Seguindo a trilha de
Henry Moore

(1898-1986)
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Imagens:
Reprodução


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Mãe e filho - Escultura - 1938

     "Só sobre meu cadáver um Henry Moore entra na Tate", chegou a afirmar J.B. Manson, diretor da instituição inglesa, no final da década de 30. A bravata não era um ato isolado, ela representava o conservadorismo britânico no início do século 20, quando as escolas de arte nem sequer ensinavam escultura, e estátua era o único termo aceito pelas instituições.

     Henry Moore (1898-1986) mudou o panorama da arte inglesa. Em sua abrangente produção -foram mais de 12 mil esculturas e 7.000 desenhos-, ele elevou a escultura a importante suporte de manifestação artística, influenciando toda uma geração contemporânea, que faz com que a escultura britânica, com nomes como Antony Gormley e Tony Cragg, esteja entre as mais importantes da cena atual.


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Nu reclinado - desenho (1925-circa)

     O inglês participou da 1ª Bienal de SP, em 1951, com duas gravuras, e da 2ª Bienal, com 29 esculturas, além de ter ganhado retrospectiva no MAM-RJ, em 1965, com mais 27 esculturas.

     "Prefiro ver as minhas esculturas em qualquer paisagem a vê-las dentro do mais belo edifício do mundo". Em frente ao prédio, está uma de suas maiores esculturas na mostra, "Oval com Pontas", realizada entre 1968 e 1970.

     Bronze, mármore, alabastro, rochas de diferentes regiões, todo tipo de material era válido para as esculturas de Moore.

     "Ele era um pesquisador de materiais. Colecionava até rochas de praia", diz Mitchinson.

     Acima de tudo, Moore era um apreciador da natureza. Suas esculturas não só eram criadas com materiais orgânicos, como suas próprias formas estavam inspiradas, na maioria dos casos, em elementos da natureza, como ossos de animais, conchas do mar e, é claro, a figura humana, especialmente mulheres

     "De tanto penetrar no coração da matéria acabei descobrindo o céu do outro lado".


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QUEM FOI HENRY SPENCER MOORE
(1898-1986)

     Escultor e artista gráfico inglês, Henri Moore obteve uma bolsa para "ex-combatentes" em 1919 e foi estudar na School of Arts, de Leeds. Em 1921 mudou-se para Londres, onde estudou no Royal College of Art com bolsa de estudos, concluindo-a em 1925. Ainda no mesmo ano tornou-se professor de escultura da mesma instituição, onde lecionou até 1932.

     Realizou sua primeira exposição individual em Londres, em 1928. Em 1932 transferiu suas atividades de ensino para a Chelsea School of Art. Em 1933 tornou-se membro da "Unit One", um grupo de jovens artistas ingleses. Em 1939 a "Chelsea School" foi desalojada, seu estúdio foi bombardeado e Moore interrompeu suas aulas, tranferindo-se para Kingston durante um ano.

     Em 1940 foi nomeado "artista da guerra", época em que iniciou sua conhecida série de desenhos dos refúgios anti-aéreos. Em 1941 foi eleito membro do conselho da Tate Gallery, por sete anos (reeleito em 1949). Nessa época, viajou para Nova York onde expôs individualmente desenhos e esculturas, realizando exposições também em Chicago e São Francisco.

     Em 1945 a Universidade de Leeds lhe concedeu o título de "Doutor Honoris Causa". O reconhecimento internacional veio no ano seguinte, quando da premiação na XXIV Bienal de Veneza.

     Em 1949 são organizadas exposições retrospectivas de sua obra na Bélgica, França, Holanda, Alemanha, Suíça, México, Grã Bretanha, Austrália, Nova Zelândia, Suécia, Noruega, Iugoslávia e Japão. Em 1953, a Universidade de Londres concedeu-lhe o doutorado em letras "Honoris Causa". Seis anos mais tarde, nos Estados Unidos, titulou-se "Doutor Honoris Causa" em Belas Artes pela Universidade de Harvard.

     Em 1977 foi organizada uma grande retrospectiva de seu trabalho no Jardin des Tuilleries em Paris, com cerca de 244 obras, entre desenhos e esculturas. Em sua obra, pode-se constatar dois períodos distintos, tanto pelo uso dos materiais e as técnicas escultóricas como pelas abordagens formais.

     Entre 1922 e 1939 os materiais escolhidos foram a pedra e a madeira; nesta época tomou parte do movimento surrealista, e se interessou pelos "objets trouvés" como pontos de partida para a criação escultórica. Após a Guerra, Moore se dedicou à modelação, fundida em bronze.

     O tema central que percorreu ambas as fases é a figura humana, sobre tudo a feminina (a mãe com seu filho, a figura reclinada etc.). A partir dos anos 50,

     Moore deteve-se numa temática mais formal "interior/exterior", integrando a figura à paisagem; sendo que produziu esculturas com escalas bem maiores, contratando assistentes incluindo Anthony Caro, Phillip King, John Farnham, Malcolm Woodward e Michel Muller. Seus trabalhos constam das mais significativas coleções do mundo inteiro, tais como: Art Gallery of Ontario; British Museum, Londres; Victoria and Albert Museum, Londres; the British Council, Londres.

     Além das obras em diversos locais públicos, tais como na sede da UNESCO em Paris e no Parlamento Inglês, em Londres. Em 1977 criou-se o The Henry Moore Foundation, em Londres; mais tarde, em 1982, a fundação juntamente com o Leeds City Council estabeleceram o The Henry Moore Institute, em Leeds, dedicado exclusivamente à escultura, com um programa composto de exposições, coleções e pesquisa.

Fonte: Bienal de São Paulo.

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Responsável: Paulo Victorino
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