barcelona, Paris, Berlim, Moscou, Budapeste e Praga durante a Primeira Guerra e logo após. Enquanto desabava a estrutura imperial européia em meio a um banho de sangue, os dadaístas denunciavam a alta cultura eurocêntrica como parte do processo que estava levando o mundo a um conflito bélico nunca visto.

     Contudo o progresso tecnológico tornara possível a conexão globalizada desses artistas. Desde o início o dadá nutriu-se do paradoxo: criticava um mundo que era sua própria condição de existência como grupo cosmopolita.
O nascimento da colagem em 1912 abrira as portas para o apagamento das fronteiras entre as diversas mídias codificadas pelas academias de belas-artes.

     Se era possível chamar de obra de arte um misto de recortes de jornal com os horrores da guerra, pintura e objetos cotidianos deslocados de suas funções originais, então toda a cultura poderia passar por uma subversão renovadora.
O "ready-made" de Marcel Duchamp ganha destaque na mostra. Um segmento inteiro é dedicado à invenção do gênero da antiarte, com reedições da roda de bicicleta sobre banquinho (1913/ 64) e dos padrões de medida com linha e madeira (1913/64).

     Encontramos experimentos com cinema, nos "Filmstudie" (1926), de Richter, com tipografia, na revista "Mecano" (1922), editada por Van Doesburg, com escultura, na "Construção" (1922), de Joosten, e desenho, no "Centauro na Floresta" (1919), de Arp, e em "Tickets" (1922), de Picabia.

     Porém o triunfo da revolução na Rússia e as transformações políticas na Europa dos anos 20 colocaram em xeque o niilismo dadaísta. Urgia engajar-se nas mudanças e abandonar o ceticismo.

     Surgiu, assim, o surrealismo, em Paris, cujo primeiro manifesto de 1924 propunha acelerar o processo revolucionário pela libertação das forças reprimidas no indivíduo, devido aos preconceitos sexuais burgueses. Na fotomontagem "O Fenômeno do Êxtase" (1928), de Heine, vemos mulheres nuas revirando os olhos, solitárias ou em enlaces homoeróticos.

     A exploração do acaso, do irracional e do sonho aparece no "Cadáver Delicioso" (1936), de Picasso, Éluard e Man Ray, no "Retrato de Picasso" (1938), por Dora Maar, e nas "Mulheres das 11 Horas" (1947), de Tanguy.

     Entretanto a internacionalização do surrealismo a partir da Segunda Guerra Mundial dissociou progressivamente o movimento do ímpeto revolucionário original. Na parte final da exposição, vemos a aleatoriedade das obras ditas surrealistas, desde a foto com adesivos de pássaros "Sexta Aurora", de Cornell, até o desenho "Mulher e Pássaro" (1970), de Miró.

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Responsável: Paulo Victorino
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