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Bandeira do Divino (Década de 40)
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Um artista que não fazia arte primitiva, mas um pintor popular que pintava sua gente e seus costumes, assim
era Emídio de Sousa que, aos vinte anos, foi para Santos a fim de auxiliar Benedito
Calixto nas obras de pintura e decoração para os festejos comemorativos da promulgação
da Lei Áurea.
Descoberto por Alfredo Volpi, que começa a visitar regularmente Itanhaém, por volta de
1938, Sousa foi também conhecido, pouco depois, por Sérgio Milliet, crítico e pintor,
que propicia a organização da mostra individual em São Paulo, para ajudar o artista.
A exposição teve lugar na Galeria Domus, em meados dos anos 40, e seu êxito representou
o reconhecimento, pela primeira vez, da significativa importância do artista popular em
nosso panorama artístico.
Na tela abaixo (óleo sobre tela), Sousa registra um flagrante dos preparativos da Festa
do Divino, popularmente comemorada no interior do Estado de São Paulo. Com delicioso
frescor, o pintor descreve, em detalhe, os membros da comitiva que percorre a vizinhança
na arrecadação de óbolos para a festa.
Os tipos populares são retratados com muita acuidade pelo artista, que desenha com a cor,
apesar da «mancha» hábil do pincel, e consegue assim fixar, também com fidelidade, a
acolhedora atitude a respeito dos moradores da casa visitadapela Bandeira.
Fonte: Museus Brasileiros, vol. 6, Edição
Funarte, Rio, 1982.
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