A
Galeria Brasiliana inaugura a exposição Espiritualidade do artista plástico mineiro Jadir João Egídio, com 20 esculturas em madeira,
com dimensões variadas, que retratam suas crenças e inspirações. O artista transporta
seu universo às obras que cria. Jadir trabalha somente com madeira bruta, transformando-a
com levidade única, em obras que encantam admiradores da Arte Popular Brasileira
Contemporânea. Abertura dia 10 de Agosto.
Exposição
Jadir João Egídio
Espiritualidade
Curadoria Roberto
Rugiero
Local
Galeria
BRASILIANA www.galeriabrasiliana.com.br
Rua
Artur de Azevedo, 520 Jd. América Tel.:(11) 3086.4273 - São Paulo-SP
Abertura
10
de Agosto terça-feira - das 19 às 23hrs.
Período
de
11 de agosto a 11 de setembro de 2010.
Horário
2a
a 6ª feira, das 10:00hs às 18:00hs.
Sábado,
das 10:30hs às 15:00hs.
Nº
de obras
20
Técnica
esculturas
em madeira
Dimensão
de
55 cm. a 200 cm (altura)
Preço
de
R$ 1.800,00 a R$ 25.000,00

|
Jadir
João Egídio,
escultor mineiro, inaugura a exposição Espiritualidade
na Galeria Brasiliano onde exibe 20 obras
esculpidas em madeira, que exaltam sua fé, crenças e inspirações. Seus trabalhos são
predominantemente de cunho religioso, na maioria das vezes imagens de santos. O artista
trabalha apenas com material bruto, como dormentes e mourões já sem uso, cochos e
pranchas arruinados pelo tempo. São madeiras de origem nobre, praticamente extintas,
podendo-se citar baraúna, vinhático, aroeira entre outras.
Homem
de extrema sensibilidade, Jadir João Egídio não tem dificuldades em lidar com a
criação, com surgimento de novas obras: Idéias não lhe faltam. Religioso,
encontrou temas inesgotáveis na própria crença, ilustra Roberto Rugiero.
No
início, utilizava madeiras comuns em suas esculturas, mas com o passar do tempo, depois
de conversar com o artista Geraldo Telles de Oliveira - GTO, adquiriu experiência na
área, e percebendo que para sua arte ter melhor acabamento e qualidade, existiam
possibilidades em madeiras mais apropriadas do que as que utilizava. A princípio fez
experiências com o cedro, depois lenhos muito mais duros que encontrava nos sítios,
geralmente material descartado. Definida a madeira ideal, sem desenho prévio, confiante
em seu trabalho e no que pretende expressar, Jadir João Egídio simplesmente
estende sua matéria-prima no chão, e agachado, com apenas sua ferramenta na mão,
criadas por ele mesmo, como facões, formões e enxó, começa a trabalhar.
O entalhe em madeira é um processo que requer muito
tempo e esforço, já que o artista trabalha rigorosamente em sua escultura, cortando,
esculpindo, extraindo o material supérfluo até obter a forma desejada. Para Jadir
João Egídio, é como se sua obra já estivesse dentro daquela matéria prima, e com
sua sensibilidade aguçada, busca trazer para fora esta arte, da maneira mais precisa
possível. Ao talhar o lenho, simplesmente
desvenda a vida que há dentro da madeira
Quinhoeiro
da arte popular contemporânea, Jadir João Egídio não freqüentou escolas de
arte e realiza seus trabalhos apenas expressando sua percepção do mundo e suas crenças
pessoais.
O
Artista
Nascido
em 1933 na pequena cidade de Divinópolis, MG, Jadir João Egídio começou a se
manifestar artisticamente em um dos momentos mais difíceis de sua vida. Quando ainda
sustentava sua família recolhendo leite dos sítios da região e levando para a usina da
cidade, um caminhão desgovernado atingiu Jadir João Egídio e a carroça que
utilizava pra transportar os jarros de leite, matando o cavalo e por pouco não levando de
arrasto o condutor. Desta maneira o artista não podia dedicar-se a nenhuma tarefa que
demandasse força e destreza física como era o trabalho a que se dedicava.
Assim,
antes de descobrir seu talento para a arte, passou a trabalhar com artesanato de couro.
Apenas embarcou no mundo artístico quando, um dia, sua mulher entrava em casa com lenha
para o fogão e o artista cismando,
meio fascinado com um certo pedaço de madeira que parecia atraí-lo para alguma coisa
nova, pegou no lenho e com o canivete começou a entalhar, de improviso, sem saber direito
a finalidade e o destino de sua ação. Quando sentiu que aquilo estava pronto, constatou
surpreendido, que havia criado uma imagem que lhe agradava. Surgiu assim, seu primeiro
trabalho artístico, sem pretensões ou muito menos com o objetivo de trabalhar com isso
futuramente. Justamente por isso ficou tão surpreso quando um cliente que o visitava em
sua própria casa, deu uma oferta pelo trabalho. Uma oferta muito maior do que artista
poderia imaginar. Desta maneira, ambos ficaram
satisfeitos. O cliente, pois saia com o trabalho que queria em mãos, e Jadir
João Egídio,
agora incentivado a continuar a arte.
Daí
por diante sua criatividade disparou, e adquirindo experiência e novas técnicas passou a
realizar obras de melhor qualidade. Quando conseguiu juntar um bom número de peças, foi
vendê-las na feira dominical da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Lá conheceu Roberto Rugiero, que encantado com seu trabalho o
apresentou, algum tempo depois, para Emanoel Araújo. Diretor do Afrobrasil, ele o incluiu
na mostra Negras Memórias, Memórias de Negros à maneira de um contraponto,
como a permanência do arquétipo ibérico --- já que Jadir não tem uma só gota de sangue africano,
