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Sem título
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No princípio, era
um violino
Henrique Boese nasceu em Berlim (Alemanha) no ano de 1897 e faleceu em São Paulo-SP em
1882.
Estudou em Berlim entre 1918 e 1922 com a célebre pintora e artista gráfica
expressionista Käthe Kollwitz, recebendo dessa grande artista forte influência inicial.
Em
seu país natal, desenvolveu intensa atividade artística como pintor e violinista.
Ventos sopram em
direção ao Brasil
Em
1938, surgindo as primeiras nuvens negras, anunciando uma iminente conflagração
universal, tendo como centro a Alemanha, abandonou o país e veio pra o Brasil.
Sua fixação, de forma definitiva, em nosso país, não se deu de uma só vez. Primeiro,
foi residir em Caraguatatuba, no litoral paulista, e mais tarde em São Paulo, onde
permaneceu até 1952.
Viajou para a Europa, só voltando em 1955, quando se instalou permanentemente na cidade
de São Paulo.
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Exposições
Realizou sua primeira individual no Brasil em 1947, no Instituto dos Arquitetos do Brasil
- Seção do Rio de Janeiro, voltando a expor em 1951 nessa cidade, estimulado pelo
critico Mário Pedrosa - dos primeiros a perceber e proclamar a qualidade de sua obra.
Em 1953 participou da II Bienal de São Paulo, e em 1956, já residindo nessa capital,
realizou nova individual, na Loja Ambiente.
Várias outras exposições realizaria a partir de então, contando-se entre elas a mostra
de 1966 em Hamburgo (Alemanha) e a retrospectiva 30 Anos de Pintura no Brasil, organizada
pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1972.
Abstração lírica
Grande pintor, não suficientemente conhecido e reconhecido, Boese partiu da figuração
expressionista, quando resolvia sua pintura em formas e cores dramáticas, até atingir,
em plena maturidade, a um abstracionismo lírico que se traduzia em cores diáfanas e
formas incorpóreas, tendo exatamente na cor sua característica marcante.
O crítico Olivio Tavares de Araújo, que apresentou a última individual do artista, em
1981 na Múltipla, de São Paulo, tem essas palavras de extrema justeza para lhe definir o
estilo:
«Boese permanece um dos mais envolventes pintores de sua tendência: a abstração
lírica, suavemente moldada em reminiscências da figura.
«Há, em cada quadro, uma remota herança da organização cubista do espaço (de onde
talvez derive a sensação de que todas essas pinturas são naturezas-mortas
transmutadas).
Linguagem musical
«Há ainda o uso extremamente pessoal de um repertório mais ou menos arquetípico de
formas que nascem do gesto e sugerem planos desdobrados e superpostos, páginas de livros
abertos, velas enfunadas, meias-luas ou fatias de melancias, e assim por diante.
«O essencial do processo de criação de Boese é a fluidez com que ele parece
resolver-se. Encontro muito, aqui, de concreta analogia com o improviso musical.
«E talvez seja decisivo esclarecer que Boese foi também, em outros tempos, um violinista
profissional, que teve com a música um relacionamento interno não metafórico.»
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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