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Limões (Premiado na 1ª Bienal de São
Paulo (1951)
Óleo sobre tela - 49 x 64 cm
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Construindo
carros
alegóricos
Danilo Di
Prete nasceu em Zambra (Itália) no ano de 1911 e faleceu em São Paulo-SP em 1984.
Autodidata, iniciou sua carreira
aos 20 anos, participando de diversas coletivas na Itália.
Também trabalhou anos
seguidos preparando carros alegóricos e bonecos em "papier maché" para os
desfiles carnavalescos de Viareggio, uma experiência que, no seu entender, muito iria
ajudá-lo décadas mais tarde, quando adotou como linguagem a arte cinética, porquanto
naqueles carros - cheios de luzes, cores e sons -, utilizava recursos de marceneiro,
eletricista, mecânico e ferramenteiro:
É ele quem diz:
«A meu modo de ver, a arte deve
ter alma, vida e movimento. Hoje me parece que um quadro apenas pintado é um objeto morto
numa parede.
«Pois os meus quadros têm
luz, som, ruídos, movimentação eletrônica, vida. Uma arte não só cinética, mas com
som, também.»
No Brasil, a idéia
de
uma Bienal
Durante a II Guerra Mundial
foi telegrafista e participou do Grupo de Artistas Italianos em Armas com trabalhos que
representavam cenas da guerra na Albânia, Grécia e Iugoslávia.
Findo o
conflito, embarcou para o Brasil, onde chegou em setembro de 1946, logo se radicando em
São Paulo, onde exerceu, por quatro anos consecutivos, a profissão de programador
visual.
Amigo de Francisco
Ciccilo Matarazzo Sobrinho, foi quem lhe sugeriu a criação, em São Paulo, de uma Bienal
de Arte, à semelhança da que se fazia em Veneza.
Concretizando-se essa
sua idéia, participou, entre 1951 e 1967, de todas as Bienais de São Paulo, tornando-se
nacionalmente conhecido e discutido depois que o seu quadro Limões conquistou,
na 1ª Bienal, em 1951, o prêmio nacional de pintura.
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Exposições
Di Prete figurou, ainda, em
diversos certames artísticos importantes, dentro e fora do Brasil, como:
Salão Nacional de Arte Moderna de 1952.
o Salão de Maio parisiense desse mesmo ano.
26ª e a 30ª Bienais de Veneza, em 1952 e 1960.
1ª Bienal Americana de Córdoba, na Argentina, em
1962.
Mostra itinerante Arte Atual Brasileira, que em
1965 percorreu vários países da Europa.
Também expôs em diversas ocasiões
individualmente, a partir de 1962.
Arte em movimento
Partindo de uma arte
figurativa intimista, regida por suaves contrastes de forma e cor, a pintura de Di Prete
atravessaria diversos estágios a partir da década de 1960.
Nesse processo de
transformação, buscou sucessivamente a sedução do abstracionismo informal. Abandonada
a bidimensionalidade, encontrou na arte cinética, talvez, sua mais forte expressão.
Numa entrevista concedida
ao jornalista Luís Ernesto Machado Kawall em 1972, assim se referiu o artista ao tipo de
arte que então produzia:
«Mesmo quando fazia arte
figurativa, sempre me preocupei com o cósmico, o segredo espacial, o universo
indecifrável.
«Isso até hoje, quando
procuro integrar à arte cinética essa relação fantástica com o mundo irreal,
misterioso, imprevisível em que vivemos.
«E também estou pensando
em introduzir nos meus objetos, além de movimento e luz, música eletrônica e poemas
falados.
«Na vida de hoje,
desumana, burocratizada, mercantilista, todo mundo só pensa em se "desligar".
Então, os objetos que vou fazer doravante servirão ao homem moderno, serão
utilitários.
«Depois de chegar
"arrasado" da cidade, ele ficará em sua casa, muitas horas, diante deles,
escutando seus sons, vendo seus movimentos coloridos e eletrônicos.»
Experimentando sempre
Grande experimentalista,
utilizando com idêntica desenvoltura suportes e materiais tradicionais, lado a lado com
telas de arame, nailon, sucata, lâmpadas, tubos galvanizados, acrílico e motores
elétricos, Di Prete imprimiu a todos esses elementos a marca de sua inquieta lucidez,
merecendo essas palavras consagratórias de José Geraldo Vieira:
«Como se não lhe
bastassem os estratagemas do trompe l'oeil, Danilo vai mais longe do que Le Parc e
Schoeffer.
«Danilo
associa aos recursos plásticos o movimento pendular de lâmpadas acesas mas invisíveis
que, indo e vindo, desvendam um espaço interior, uma nova dimensão pulsátil.
Elas despertam, no
bojo e na periferia dos quadros misteriosos, fulgores de diamantes, ágatas, rubis,
safiras, topázios, opalas, esmeraldas, ametistas, turquesas, sílicas, quartzos,
granadas, coridons e berilos
«Brilhantes que
são, obrigam aquelas maçanetas, aqueles fundos de garrafas, aquelas lascas, aqueles
seixos a se transformarem em gemas, em grutas de Capri, em torsos siderais, enquanto as
redes de náilon se põem a vibrar em ondas moirées.
«Trata-se de
arrojado sincretismo de recursos que, renovando a obra de Di Prete, a elevam ao mais alto
gabarito da arte contemporânea universal.
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura
Brasileira»
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