nem faz o tipo de arte que pudesse incluí-lo na categoria dos afrobrasileiros. Na
verdade Jadir é um artista cuja iconografia
nos transporta a um período anterior ao da arte da Renascença e do Barroco, anterior
mesmo ao Gótico, pois sua obra parece ter relações com o Românico afirma Roberto Rugiero e ainda defende: Hoje Jadir é, em minha avaliação, o grande mestre
popular da madeira ainda em atividade no país. Quase a ponto de comemorar seus 80 anos de
vida, é um exemplo da vitalidade criativa e da resistência do povo do Brasil.
 |
 |
Jadir
João Egidio
Como acontece com muita freqüência entre os
artistas espontâneos, Jadir João Egidio, escultor mineiro nascido em 1933 começou a
manifestar-se artisticamente num dos momentos mais difíceis de sua vida.
Corria o ano de 1977 e na cidade de
Divinópolis, MG, Jadir sustentava a família recolhendo leite dos sítios da região e
levando para a usina da cidade. Saia cedo de casa e metia a carroça em tudo quanto era
canto enchendo e esvaziando os latões. Um trabalho que demandava ligeireza, pois se não
for assim, o leite azeda. Fazia já um tempinho que estava nessas lides e ele, homem de
poucas ambições e muitas responsabilidades, ia tocando a vida. Mal sabia que certa
manhã seu destino sofreria radical mudança.
Ao descer com o devido cuidado uma ladeira
íngreme e comprida, sentiu uma premonição, um aviso: aquele caminhão que via ainda
longe, atrás de si, deixou-o em alerta. Deu-se conta de que estava diante de uma ameaça,
que se aproximava numa velocidade incompatível com a prudência exigida para a manobra.
Encostou a carroça no barranco, o mais que pôde, acionou o freio e esperou que o
sinistro veículo o ultrapassasse. O caminhão o pegou em cheio, matando o cavalo e por
pouco não levando de arrasto o condutor. Ferido com gravidade, a recuperação foi
custosa de agüentar, conta ainda hoje o artista, com tristeza e resignação.
Destituido do ganha-pão, sem qualquer outro
recurso, Jadir se perguntava como faria para sustentar a familia? Não podia dedicar-se a
nenhuma tarefa que demandasse força e destreza física. Tinha mesmo era de ficar sentado
quieto. Voltou a trabalhar com couro cru, fazendo relhos, laços, barrigueiras, estribos.
O dinheiro era pouco, mas não podia ficar parado e naquele momento não havia outra
escolha. Esses instantes de recolhimento e espiritualidade gerados pela incerteza e o
sofrimento são um campo onde medram impulsos e revelações para muitos artistas, que
até aquele momento nem sabem que o são.
Um dia, sem explicação, a esposa Cecília
trazia lenha para o fogão e Jadir ficou cismando, meio fascinado por um pedaço de
madeira que parecia atraí-lo para alguma coisa nova. Pegou no lenho e com o canivete
começou a entalhar , de improviso, sem saber direito a finalidade e o destino de sua
ação. Quando sentiu que a coisa estava pronta, constatou surpreendido que havia criado
uma imagem que lhe agradou. Permaneceu na admiração do trabalho até que poucos dias
depois um cliente o visitou e perguntou quanto ele queria pela peça. Jadir não sabia.
Então o homem ofereceu uma quantia bem superior ao que ele podia conseguir fazendo
artesanato de montaria. Ficaram duas pessoas satisfeitas: o comprador, que o incentivou a
fazer outros trabalhos, e Jadir, meio atônito com a situação.
Daí por diante sua criatividade disparou.
Foi visitar Geraldo Telles de Oliveira
- GTO, um escultor muito famoso na cidade, que lhe
indicaram. Viu que este trabalhava com ferramentas que ele nunca havia conhecido. Foi
adquirindo as suas, assuntando madeira mais apropriada, a princípio o cedro, depois lenho
muito mais duro, como a baraúna, o vinhático e a aroeira, que arrumava nos sítios,
geralmente material imprestável, dormentes e mourões já sem uso, cochos e pranchas
arruinados. Era só o de que precisava, pois idéias não lhe faltavam. Homem religioso,
encontrou temas inesgotáveis na própria crença. Quando conseguiu juntar um bom número
de peças, foi vendê-las na feira dominical da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.
Foi lá que o conheci, no início dos anos 80.
Por ocasião dos preparativos da Mostra do
Redescobrimento, indiquei seu trabalho a Emanoel Araújo, sem imaginar que essa
apresentação acabaria sendo fundamental para a carreira de Jadir, pois com um nome de
peso afirmando que ali estava um grande artista, ficou mais fácil o reconhecimento. O
diretor do Afrobrasil o incluiu na mostra Negras Memórias, Memórias de Negros
à maneira de um contraponto, como a permanência do arquétipo ibérico --- já que Jadir
não tem uma só gota de sangue africano, nem faz o tipo de arte que pudesse incluí-lo na
categoria dos afrobrasileiros.
Na verdade Jadir é um artista cuja
iconografia nos transporta a um período anterior ao da arte da Renascença e do Barroco,
anterior mesmo ao Gótico, pois sua obra parece ter relações com o Românico. É um dos
raríssimos artistas brasileiros que não sofreu influencias do barroco, esse movimento
que tanto guiou a mão dos santeiros .
Hoje Jadir é, em minha avaliação, o grande
mestre popular da madeira ainda em atividade no país. Quase a ponto de comemorar seus 80
anos de vida, é um exemplo da vitalidade criativa e da resistência do povo do Brasil.
Roberto
Rugiero, maio de 2010
|
IMAGEM |
DESCRIÇÃO |
1. |

