Antônio Batista de Sousa (Antônio Poteiro) nasceu
em Santa Cristina de Pousa (Portugal) no ano de 1925.
Chegando ao Brasil em
criança, morou sucessivamente em São Paulo e Minas Gerais, viveu ano e meio na Ilha do
Bananal entre os Carajás e, finalmente, radicou-se em Goiânia.
Ganhando a vida como
fabricante de cerâmica utilitária (de onde lhe adveio o epíteto de Poteiro), aos poucos
foi imprimindo qualidade artística a seus potes, estimulado por Antonio de Melo e pela
pintora e folclorista Regina Lacerda.
Com o passar dos anos
muitos de seus potes assumiriam a condição de autênticas esculturas em cerâmica,
superando pela carga estética sua condição primeira de simples recipientes caseiros
para revelar, na forma cada vez mais complexa e na elaborada ornamentação, uma
imaginação dominada pelo insólito e o fantástico.
Passando posteriormente a
pintar, a conselho de Siron Franco e de outros artistas goianos, carreou para a pintura os
mesmos elementos utilizados em suas peças cerâmicas, priorizando uma temática nascida
do sonho e do pesadelo, antes de que apreendida diretamente da realidade concreta.
É, dentre os artistas
brasileiros, dos mais conhecidos e apreciados no exterior, em função do enorme número
de exposições internacionais de que tem participado desde 1972.
Estranha figura de barbas
longas como as de um profeta bíblico, leitor constante das Sagradas Escrituras e
conhecedor da História, sob a aparência singela e o despojamento quase desleixado
esconde-se um autêntico criador de formas, dotado de uma visão pessoal e que por isso
mesmo soube dar corpo a um mundo-de-idéias que não se assemelha ao de nenhum outro
artista.
Como a seu respeito
escreveu Frederico Morais em 1983:
«O mundo que Poteiro
constrói em seus quadros e cerâmicas é rigorosamente lógico, a começar pela sua
simetria. Nele temos o céu e a terra, o alto e o baixo, a esquerda e a direita, o dentro
e o fora, Deus e o diabo, o bem e o mal, o leve e o pesado.
«São vários níveis,
planos, andares. Há o mundo de dentro (Poteiro põe um presépio dentro de um chapéu de
couro nordestino, imagem que lembra uma nave ou gruta) e o de fora".
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»