Mick Carnicelli Sobrinho |
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| Chegando ao Brasil em plena infância, seria em Veneza, a partir de 1909,
que Mick Carnicelli faria sua formação profissional como pintor, no Instituto de
Belas-Artes.
Longos anos depois, de volta ao Brasil, exerce intensa atividade como pintor retratista, sobretudo na área central da cidade, onde se fixa definitivamente. O tema da paisagem urbana, as naturezas-mortas, os auto-retratos, o identificam com toda uma geração de artistas ativos em São Paulo na década de 1940, como Volpi, Pennachi, Bonadei, além de Graciano, Rebolo e outros. A maior parte de suas pinturas, de particular qualidade, circulava, entretanto, mais entre colegas e amigos, por um desses fenômenos que, freqüentemente, privam o autor do reconhecimento em vida. Em conseqüência, privam também o público da fruição da obra de um verdadeiro artista. A imagem abaixo (óleo sobre tela) nos dá uma visão de uma esquina de casario antigo das primeiras décadas do século e caracteriza, com sobriedade, em breves pinceladas retas e cores terrosas, a paisagem urbana de São Paulo. Em primeiro plano, à direita, amplo telhado, com painéis de anúncios dispostos em «v», delimitando uma pequena área baldia. Casas terreas silenciosas, fechadas, ausentes de seres humanos, vegetação apenas presente. Dominada aparentemente pela oblíqua, através dos elementos do primeiro plano, a composição se equilibra de forma construtiva pela ortogonalidade acentuada, assim como pela sólida caligrafia estruturada do artista, que revela ainda um tratamento igualitário para toda a superfície da pintura, de evidente sabor cezaniano. Fonte: Museus Brasileiros, vol. 6, Edição Funarte, Rio, 1982. |
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