|
Autor
Jadir João Egídio
Título
Nossa Senhora Do Rosario
Ano
2004
Técnica
madeira
Dimensões
193 cm. |
2. |

|
Autor
Jadir João Egídio
Título
Nossa Senhora E Menino Jesus
Ano
2007
Técnica
madeira
Dimensões
57 cm. |
3. |

|
Autor
Jadir João Egídio
Título
São João Batista
Ano
2008
Técnica
madeira
Dimensões
49 cm. |
4. |

|
Autor
Jadir João Egídio
Título
São Sebastião
Ano
2005
Técnica
madeira
Dimensões
200 cm. |
5. |

|
Autor
Jadir João Egídio
Título
São Gonçalo
Ano
2009
Técnica
madeira
Dimensões
100 cm. |
6. |

|
Autor
Jadir João Egídio
Título
Fuga Para O Egito
Ano
2009
Técnica
madeira
Dimensões
50x90 cm. |
7. |

|
Autor
Jadir João Egídio
Título
Nossa Senhora Do Rosário 02
Ano
2005
Técnica
madeira
Dimensões
152 cm. |
8. |

|
Autor
Jadir João Egídio
Título
Festa Do Divino
Ano
2005
Técnica
- madeira
Dimensões
160x70 cm. |
9. |

|
Autor
Jadir João Egídio
Título
Ultima Ceia
Ano
2006
Técnica
madeira
Dimensões
82x134 cm. |
|