Valdemar Cordeiro
1925-1973

     Artista visual, designer, paisagista e crítico de arte, Cordeiro estudou na Academia de Belas-Artes de Roma. Em 1948, veio para o Brasil, fixando-se em São Paulo. Um dos precursores da arte concreta no Brasil, foi seu teórico em São Paulo. Em 1952, organizou o Grupo Ruptura, expondo os trabalhos no MAM-SP.

GRUPO RUPTURA. Criado em São Paulo, em 1952, e constituído por Geraldo de Barros, Lothar Charoux, Valdemar Cordeiro, Kazmer Fejer, Leopoldo Haar, Luís Sacilotto e Anatol Wladislaw. Em manifesto publicado no catálogo de sua exposição no MAM de São Paulo, os integrantes declaravam-se contrários a "todas as variedades e hibridações do Naturalismo", bem como à "mera negação do Naturalismo". Situavam-se ainda contra o "Não-Figurativismo hedonista, produto do gosto gratuito, que busca a mera excitação do prazer ou do desprazer", e adotavam posição favorável a todas as experiências "que tendam à renovação dos valores essenciais da arte visual - espaço-tempo, movimento e matéria". Negavam a intuição, proclamando ser a arte um tipo especial de conhecimento, acima da opinião, e dedutível de conceitos. O Grupo Ruptura, que realizou apenas a exposição de 1952, teve em Valdemar Cordeiro o seu principal teórico.

     Em 1956, participou da Exposição Nacional de Arte Concreta em São Paulo e Rio e, em 1960, da Exposição Internacional de Arte Concreta em Zurique. Durante a década de 60, desenvolve intensa atividade artística, tentando, através de sua fase pop-creta, uma fusão do pop-art com o concretismo.

     Dirigiu a primeira pesquisa em computador em nosso país, em 1968, à frente de uma equipe de matemáticos, físicos, artistas e engenheiros, utilizando-se de meios eletrônicos para programação de arte. Professor da Unicamp, promoveu, em 1971, uma exposição internacional de arte de computador.

     O quadro abaixo abaixo (têmpera sobre eucatex, 1957) projeta, a partir de uma espiral de Arquimedes, como num gráfico, a trajetória linear em vermelho e negro. Ausente de qualquer resquício de artesanato na feitura do trabalho, o olhar percebe a presença das curvas invisíveis, a partir da angulação das linhas negras e vermelhas.

É a matemática, aplicada intuitivamente pelo artista, como inspiração para a obra e o desenvolvimento do projeto. É o artista, não mais realizando uma obra a partir da imitação ou interpretação de uma realidade, porém, tornando visível um princípio racional, uma idéia.

Fonte: Museus Brasileiros, vol. 6, Edição Funarte, Rio, 1982.

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Idéia visível (1957)

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