Aos 85 anos, 70 dos quais dedicados às artes plásticas, o
mestre Willy Zumblick dá mostras de vigor e envereda por outras sendas, revelando uma
face desconhecida: ele lançou, na cidade de Tubarão (SC) o seu primeiro livro,
"Entre Penas e Pincéis", espécie de relato autobiográfico escrito em forma de
contos.
Editado pela própria Unisul e organizado
pelas professoras Lélia Pereira da Silva Nunes (presidente da Fundação Franklin
Cascaes) e Ruth Vieira Nunes (diretora do Centro de Convivência), o livro reúne 14
histórias contadas por Willy com graça e, segundo ele, fidelidade.
"Tudo que escrevi é verdadeiro e com
humor", garante. "Como na vida já plantei árvores, pintei dezenas de quadros,
resta agora intrometer-me na seara alheia e tentar escrever algo, mesmo que modesto".
Este singelo auto-retrato revela um cidadão
consciente, grande entusiasta das causas da cultura e da diversidade étnica. São 175
páginas de texto, ilustradas com 25 reproduções de telas do pintor, cujo tema é a
"Bandeiras do Divino Espírito Santo". Há ainda reprodução de alguns
manuscritos do autor, rabiscados no ateliê entre uma peça e outra.
O registro da memória, com narração de
experiências vividas ao longo da carreira, é permeado pela reflexão da maturidade.
Dessa safra, ficaram de fora dez contos, que deverão ser publicados num próximo volume,
também organizado por Lélia Nunes. O título já foi escolhido: "Retratos e
Caricaturas".
No
ano internacional do Divino Espírito Santo, quando se comemora os 250 anos de emigração
açoriano-madeirense, o livro "Entre Penas e Pincéis" é um presente de
Zumblick para a comunidade em que vive. O carinho de Tubarão pelo seu artista maior é
algo raro hoje em dia. Exemplo disso é o prefácio do livro, assinado pelo reitor da
Unisul, Silvestre Herdt.
A capa e o projeto gráfico foram executados
pela Editora Universitária, que imprimiu 2.500 exemplares nessa primeira edição.
Zumblick, com seu jeito tímido, agradece.