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Georges Wambach

(1901-1965)

Juventude na Bélgica


     Nascido em Antuérpia (Bélgica) e falecido no Rio de Janeiro. Era filho da grande pintora belga Marie De Duve, e embora tenha recebido dela alguma orientação foi a rigor autodidata em pintura.

     Começou a pintar muito moço, postando-se estilisticamente em seus primórdios entre os que sentiam o Art-Déco dos anos 20 sem contudo abandonar de todo certas posturas da Belle Époque.

     Suas aquarelas da década de 1920 exibem, assim, um parentesco patente com obras de alguns grandes artistas de tal época, como Rops, Steinlen e Forain.
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Viajando pelo Brasil


     Trocando em 1933 o Velho pelo Novo Mundo, Wambach fixou-se no Rio de Janeiro, de onde sairia nos próximos anos inúmeras vezes em peregrinações artísticas que o levaram às cidades históricas mineiras, ao Nordeste e mesmo à Amazônia.

     De todos esses lugares, retornava sempre com um punhado de novas pinturas e aquarelas e com seus livros de apontamentos repletos de esboços e croquis. Retomava assim a velha tradição dos pintores-viajantes de começos do Oitocentos, fascinados pela natureza exuberante dos Trópicos.
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Um artista à moda antiga


     Wambach (que no Brasil expôs individualmente raríssimas vezes, inclusive no Museu Nacional de Belas Artes em começos da década de 1940), não foi de modo algum artista moderno, mesmo porque em pintura suas predileções iam ostensivamente para os Velhos Mestres, e em especial para El Greco e Goya.

     Mas, se as conquistas da arte do Séc. XX não o seduziam, estava também longe de ser um mero repetidor da tradição; sentia suas pinturas, insuflava-lhes vida, movimento. E é isso o que se vê em suas paisagens, nas figurinhas de filletes e notívagas tão abundantes em sua produção, nas estranhas cenas de flagelação e sadismo.
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Mais que tudo, a aquarela


     Maior aquarelista do que pintor, nunca foi Wambach mais artista do que quando improvisava, sobre o papel em branco, mancha após mancha e linha após linha, as formas que pouco a pouco lhe nasciam da memória, da observação ou da imaginação.

     Fazia tudo com tanta emoção, num traço e num pincelar tão ágeis e sensíveis que em tais obras o tema é secundário, sendo essencial o modo como são desenvolvidas, a elegância de certos contornos, a força expressiva que delas transborda. Junte-se a tudo isso sua capacidade inata de colorista, sua facilidade em valorizar com pequeninos realces de tom a cena mais modesta e aparentemente mais banal.
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Um tipo inesquecível


     Georges Wambach era alto, corpulento, muito louro e de uma boêmia que beirava a inconseqüência. Tinha, a diferenciá-lo de tantos pintores, uma cultura invulgar, que aprimorava em constantes leituras em vários idiomas.

     Era um dionisíaco e um esteta, de sentimentos à flor da pele, apaixonava-se com grande freqüência, e então sofria a dor de todos os românticos...

     Anticlerical, odiando a guerra, todos os totalitarismos e o militarismo (coisa que aliás facilmente se constata pelo exame de sua produção, na qual avultam cenas de violação e flagelo praticadas por homens fardados contra mulheres indefesas), liga-se por esse aspecto a seu idolatrado Goya.
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Fontes:


CD-Rom:
500 Anos da Pintura Brasileira
Livro: «Aquarelas de Georges Wambach» (Banco Itaú)
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O BRASIL EM AQUARELAS
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AMAZONAS:

 
       Porto de Manaus (AM) - 1954
       Lago de Janauari (Rio Negro-AM) - 1954
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B A H I A :


        Baianas - 1954
        Praia de Itapoã (BA) - 1954
        Casario (entre Pituba e Itapoã-BA) - 1954
        Chair de Verité (Convento S. Francisco-BA)
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C E A R Á :


        Farol de Mucuripe (CE) - 1957
        Maranguape (CE) - 1957
        Paisagem em Messejana (CE) - 1957
        Praça em Messejana (CE) - 1957
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MINAS GERAIS:


        Casario em Ouro Preto (MG) - sem data
        Rua em Ouro Preto (MG) - sem data
        Igreja em Sabará (MG) - 1963)
        Igreja do Bom Jesus de Matozinho (MG) 1963
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PERNAMBUCO:


        Mar e coqueiros em Olinda (PE) - 1957
        Casario e Igreja em Igarassu (PE) - 1957
        Sé de Olinda (PE) - 1957
        Igreja N. S. do Bom Parto (Olinda-PE) - 1957
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RIO DE JANEIRO:


        Flamboaiãs em Paquetá (RJ) - 1951
        Coqueiros em Ipanema (RJ) - 1955
        Pedra da Gávea (RJ) - 1955
        Casa de Pescador (Paquetá-RJ) - 1951
        Vista de São Conrado (RJ) - sem data
        Largo do Boticário (RJ) - sem data
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SÃO PAULO:


        Mar em Ilha Bela (SP)
        Igreja (São Sebastião-SP) - 1964
        Igreja N. S. Aparecida (Aparecida-SP) 1953
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DIVERSOS:


        Figura de moça - 1955
        Pescadores e Barcos - 1951
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OLEO SOBRE TELA:


Muito embora seja conhecido como aquarelista, técnica que usou para retratar, como poucos, as paisagens brasileiras, Georges Wambach também produziu uma grande quantidade de quadros a óleo, como Barcos em Concameau, abaixo reproduzido:
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Barcos em Concameau - óleo sobre tela - 65 x 100 cm
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