Alex Flemming - As fotos que
parecem pintura fauve

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Texto:
Entrevista: Revista Fotosite


Imagens:
Divulgação


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Flemming registrou cenas de sua vida entre as cidades de Bangkok (Tailândia), Berlim, Dresden, Leipzig (todas na Alemanha), Paranaguá e São Paulo e, a partir dos negativos, recriou as fotos através da pintura.

JUAN ESTEVES ENTREVISTA
ALEX FLEMMING

     Alex Flemming é um artista que não pára quieto. Seu trabalho é uma constante evolução e sua vida é um trânsito só, literalmente. Vive no eixo Brasil - Alemanha, país onde mora há mais de 10 anos. Também é um dos raros artistas que consegue transitar pela arte das galerias e pelas instalações públicas. Uma de suas obras mais conhecidas está na Estação Sumaré do metrô de São Paulo, instalada desde 1998.


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Fotosite - Já não é a primeira vez que a fotografia tem um papel importante na sua arte. Ela já aparece em trabalhos anteriores, como a série"Body -Builders", e a aplicação de serigrafias em telas, por exemplo. Apesar de vc ser um artista de múltiplos suportes, como a pintura, gravura, instalações. Por que a recorrência ao meio?

Alex Flemming - Minha ligação com a fotografia é algo visceral e data dos primórdios de minha produção adulta profissional. Acredito que o fato de eu ter estudado cinema tenha tido consequências duradouras em meu trabalho plástico, sendo que a utilização da fotografia sobre suportes não tradicionais sempre me fascinou (photo-etching, serigrafia sobre vidro, fotos sobre metal esmaltado, por exemplo).

FS - Você passa a maior parte do tempo viajando entre Alemanha e Brasil, como vc lida com duas culturas tão distintas e como elas refletem em sua obra? Esta mostra de São Paulo, são imagens captadas em viagens pela Alemanhã, Brasil, Tailândia, entre outros lugares.

AF - Como sou filho de um piloto e de uma aeromoça, minha vida foi sempre de um nomadismo constante. Tais movimentos trazem uma visão de mundo, onde não mais prevalecem óticas-de-paróquia nem preconceitos generalistas. O fato de eu ter tido uma educação com ética protestante, também me fez ficar mais aberto e mais respeitoso com o Outro-diferente-de-mim. Minha pátria é maior do que São Paulo.

FS - O que você apontaria como uso satisfatório da fotografia na arte global? Algum nome que serviu de inspiração?

AF - Para mim, as grandes influências foram o Zone System de Ansel Adams, as fotos cuzquenhas de Irving Penn e a obra do brasileiro dos"Trinta Valérios". Tudo é importante : cabe ao artista receber uma informação, processá-la ou ignorá-la.

FS - É mais fácil vender fotografia na Europa ou Brasil?

AF - Para um artista não há a menor dúvida que a sobrevivencia material aponta muito mais para a Europa do que para o nosso querido Brasas. Aliás, nem só sobrevivência material eu falaria, mas acima de tudo sobre um reconhecimento sólido, independente de panelas de pseudo-críticos ou marketing clandestino de galerias venais.

FS - Em todo seu trabalho a fotografia é usada com muita técnica. Vc tem alguma formação específica?

AF - Eu sou um auto-didata.


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Responsável: Paulo Victorino
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